I Seminário Brasileiro sobre Livro
e História Editorial |
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Textos e resumos |
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1. Acácia » Cláudia |
Acácia Rios
Real Gabinete Português de Leitura. Graduada em Comunicação
Social e Mestre em Memória Social e Documento, Universidade do Rio de
Janeiro (Uni-Rio). Faz parte do Núcleo Cultura e Sociedade, do Real Gabinete
Português de Leitura.
E-mail: acaciarios@terra.com.br
O que dizem as capas de Os sertões – o olhar editorial brasileiro e estrangeiro
O objetivo desta comunicação é apresentar uma análise
do tratamento gráfico dado por algumas editoras brasileiras e estrangeiras
a Os sertões, de Euclides da Cunha, a partir do estudo das capas, apontando
os seus elementos mais recorrentes, e a forma como alguns ilustradores interpretaram
personagens e paisagens do sertão euclidiano. Reproduções
de pinturas, fotografias, bico de pena, xilogravuras e outros recursos ilustrativos
dão uma dimensão das variadas formas de soluções
gráficas encontradas para apresentar Os sertões ao público
e/ou para suavizar o contato deste com o texto. Quer nas representações
do homem, da terra ou da luta – subdivisões construídas
pelo autor –, o tratamento editorial do ponto de vista ilustrativo vem
contribuindo para a permanência da memória desta que é considerada
uma obra monumental e um “sucesso editorial” desde a sua primeira
edição, em 1902.
Palavras-chave: Os sertões; Euclides da Cunha; capas; ilustrações.
Alessandra El Far
Universidade Estadual de Campinas. Pesquisadora de Pós-Doutorado vinculada
ao PAGU (Núcleo de Estudos de Gênero), da Unicamp.
E-mail: aleelfar@usp.br
A disseminação do livro popular nas últimas duas décadas do século XIX e a trajetória editorial de Pedro Quaresma, proprietário da Livraria do Povo.
Nas últimas duas décadas do século
XIX, o livro deixava de ser um produto caro e reservado apenas ao consumo de
uma pequena elite intelectualizada. No Rio de Janeiro, comerciantes, dispostos
a conquistar espaço no mercado livreiro da cidade, começavam a
anunciar nos jornais da época listas e mais listas de volumes a baixos
preços. Eram brochuras dos mais diferentes gêneros literários
que procuravam atender ao gosto de uma ampla camada alfabetizada da população
que crescia a cada dia. Entre esses livreiros-editores estava Pedro da Silva
Quaresma, proprietário da Livraria do Povo e principal responsável
pela publicação de livros baratos e de grande tiragem daquele
período.
Palavras-chave: Livraria; livro popular; Pedro da Silva Quaresma; século
XIX; história literária brasileira.
[Texto
completo]
Alexandra Santos PinheiroDoutoranda
em História e Teoria Literária pela Unicamp e professora da Unioeste
(PR). Membro do grupo RETLLE.
E-mail: alexpin@netconta.com.br
Baptiste Louis Garnier: O homem e o empresário
A presente comunicação tem como objetivo refletir sobre a importância
de Baptiste Louis Garnier para a imprensa brasileira do século XIX. O
editor nasceu em 4 de março de 1823, em Paris, e morreu em 1 de outubro
de 1893, no Rio de Janeiro, onde residia desde 1844. O trabalho com a imprensa
foi aprendido com seus dois irmãos mais velhos que, com 17 e 21 anos,
abriram uma livraria em Paris. Louis Garnier, balconista na loja dos irmãos,
decidiu montar seu próprio negócio e escolheu o Brasil para realizar
o seu intento: “Resolveu transferir-se para o Brasil, pensando com razão
que num país novo e cheio de ambição haveria lugar propício
para o desenvolvimento dessa especialidade comercial” (Hallewell, 1985,
p. 127-128). A importância do editor pode ser avaliada, dentre outros
aspectos, pela longevidade de seu projeto editorial.
Palavras-chave: Garnier; editor; século XIX; Rio de Janeiro; França;
história editorial.
[Texto
completo]
Alexandre Farbiarz
Professor do curso de Comunicação Social da UFF. Doutorando em
Design pela PUC-Rio; Supervisor Administrativo do Núcleo de Estudos do
Design do Livro da PUC-Rio; Mestre em Educação e Linguagem pela
Faculdade de Educação da USP; Mestre em Design pela PUC-Rio.
E-mail: alexfarbiarz@aol.com
Texto, leitor e suporte: um triângulo amoroso?
Durante a história, o livro teve os mais diversos formatos e suportes.
Sua presença ou ausência, sua leitura ou a falta dela, suscitaram
os mais diversos tipos de relações. Hoje, quando nos deparamos
com novas formas de leitura eletrônica, percebemos o quanto a humanidade
acumulou de hábitos e experiências e o quanto eles condicionam
a nossa leitura. Este trabalho tem como objetivo principal a investigação
da relação cognitiva entre o suporte do livro e o leitor, como
forma de ampliar a compreensão do papel do livro eletrônico nos
dias atuais. Seja através de pesquisa bibliográfica ou da coleta
de dados com o universo de pesquisa, o que se pode avaliar até o presente
momento é que na relação afetiva com o códice, forma-se
uma situação dicotômica reiterada pelas políticas
de incentivo à leitura, tendo no livro eletrônico e digital uma
possibilidade de solução.
Palavras-chave: Livro; livro eletrônico; suporte; afeto; produção
de sentidos.
Alice Mitika Koshiyama
Professora do curso de graduação em Jornalismo e de Pós-Graduação
em Ciências da Comunicação da ECA-USP. Coordenadora do Grupo
de Pesquisa Jornalismo e Construção da Cidadania, pesquisadora
em jornalismo, editoração, história e cidadania. Autora
de Monteiro Lobato, intelectual, empresário, editor, 1982.
E-mail: alicemit@usp.br
Atualidade de Monteiro Lobato para a indústria do livro
O trabalho avalia a atuação de Monteiro Lobato editor de livros
e situa sua importância na história como o mais qualificado ideólogo
da indústria do livro no Brasil. Pioneiro na produção do
setor, defendeu os interesses da empresa editorial ao mesmo tempo em que produzia
seus textos para literatura infantil e adulta. Conseguiu perceber os interesses
do empresário editor e dar um status para o livro como produto cultural
e instrumento indispensável para a formação e a construção
da cidadania no país. Seu trabalho na produção e comércio
de livros nos anos 20 e sua atividade de escritor de obras infantis e de adultos
na primeira metade do século XX atestam seu vínculo com a constituição
de valores sobre a função do livro na vida do país. Valores
que permanecem e se renovam na atualidade em novos contextos históricos.
Palavras-chave: Monteiro Lobato; indústria do livro no Brasil; formação
de cidadania; editores; história editorial.
[Texto
completo]
Amanda do Prado Ribeiro
Universidade Federal Fluminense. Aluna do bacharelado em Língua e Literatura
Alemãs, exercendo atualmente atividades de monitoria em Teoria da Literatura,
sob a orientação do professor Dr. José Luís Jobim.
E-mail: amandaprado@terra.com.br
O livro eletrônico e transformações na indústria editorial
O livro eletrônico, embora ainda não incorporado aos nossos hábitos
de leitura, tem recebido apoios entusiastas e críticas contundentes.
Inserido nas discussões em torno das novas tecnologias de produção,
comercialização e leitura textuais, o tema tem sido favorecido
pela facilidade de publicação em meio digital, onde uma miríade
de artigos jornalísticos, ensaios literários e estudos acadêmicos
encontram espaço a todo o momento (além dos que circulam nos meios
tradicionais), envolvendo editores, livreiros, críticos literários,
profissionais da educação, comunicólogos, cientistas sociais,
engenheiros eletrônicos e programadores de software. Este trabalho aborda
algumas das questões em discussão: os destinos da literatura no
espaço cibernético, o possível abandono de práticas
culturais associadas à materialidade do códice, a criação
de novas formas de leitura e suas repercussões no pensamento contemporâneo.
Palavras-chave: Internet; e-book; livro eletrônico; editoras
virtuais; novas tecnologias.
[Texto
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Ana Carla Epitácio MazzetoAluna do curso de graduação de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal Fluminense
Ana GawryszewskiAluna
do curso de graduação de Biblioteconomia e Documentação
da Universidade Federal Fluminense.
E-mail: agawry@vm.uff.br
O caderno Idéias
O trabalho examina o caderno Idéias, suplemento literário do
Jornal do Brasil que vem sendo publicado desde 1986 com o propósito de
divulgar informações sobre acontecimentos do mercado editorial,
mais especificamente sobre lançamentos de livros. São contemplados
os seguintes aspectos do caderno: função, estrutura e processo
de seleção dos livros divulgados. Para sua elaboração,
foi realizada uma entrevista com Cristiane Costa, editora-chefe do Idéias,
de onde as principais informações foram obtidas.
Palavras-chave: Caderno Idéias; suplementos literários; cadernos literários; Jornal do Brasil, crítica literária; divulgação.
[Texto
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Ana Elisa RibeiroMestre
em Estudos Lingüísticos pela UFMG, professora universitária,
docente na pós-graduação do Uni-BH, escritora e editora.
E-mail: ana@patife.art.br
As margens da página no texto impresso e no texto digital: espaços virgens ou reservas especiais?
Desde o manuscrito até o impresso, as margens dos livros, além
de terem função estética e de proporcionarem conforto,
maior legibilidade e de espaço de manobra e manipulação
do objeto, serviam ao autor ou ao editor como o lugar reservado para anotações
e comentários. Ao leitor sobravam as margens em branco abandonadas pela
impressão, espaços periféricos e não-autorizados.
Com o advento do empréstimo público de livros, novas práticas
de leitura desestimularam que se escrevesse nas páginas. Com a perda
desse hábito, perderam-se as pegadas de leitores ativos. No entanto,
por meio de pesquisa bibliográfica e atividade intensa na Internet, percebe-se
o estímulo aos comentários e ao diálogo entre autor e leitor,
assincronamente, nos blogs, nova ferramenta de escrita e publicação
na Internet, o que desenha o movimento de vaivém e a hibridez dos suportes
de leitura/escrita, apesar das inovações tecnológicas.
Palavras-chave: Leitura; margem; anotação; co-autoria; Internet.
[Texto
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Ana Elisa RibeiroMestre em Estudos Lingüísticos pela UFMG. Professora da Pós-graduação do Uni-BH, escritora e editora.
Jorge Rocha Mestre em Cognição e Linguagem pela Universidade Estadual do Norte Fluminense. Professor do curso de Comunicação Social da Universidade Fumec-BH, escritor, editor e jornalista.
Pequenas editoras e Internet: ação cultural com tecnologia para a difusão da nova literatura
Uma profusão de pequenas editoras espalhadas por todo o Brasil comprova,
pela produção de alto nível, que elas são as responsáveis
pela renovação da literatura contemporânea, uma vez que
buscam e encontram novos autores, além de publicarem suas obras e servirem,
muitas vezes, de porta de entrada para editoras maiores. No entanto, apesar
do trabalho de pesquisa e da alta qualidade gráfica permitida pela utilização
de programas de computador e pelo barateamento do serviço das gráficas,
as obras desses autores continuam sem distribuição satisfatória.
Neste texto, refletimos sobre essa dinâmica de renovação,
existência das pequenas editoras não-artesanais, parcas distribuição
e divulgação.
Palavras-chave: Editora; literatura; distribuição; Internet; novas
tecnologias.
[Texto
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Ana Flávia Ferreira
GodoiUniversidade Federal Fluminense. Aluna da graduação
em Produção Cultural, participou do I Seminário de Produção
Cultural da UFF.
E-mail: ana_godoi@ig.com.br
Tempos revolucionários: livros, livrarias, cafés e academias. Leitura e sociabilidade na Cidade Sorriso. 1930-1940.
Pretende-se uma pesquisa exploratória contextualizando o ambiente social
e cultural das décadas de 1930 e 1940 na cidade de Niterói, objetivando
problematizar o crescente número de espaços marcados pela circulação
e uso do livro. Ainda analisaremos as transformações decorrentes
da ação política, pedagógica, cultural e jurídica
da Revolução de 30 e do Estado Novo, quando a educação
e a cultura inseriam-se como ferramentas de caráter político-ideológico
largamente difundidas pelo regime estadonovista. Em nossa metodologia, listaremos
as academias de letras, os grêmios literários, jornais, movimentos
juvenis, associações proletárias, clubes sociais e outros
espaços culturais. Empregaremos o suporte teórico do Habitus,
em Bourdieu e dos círculos de literatos conforme R. Darnton. Concluímos,
preliminarmente, que o ambiente cultural do entreguerras, na sociedade niteroiense,
foi caracterizado pela identidade provinciana e pela incorporação
de hábitos cotidianos simbolizados por encontros literários e
reconfigurados pela popularização do radio e do cinema, o que
afirmou o habito da leitura como uma prática notoriamente de elite.
Palavras-chave: Livros; leitura; sociabilidades; instituições
culturais; Niterói.
Ana Gawryszewski, ver Ana Carla Epitácio Mazzeto
Ana Lucia Silva EnneGraduada em Comunicação Social pela PUC/RJ, Mestre e doutora em Antropologia Social pelo PPGAS/Museu Nacional/UFRJ, bolsista recém-doutora pelo PRODOC/CAPES no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF, onde coordena o Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI).
O Livro de uma sogra ou “o livro dentro do livro”: discurso polifônico e metalinguagem na obra de Aluísio Azevedo
Neste trabalho, pretendo apresentar algumas considerações sobre
o romance O Livro de uma Sogra, de Aluísio Azevedo, escrito no final
do século XIX. A proposta é percebê-lo como uma bricolagem
de textos que se sobrepõem e se interpenetram, em um jogo de intertextualidades,
configurando assim um exercício de metalinguagem no qual o livro dentro
do livro faz deste último o suporte ideal para desdobramentos polifônicos.
Pretendo demonstrar como, através desses recursos e estratégias
narrativas, Azevedo constrói uma tessitura de enredo que entrelaça
crítica social com conservadorismo, discutindo temas como o casamento
burguês, as diferenças entre os gêneros, o romantismo e o
cientificismo, dentre outros.
Palavras-chave: metalinguagem; polifonia; crítica social; Aluísio
Azevedo; narrativa.
[Texto
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Ana Sofia Mariz, ver Guilherme Cunha Lima
Andréa Bezerra
CordeiroMestranda em Educação pela Universidade Federal
do Paraná; bolsista CAPES.
E-mail: cordeiroandrea@yahoo.com.br
Memória, nação e escolarização: a apologia à memória nacional em Poesias Infantis (1904) de Olavo Bilac
Este artigo propõe uma análise do empenho republicano no início
do século XX, pelo estabelecimento de uma memória nacional, via
escolarização, a partir da leitura da obra Poesias Infantis (1904),
de Olavo Bilac. Tal análise buscará entender o papel do livro
Poesias Infantis como “lugar de memória”, capaz de adensar
e localizar a memória sobre o passado da escolarização
no Brasil; e também examinará algumas idéias sobre a memória
expressas por Olavo Bilac nas próprias poesias infantis, no intento de
gerar um vínculo entre a criança da Primeira República
e o passado histórico do país, solidificando, desta forma, a identidade
nacional.
Palavras-chave: Primeira República; Olavo Bilac; lugar de memória;
poesia infantil, escolarização; livro infantil e juvenil.
[Texto
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Andréa Borges LeãoDoutora
em Sociologia (USP) e professora-pesquisadora do Programa de Pós-Graduação
em Educação Brasileira da Faculdade de Educação
da Universidade Federal do Ceará (UFC). Com tese sobre a história
da produção editorial para criança, entre os anos de 1890
e 1915 (ora, em processo de publicação em livro), a pesquisadora
desenvolve trabalho sobre a história e memória editorial cearense,
do qual participam alunos da pós-graduação e bolsistas
graduação/CNPq, vinculados ao núcleo de história
e memória Educacional.
E-mail: dealeao@secrel.com.br
Francisco Alves e a formação da literatura infantil
A escolarização dos livros infantis não foi a única
função do livreiro-editor Francisco Alves, ainda que a mais rentável.
Os alunos não foram os únicos leitores visados, até porque
em um país como o Brasil, convinha apostar na leitura mais sonora e visual
que escrita, e acertar o alvo dos analfabetos. Francisco Alves publicou livros
de imaginação, histórias de puro divertimento, que talvez
nem entrassem na sala de aula. E, com isso, deu a sua contribuição
para a formação do universo literário para crianças,
associando sua marca comercial ao nome de autores dispostos a assumir todos
os riscos da criação. Ao lado das poesias cívicas, tornou
possível que as comédias e os contos de fadas fossem lidos, as
fronteiras entre ficção e realidade ficassem borradas e que o
respeito à liberdade de criação autoral convivesse com
as leis do mercado de compêndios escolares. A comunicação
tem por objetivo analisar o papel de Francisco Alves na formação
da literatura infantil brasileira.
Palavras-chave: Edição; literatura; infância; livros infantis
e juvenis; história editorial; Francisco Alves.
[Texto
completo]
Andréa Lemos
Xavier Galucio Doutoranda em História Social na UFF. Mestrado
em História Social da Cultura na PUC-Rio, c oncluído em 2003.
Apresentação de trabalhos nos congressos regionais e nacionais
de História (ANPUH, 1998 a 2003) e no Congresso Internacional da Associação
Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC, 2004).
E-mail: andreagalucio@uol.com.br
O papel da Editora Brasiliense na difusão do pensamento de esquerda e nos debates intelectuais e políticos, no Brasil, entre 1979 e 1985.
A Editora Brasiliense, durante o regime militar, enfrentou diversos obstáculos
para sua manutenção no mercado editorial, e sua posição
sofrerá mudanças em fins dos anos 70, junto ao processo de abertura
democrática, ao publicar a Coleção Primeiros Passos, inaugurando
uma fase de sucesso desde sua fundação. Neste quadro, analisamos
a consolidação do projeto político-cultural da Brasiliense
ao formar um ambiente intelectual e político de esquerda a partir de
sua atividade editorial. Para isso partimos de categorias de Antonio Gramsci
– com objetivo de problematizar a atuação de setores do
livro na sociedade civil e no governo – e Pierre Bourdieu em torno da
noção de campo editorial que nos permite metodologicamente mapear
este campo. Entendemos que a análise da produção de publicações,
da trajetória de editoras e do conteúdo dos textos são
relevantes para a discussão dos canais de difusão de concepções
políticas em um grupo social específico, destacando que mesmo
com interesses particulares de empresários do livro, algumas editoras
tiveram a peculiaridade de estimular a formação de opiniões
críticas e politizadas da vida social, vinculando-se, inclusive, a movimentos
políticos e sociais, como o apoio da Brasiliense na reorganização
da esquerda naquele momento.
Palavras-chave: Editoras de esquerda; política editorial; cultura política;
Brasiliense; transição política.
[Texto
completo]
Aníbal BragançaProfessor
do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do PPGCOM – Programa
de pós-graduação em Comunicação da Universidade
Federal Fluminense. Doutor em Ciências da Comunicação, com
a tese Eros pedagógico: a função editor e a função
autor, ECA/USP, 2001. Autor de Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia,
1999; co-organizador de A profissão do poeta & Carta aos livreiros
do Brasil, 2002. Coordenador do LIHED/UFF. Diretor científico da Sociedade
Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –
Intercom (2002-2005). Coordenador geral do Seminário.
E-mail:anibalbr@terra.com.br
A Francisco Alves no contexto da formação de uma indústria brasileira do livro
Novos estudos da história do livro brasileiro apontam o papel exercido
pela Impressão Régia (do Rio de Janeiro) e de outras editoras,
que foram criando, paralelamente aos trabalhos dos livreiros-editores estrangeiros
aqui instalados após a Independência, o que viria a ser uma indústria
nacional do livro. Nesse processo foi fundamental a expansão do sistema
público escolar na abertura de um mercado para a edição
de manuais didáticos. Francisco Alves, com novas formas de relacionamento
com autores e moderna visão empresarial criou a primeira grande editora
brasileira, cuja expansão para a Europa só se interrompeu com
seu falecimento, em 1917. Seus sucessores a mantiveram no topo até que
a Nacional, editora fundada por Monteiro Lobato e Octalles Marcondes Ferreira,
em novo contexto histórico e cultural, após 1930, a deslocassem
dessa posição. Comemorando 150 anos, a Francisco Alves, depois
de passar por grandes transformações em sua gestão e política
editorial, é a mais antiga em funcionamento contínuo no país.
Palavras-chave: História editorial; editoras; livrarias; sistema público
escolar; livros escolares; Francisco Alves.
[Texto
completo]
Arlette Medeiros
GasparelloProfessora da Faculdade de Educação da Universidade
Federal Fluminense (UFF). Doutora em Educação pela PUC-SP. Pesquisa
na área do ensino de História e do livro didático e é
autora do livro Construtores de identidades: a pedagogia da nação
na escola secundária brasileira.
E-mail: arlettemg@urbi.com.br
Invenção e continuidade: a História do Brasil de João Ribeiro
O texto discute as relações entre ensino de História,
livro didático e os professores/autores, com base em pesquisa situada
na primeira década do século XX, quando se configurou uma fase
de renovação do campo historiográfico e do ensino de História
no Brasil, marcada pelas contribuições de João Ribeiro
e Capistrano de Abreu. O primeiro, com uma original produção voltada
para o ensino e o segundo, intenso pesquisador do nosso passado, ocupam um lugar
de destaque na historiografia nacional. Distanciando-se das interpretações
do século anterior, João Ribeiro, com um inovador compêndio
e Capistrano de Abreu, com seus Capítulos, contribuíram para dar
visibilidade a novos agentes e práticas que precisavam ser levados em
conta na formação histórica brasileira.
Palavras-chave: Livro didático; professor/autor; ensino de História;
nação.
[Texto
completo]
Bruno DorigattiFormado
em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, aluno do curso de
graduação em História da UFF. Trabalha com revisão
e diagramação de livros
E-mail: bruno@arteepolitica.com.br
Ascensão e declínio do autor
O presente artigo pretende traçar um breve panorama de algumas questões
que se relacionam com o surgimento do autor, sua hegemonia no período
que vai da modernidade até meados do século passado, e seu declínio,
que coincide com o desenvolvimento e expansão das novas tecnologias de
comunicação e informação. Segundo Michel Foucault,
Roland Barthes, Regina Zilberman e Paulo Vaz, entre outros, percebemos o quanto
o “surgimento” do autor é algo socialmente construído,
com um valor e uma noção que chegariam a ser amplamente difundidos
no século XX. O império do autor de que nos fala Barthes está
amplamente consolidado, mas, por outro lado, observamos, movimentos que questionam
essa infalibilidade do autor, a aura e o romantismo que insistem em classificá-lo
como alguém dotado de um gênio original. Dentre estes movimentos,
apresentamos o coletivo italiano Wu Ming, que pretende desmistificar a aura
do autor, visto que mesmo a criação individual tem uma dimensão
coletiva, questionar a lógica do copyright, por achar que este limita
o desenvolvimento do “capital cognitivo”, e substituí-lo
pelo conceito de copyleft, que permite a reprodução, desde que
para fins não-comerciais, garantindo a reprodução e difusão
da obra.
Palavras-chave: Autoria; direitos autorais; copyright; copyleft;
novas tecnologias.
[Texto
completo]
Carla Fernanda FontanaFormada
em Editoração pela Escola de Comunicações e Artes
da Universidade de São Paulo. Foi um dos organizadores do sexto volume
da série “Editando o Editor”, com Cláudio Giordano,
lançado em 2003 pela Edusp. Desde o início da graduação
trabalhou em editoras; também trabalhou na Oficina do Livro Rubens Borba
de Moraes, organizando seu acervo. Atualmente é editora-assistente da
Edusp. Apresentada originalmente como trabalho de conclusão de curso,
esta pesquisa está sendo preparada para publicação pela
Ateliê Editorial.
E-mail: carlaff@usp.br
O Ateliê de Desenho da Livraria do Globo
Nesta pesquisa estuda-se a produção dos artistas gráficos
que trabalharam para a Livraria do Globo de Porto Alegre. Começando por
um breve histórico da empresa, fundada em 1883, o trabalho busca acompanhar
a transformação da livraria em editora, nos anos de 1920, e a
inserção de imagens nas publicações da Globo dos
decênios de 30 e 40, quando a editora ganhou projeção nacional
com suas traduções. Como, em decorrência dessa produção
editorial, formou-se na Globo a chamada “seção de desenho”,
ateliê no qual se reuniu um grupo de artistas responsável pelo
planejamento gráfico e pelo desenho de capas e ilustrações
para livros e revistas e pela criação de cartazes e anúncios
publicitários, analisa-se em seguida a formação desse ateliê,
destacando-se os artistas que dele fizeram parte e sua importância para
as artes plásticas gaúchas, além de sua singularidade na
história editorial brasileira. A partir do levantamento dos livros ilustrados
publicados pela Globo, foram escolhidos, por sua relevância, os artistas
Ernest Zeuner, João Fahrion, Edgar Koetz e Nelson Boeira Faedrich, sendo
cada um deles objeto de um capítulo em que seus trabalhos para os livros
da editora são detalhadamente estudados. Em todo o texto a análise
das obras é relacionada a pesquisas sobre artes gráficas, buscando-se
recuperar as práticas e técnicas adotadas pela Globo na edição
de livros ilustrados.
Palavras-chave: Ilustração; artes gráficas; livros; livraria;
editora; Globo.
Carlo CarrenhoFormado
em Economia pela FEA-USP e especializado em Publishing pelo Radcliffe College
(Cambridge, USA). Trabalha há 10 anos no mercado editorial e, atualmente,
é editor e proprietário da Carrenho Editorial. Idealizador e editor
do informativo eletrônico PublishNews, que consolida diariamente todas
as notícias do mundo editorial brasileiro. Exerce a função
de Gerente de Produto Livro na distribuidora Superpedido, de São Paulo.
E-mail: carlo@carrenho.com.br
A importância da mídia espontânea para o mercado editorial de livros
Com a queda da tiragem média dos livros e a conseqüente diminuição
do faturamento por título lançado, é cada vez mais difícil
para as editoras brasileiras investirem em publicidade paga. A divulgação
dos lançamentos, portanto, fica a cargo de pequenas ações
pontuais de editores e autores, do boca-a-boca e da mídia espontânea,
isto é, resenhas e reportagens sobre livros e lançamentos. Além
disso, o despreparo de livreiros e compradores de grandes redes de livrarias
leva-os a utilizar a divulgação na mídia como determinante
na aquisição e exposição dos livros nos pontos de
venda. O papel da mídia espontânea é, portanto, duplamente
importante, pois influencia tanto o livreiro como o leitor. A queda que o espaço
dedicado ao livro vem sofrendo nos meios de comunicação, particularmente
nos jornais, merece então a atenção e preocupação
do mercado editorial e da própria universidade. O informativo PublishNews
ganhou importância nos últimos 18 meses justamente por ir ao encontro
da crescente carência por divulgação e informação
das editoras e livrarias brasileiras. Seu desenvolvimento alinha-se com algumas
das tendências da mídia em sua relação com o mercado
editorial.
Palavras-chave: Mídia; mercado editorial; divulgação de
lançamentos; jornalismo.
Carlos Humberto Alves
CorrêaDoutorando da Faculdade de Educação/Unicamp;
integrante do Grupo de Pesquisa Alfabetização, Leitura e Escrita
– ALLE.
E-mail: parachac@hotmail.com
No rastro dos livros escolares: elementos para a compreensão de sua circulação nas escolas primárias do Amazonas (1852 a 1890)
No campo de estudos da história da leitura, inscrevem-se os trabalhos
que se voltam à leitura escolar. Entre nós, a história
cultural tem inspirado esta produção mais recente, auxiliando
na percepção da leitura como uma prática plural, composta
por uma heterogeneidade de ingredientes. O estudo dos modos de aprendizagem
e de ensino da leitura é apresentado por Darnton (1990) e Chartier (2001)
como uma das rotas possíveis para a reconstituição da história
da leitura. Dentro desta perspectiva, optamos por apresentar neste trabalho
os resultados parciais da pesquisa de doutorado que estamos desenvolvendo, examinado
especificamente alguns elementos (personagens e práticas) do complexo
e tortuoso circuito do livro escolar posto em funcionamento na Província
do Amazonas, durante a segunda metade do século XIX.
Palavras-chave: História da leitura; história do livro; circulação;
livros escolares; ensino primário; século XIX.
[Texto
completo]
Cecília Hanna MateUniversidade
de São Paulo. Professora na Faculdade de Educação, das
disciplinas Didática (licenciatura) e História do Currículo
e das Disciplinas Escolares (pós-graduação). Mestrado e
Doutorado em História da Educação. Autora do livro Tempos
modernos na escola: os anos 30 e a racionalização da educação
brasileira (Bauru: Edusc, Brasília: Inep); tem vários artigos
sobre currículo, reformas de ensino e coordenador pedagógico.
Integra o Grupo Temático de pesquisa “Educação e
Memória: organização de acervos de livros didáticos”
na FEUSP.
E-mail: hannamat@usp.br
Programas curriculares e o livro didático
Ao estudar os anos 30 tendo como documento principal revistas de educação
publicadas em São Paulo de 1930 a 1933, discuto a reforma de ensino como
suporte institucional da fabricação de uma “vontade de verdade”
ao criticar e propor outros modos de educar e de organizar a escola: propostas
de métodos e de conteúdos, programas de ensino, higiene e saúde,
suportes teórico-científicos sobre renovação do
ensino, notícias pedagógicas de outros estados e do exterior,
reprodução de artigos e entrevistas publicados pela imprensa etc.
Esses materiais nos trouxeram a idéia de dispositivo produtor de concepção
de educação ao atingir professores em sua prática cotidiana
criando, assim, um regime de verdade sobre como a educação poderia
tornar as crianças auto-responsáveis. A conclusão do referido
estudo abriu a perspectiva de trabalhar os livros didáticos que foram
produzidos nos anos 1930 e 40 em torno dessas reformas com o objetivo de examinar
como os textos escolares absorveram as orientações e regulamentações,
tanto programáticas como metodológicas, que então se prescreviam
para professores e escolas por meio dos programas curriculares elaborados com
base nas reformas.
Palavras-chave: Reforma de ensino; livros didáticos; programas curriculares;
revistas de educação; década de 1930/40.
[Texto
completo]
Célia Abicalil
BelmiroProfessora da Faculdade de Educação e Pesquisadora
do Ceale/UFMG; doutoranda do Programa de Pós-Graduação
em Educação da UFF; fotógrafa. Têm diversas publicações
na área da educação sobre imagem e texto verbal nos livros
didáticos do ensino fundamental.
E-mail: celiab@terra.com.br
Imagens e textos verbais na construção dos jovens sujeitos leitores
Este texto se propõe a analisar as possibilidades teórico-metodológicas
de alguns livros didáticos de língua portuguesa do ensino médio
atuais, no sentido de desvelar, nas propostas de leituras de diferentes textos
verbais e visuais, a presença dos sujeitos e a existência ou não
de diálogo entre diferentes linguagens. Algumas reflexões podem
tomar como ponto de partida as seguintes questões: há, nos livros
analisados, uma clara direção para o desenvolvimento da leitura
de textos literários e visuais, ou as propostas apenas espelham as características
de uma fragmentação pós-moderna que atualiza, na forma
e nas estratégias metodológicas, o pensamento de um sujeito deslocado
e múltiplo, consumidor de textos? Esses manuais se limitam a um extenso
uso de textos e imagens do cotidiano dos alunos ou propõem a ampliação
do universo sócio-histórico que se espera de um jovem estudante?
Palavras-chave: Imagem; novos letramentos; leitura; livro didático.
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Célia Cristina
de Figueiredo CassianoPUC-SP: Doutoranda em Educação, História,
Política e Sociedade; Mestre em Educação, Especialista
em teoria da Comunicação e graduada em Língua e Literatura
portuguesas.
E-mail: f.cassiano@uol.com.br
Mercado de livro didático no Brasil
Esta comunicação é parte de minha dissertação
de mestrado, cujo tema foi a circulação do livro didático
na história recente do país. Teve como hipótese que as
políticas públicas para o livro didático e as editoras
privadas deixam marcas na seleção do livro que é feita
nas escolas, levando para este processo determinantes de mercado. Constituindo-se,
então, em um campo de estudo privilegiado para se entender a relação
escola e mercado. Por conta disso, três foram as instâncias fundamentais
pesquisadas: as editoras de didáticos, com ênfase na sua área
comercial; as ações governamentais, com foco no Programa Nacional
do Livro Didático (PNLD) e a escola. Nesta comunicação
enfatizaremos o mercado das grandes editoras de didáticos, traçando
um panorama deste setor, assim como a reconfiguração deste mercado,
com a entrada das grandes multinacionais no Brasil, suas novas estratégias
e o que isto implica para as escolas. Autores como Michael Apple e Gimeno-Sacristán
nos auxiliam a inserir este estudo na teoria crítica do currículo.
Palavras-chave: Mercado editorial; livro didático; políticas públicas;
educação.
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Christianni Cardoso
MoraisUniversidade Federal de São João del-Rei. Professora
do Departamento das Ciências da Educação; Mestre em Educação
pela UFMG, coordenadora do projeto Organização, catalogação
e classificação das obras raras e antigas da Biblioteca Baptista
Caetano d’Almeida; coordenadora do Grupo de Estudos em História
da Alfabetização, Leitura e Escrita (GEHALE/DECED/UFSJ).
E-mail: tiannimorais@hotmail.com
Lucy Gonçalves
Fontes HargreavesUniversidade Federal de Minas Gerais. Professora Aposentada
da Escola de Ciência da Informação. PhD em Ciência
da Informação pela Loughborough University of Technology, responsável
pela orientação técnica do projeto Organização,
catalogação e classificação das obras raras e antigas
da Biblioteca Baptista Caetano d’Almeida
E-mail: peter@mgconecta.com.br
Uma biblioteca na província: a Livraria Pública de São João del Rei
A Livraria Pública de São João del Rei, primeira biblioteca
pública de Minas Gerais, foi inaugurada em 1827 por iniciativa do comerciante
Baptista Caetano à frente de um grupo de homens letrados. Além
do acervo inicial de seu fundador recebeu inúmeras doações
no decorrer do tempo. Atualmente o acervo, totalmente catalogado e classificado,
está sob a guarda da Universidade Federal de São João del
Rei (UFSJ). São 2771 títulos publicados entre os séculos
XVI e o início do XX, com as informações armazenadas num
banco de dados.
Palavras-chave: Biblioteca pública; livros raros; leitura e leitores;
São João del Rei.
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Circe Maria Fernandes BittencourtPesquisadora e professora da Faculdade de Educação da USP, inclusive no programa de pós-graduação. Dentre outras publicações, organizadora do livro O saber histórico na sala de aula, São Paulo.
Autores e editores de livros didáticos: 1810-1950
Esta apresentação aborda a história dos autores e editores
de livros didáticos considerando dois aspectos que distinguem essa produção
das demais obras. A primeira delas é o papel do autor de livro didático
e sua função como responsável pelo texto. As interferências
na produção da obra didática são variadas, iniciando
pela participação do Estado ao fixar currículos, estabelecer
critérios de avaliação ou autorizações para
sua circulação e uso nas escolas. As interferências dos
editores ultrapassam as questões técnicas de transposição
do texto para o livro, conferindo formas de confecção do livro
de acordo com os contratos uma vez que o livro didático, em geral, possui
uma tiragem muito maior e muitas vezes possui muitas edições que
precisam aparentar trazer novidades para seu público consumidor: professores
e alunos. As peculiaridades da produção didática e as relações
entre autores e editores são apresentadas de maneira a identificar as
tensões, os acordos em dois períodos da história dessa
produção. O primeiro momento corresponde ao nascimento da produção
nacional (1810-1930) e o segundo momento corresponde à consolidação
de uma produção nacional de livros escolares (1930-1950). Nesse
percurso é possível acompanhar as transformações
do livro didático brasileiro que inicialmente sofre interferências
estrangeiras até a constituição de uma produção
mais autônoma tanto quanto no seu conteúdo quanto em sua materialidade.
Palavras-chave: Livro didático; autores; editores; público escolar;
políticas educacionais.
Cláudia Andréa
Prata FerreiraProfessora do setor de Hebraico/Departamento de Letras
Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ; coordenadora e docente do
curso de especialização em Estudos Bíblicos (FL/UFRJ);
Doutora em Ciência da Literatura – Poética (FL/UFRJ); Mestre
em Ciência da Literatura – Teoria da Literatura (FL/UFRJ); Licenciada
e Bacharel em Letras (FL/UFRJ); Licenciada em História (UFF).
E-mail: claudia@letras.ufrj.br
O livro e a leitura como ritual religioso
Estudo da construção e formação da identidade e
memória no judaísmo tendo como base o texto bíblico. O
material bíblico é o referencial para refletirmos sobre a memória,
linguagem e discurso na narrativa. Essa memória, construída literariamente
a partir de uma tradição oral e escrita, evidencia uma relação
singular entre o humano e o divino e procura legitimar em seu discurso a idéia
de uma Religião e Tradição do Livro. Com um corpus textual
definido pela canonização, a leitura pública do material
bíblico e o seu trabalho de cópia e transmissão faz surgir
uma nova etapa do Pacto da Memória, entrando em cena os rabinos, sábios,
estudiosos da fonte bíblica que no intuito de continuar o dever da lembrança
e procurando o sentido desse texto, geram um novo tipo de material denominado
genericamente de fonte talmúdica, um vasto campo de literatura rabínica
que se dedica a interpretar, à luz de sua época, o texto bíblico.
Os tradutores e a difusão das religiões e transmissão dos
valores culturais: um papel determinante na evolução das sociedades
e na vida intelectual. O Livro/Bíblia e a leitura nas comunidades judaicas:
o espaço sagrado e o espaço urbano. O estudo e a leitura como
ritual religioso. Judaísmo: a palavra escrita e oral, da Antigüidade
aos tempos modernos.
Palavras-chave: Livro; leitura; memória; linguagem; tradição.
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