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Pré-seminário e II Lihed: Textos e resumos das exposições (conferências, palestras, comunicações) (Ordenados por prenome de autor)
Edna Lucia Cunha Lima (PUC-Rio - Fundação Biblioteca Nacional) 50 anos de fundição de tipos na Imprensa Nacional (1810-1860) Resumo: Este artigo trata dos cinqüenta anos iniciais da primeira fundidora de tipos brasileira, estabelecida na Imprensa Nacional dois anos após sua fundação em 1808. Procura relatar como se deu o desenvolvimento desta atividade no período com base principalmente nos Relatórios anuais dos Ministros da Fazenda à Assembléia e dos administradores da Imprensa Nacional a esses Ministros, eventualmente publicados como Anexos aos documentos ministeriais. Procura interpretar como os dados reunidos explicam a ausência de uma atividade de criação de tipos no Brasil no período. Palavras-chave: Tipografia ; fundição de tipos; design brasileiro; Imprensa Nacional Edna Lúcia Cunha Lima, ver também: Gisela Costa Pinheiro Monteiro Elaine Campos e Castro (UFMG/História. Graduação) Espaço Jovem Pesquisador O despotismo prussiano na perspectiva de Voltaire Resumo: No fascinante mosaico de idéias do período das Luzes, a natureza do poder tornou-se um instigante ponto de reflexão. Voltaire não escapa a essa preocupação: em seus diversos questionamentos, a política e, mais especificamente, a monarquia, ocupam uma posição central. Nessa perspectiva, podemos encontrar, dentre as publicações do francês, um número variado de obras destinadas às questões monárquicas. Por outro lado, Voltaire tornou-se amigo do rei prussiano, Frederico II, um déspota ilustrado. Apesar de sua grande proximidade com Frederico, Voltaire não dedicou nenhuma obra ao mesmo. Compreendendo as produções filosóficas das Luzes como idéias em circulação e com grande relação com a realidade da época, o objetivo do trabalho é analisar os escritos de Voltaire, principalmente “O século de Luís XIV”, em busca de elementos que permitam delinear a concepção do filósofo sobre a monarquia prussiana. Palavras-chave: Iluminismo; monarquia; Voltaire; Frederico II Eliana de Freitas Dutra (UFMG) Leitores de Além-Mar. A editora Garnier e sua aventura editorial no Brasil Resumo: Entre as muitas formas de contato cultural entre países e entre culturas, os livros, bem como os editores e livreiros, são vetores privilegiados da mediação de idéias, de técnicas, de pessoas. Analisar os percursos da edição e da difusão de livros é analisar os percursos da mediação cultural e intelectual e sua condição de discurso político. Este texto pretende explorar as relações entre a livraria e editora Garnier, no Brasil, e a Garnier Frères da França, analisando, sobretudo, o papel de Jean-Baptiste Louis na divulgação e distribuição, no Brasil, das obras européias editadas pala casa Garnier Frères em Paris, o que vai assegurar não apenas a expansão e consolidação dessa casa editora no Brasil mas, sobretudo, vai definir um repertório de leituras que vão traçar uma topografia de temas, de assuntos, de interesses e de práticas que vão perpassar, para além da vida intelectual e política, os hábitos citadinos e a vida cotidiana dos brasileiros da segunda metade do século XIX aos anos 1920 no Brasil. Palavras-chave: Garnier Frères; livraria; edição; indústria editorial: expansão francesa no Brasil; editora Garnier; história editorial Eliane Vasconcellos (Fundação Casa de Rui Barbosa) Manuscritos literários e pesquisa Palavras-chave: Arquivo-Museu de Literatura Brasileira; Fundação Casa de Rui Barbosa; arquivos literários; memória literária; Manuscrits littéraires et recherche Eliane Hatherly Paz (PUC-Rio/Cátedra UNESCO de Leitura. Doutoranda) Portinari entre livros Resumo: A história editorial brasileira vem aos poucos sendo (re)descoberta e (re)escrita, e os personagens que dela participaram emergem de suas páginas, deixando à vista sua grande contribuição à solidificação do mercado editorial nacional. Um desses personagens é Candido Portinari. Figura atuante no período áureo da ilustração de livros no Brasil, ao longo de 29 anos (1932-1961), ilustrou 42 títulos, trabalhando para as editoras mais expressivas, como a José Olympio e a Cem Bibliófilos do Brasil. Este artigo visa refletir, através da pesquisa nas fontes primárias do Projeto Portinari – os exemplares de Menino de engenho, de José Lins do Rego (30 ilustrações), Memórias póstumas de Brás Cubas e O alienista, de Machado de Assis (88 e 40 ilustrações), produzidos para os Cem Bibliófilos do Brasil, e sua correspondência relativa – sobre a prática da ilustração de livros “adultos”. À luz dos novos ‘estudos da visibilidade’ apresentados por Karl Erik Schøllhammer (2007), buscarei formular como se deu “a relação entre o que o texto ‘faz ver’ e o que a imagem ‘dá a entender’”, partindo do pressuposto de que essas ilustrações – que chamo de ‘pinturas literárias’ de Portinari – agregaram valor estético às narrativas. Palavras-chave: leitura; linguagem; texto; narrativa visual; representação; história editorial. Elissandra Silva Santos (UFS/História. Graduanda) Espaço Jovem Pesquisador Breves notas sobre a história do livro em Sergipe: tipografias, gráficas, livreiros, livrarias e editoras na Aracaju do século XX (1900-1970) Resumo: O presente trabalho tem como objetivo levantar a história sobre a produção e circulação dos livros em Aracaju durante o século XX, visando resgatar como se deu o estabelecimento das primeiras tipografias, editoras e livrarias bem como analisar de que forma o mercado do livro se desenvolveu ao longo do século até a década de 1970. Os livros vêm, ao longo dos últimos anos, tomando lugar de destaque como objetos de estudos da história cultural com a chamada história do livro. Foi compreendendo o livro como fonte que pudemos visualizar na história cultural de Aracaju a presença marcante, por exemplo, da Livraria Regina, fundada em 1918 e que a partir da década de 1940, sob a direção de José Apóstolo Neto, predominou durante quase quatro décadas no cenário editorial aracajuano, e também o Movimento Cultural de Sergipe, editora fundada em 1953 por José Augusto Garcez que tinha como objetivo publicar livros de autores que não tinham condições financeiras de pagar a edição, tendo esta editora alcançado visibilidade nacional por esse trabalho. Metodologicamente, o livro é analisado tecnicamente, investigando sua construção e comercialização. Para tanto, foram analisados os aspectos de sua produção (tipográficos) e difusão, através das opiniões dos leitores, publicadas nos próprios livros e em notícias de jornais. Como resultado este estudo vem contribuir para uma historiografia local do livro. Palavras-chave: História de livros, Aracaju-Sergipe, Livraria Regina, Movimento Cultural de Sergipe, Brasil: história editorial, Brasil: história das livrarias Elizabeth W. Rochadel Torresini Breve história dos livros, dos editores e das editoras no Rio Grande do Sul, do século XIX ao XX Resumo: O presente estudo trata dos modos de circulação dos livros, do aparecimento dos primeiros editores, das primeiras livrarias e casas editoras nas cidades sul-rio-grandenses, ainda no século XIX. Enfoca o crescimento do mercado editorial depois de 1930, no contexto da importante liderança da Livraria do Globo de Porto Alegre. Com o intuito de estudar as condições de desenvolvimento e do sucesso empresarial da Globo, será abordada a constituição do seu excepcional fundo editorial, resultado do arrojo empreendedor dos editores Henrique Bertaso e Erico Verissimo e das condições econômicas, culturais e técnicas favoráveis à produção industrial de livros e à ampliação do mercado editorial no Brasil. O movimento editorial da Livraria do Globo e da Editora Globo, depois de 1948, com centenas de edições, de traduções e concepção de coleções, criou um ambiente favorável ao desenvolvimento de outras importantes editoras no Rio Grande do Sul, bem como favoreceu à criação e à manutenção da Feira do Livro de Porto Alegre, nos últimos 51 anos, contribuindo para a difusão da leitura e o aperfeiçoamento das práticas editoriais e de comercialização de livros no Brasil. Palavras-chave: História de livros, Rio Grande do Sul, Editora Globo, indústria cultural, Brasil: história editorial, Brasil: história das livrarias. Elizabeth Torresini Patrimônio Erico Verissimo: livros, edições, memória e acervo Palavras-chave: Acervo Literário Erico Verissimo; vida literária; história editorial; Editora Globo (Porto Alegre-RS); Erico Verissimo. Patrimoine Erico Verissimo : livres, éditions, mémoire et fonds Emilly Oliveira Lopes Silva (UFMG/História. Graduanda. IC/CNPq) Espaço Jovem Pesquisador Bossuet: Um teórico do Absolutismo a serviço da Ilustração Portuguesa Resumo: Na segunda metade do século XVIII um livro recebeu a atenção do mercado editorial português: o Discours sur l'histoire universelle à Monsieur le Dauphin pour expliquer la suite de la religion et les changemens des empires de Jacques-Bénigne Bossuet. A partir dessa informação, este trabalho investiga os usos e apropriações políticas da obra de Bossuet no contexto das reformas pombalinas (1750-1777). Para tanto, são utilizados os estudos de Darnton e Chartier sobre a História da Leitura, além de bibliografia e fontes primárias concernentes ao recorte, na tentativa de compreender os pontos de contato entre o conteúdo do livro e o projeto político-administrativo vigente na Portugal de D. José I. Palavras-chave: Livros; Ilustração portuguesa; Absolutismo francês Tradução de autores brasileiros para o francês Resumo: Apresentação da obra Autores brasileiros traduzidos para o francês / Ouvrages brésiliens traduits en français, (6ª edição atual.– Rio de Janeiro: ABL, 2008. 216 p.), bilíngüe, com referências bibliográficas e dados de autores brasileiros publicados em francês, cujo objetivo imediato é assinalar aos editores franceses as lacunas referentes a importantes obras brasileiras ainda não traduzidas para o francês, além de estimular as relações culturais e sobretudo editoriais entre o Brasil e a França; foi elaborada a partir de pesquisa iniciada em 1986 e editada pela primeira vez em 1988, com sucessivas atualizações e coletas de dados nas Bibliotecas e sites das Bibliothèque Nationale de France, Bibliothèque Générale de La Sorbonne, Centre de Documentation du Syndicat national de l’édition, Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, da ABL, da Casa de Rui Barbosa, de Plinio Doyle e de José Mindlin, além de visitas a editoras francesas e entrevistas com autores e tradutores. Palavras-chave: Livro; autor; editor. Evelyn de Almeida Orlando (UERJ. Doutoranda. Capes) Os Catecismos de Álvaro Negromonte em seu suporte material e a estratégia da coleção como distinção Resumo: Este trabalho analisa a coleção de livros de catecismos do Monsenhor Álvaro Negromonte em seu suporte material, como estratégia de circulação na sociedade brasileira entre as décadas de 30 e 60 do século XX. Em uma perspectiva histórica, busquei investigar as continuidades e mudanças nos dispositivos editoriais que a coleção foi adotando ao longo desses anos em seu suporte, tentando compreender a constituição de uma fórmula editorial que aproximasse Igreja e escola em um momento em que aquela estava perdendo espaço no cenário educacional da nação. Um estudo sobre o livro, nesta perspectiva, requer uma atenção maior para a história específica que a prática editorial possui. Segundo Chartier, um dos principais aportes teóricos deste trabalho, a preocupação com as formas de um texto tem um sentido normativo que faz com que o autor, o livreiro-editor, o comentador, o censor, todos pensem em controlar mais de perto a produção de sentido, fazendo com que os textos sejam compreendidos à luz de sua vontade prescritiva. As coleções, como classe de impresso, põem em evidência uma estratégia de marketing para distinguir um produto que já está no mercado, o livro, e da qual a Igreja não se absteve em fazer uso na luta pelo campo educacional. Palavras-chave: coleções; estratégia; Igreja Católica e educação; manuais de catecismo. Fabiana da Costa Ferraz Patueli (UFF/Letras. Mestranda) “Verba Testamentária”: Desafios na realização da edição crítica no projeto Papéis avulsos Resumo: Pretendemos situar o conto “Verba testamentária” em Papéis avulsos (1882) de Machado de Assis, a fim de divulgarmos os percursos de pesquisa e da realização da edição crítica pela equipe do Laboratório de Ecdótica (LABEC) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O estudo do autor, Machado de Assis; das suas obras; e a relação de cada conto com o conjunto “Papéis avulsos”. Neste sentido, as biografias e as bibliografias também estreitam a relação com autor e as suas obras, constituindo o primeiro passo para a preparação do texto. A metodologia adotada pelo grupo é baseada em edições críticas feitas pela Comissão Machado de Assis, pela Equipa Pessoa e pela Equipa Eça de Queirós, exemplares que resgatam a fidedignidade dos textos em Língua Portuguesa. Com este intuito foram realizadas pesquisas nas seguintes instituições: Academia Brasileira de Letras – ABL; Casa de Rui Barbosa; Real Gabinete Português; Instituto Histórico Geográfico Brasileiro – IHGB; e Biblioteca Nacional. Palavras-chave: crítica textual, edição crítica, contos de Machado de Assis, Papéis avulsos, “Verba testamentária” Fábio César Montanheiro (UNESP/FCLAr) Práticas híbridas na Mise en Livre: o manuscrito-impresso Contribuição à História Natural e Geral de Pirassununga (1974-5) Resumo: Em seus estudos, Chartier (1999) deixa claro não ter havido ruptura imediata entre manuscrito e impresso e insiste na continuidade entre a cultura do manuscrito e a cultura do impresso, aquela tendo perdurado até o século XIX e mesmo XX. É do conhecimento de estudiosos sobre as práticas da escrita que a cultura do manuscrito se serviu da evolução das técnicas de impressão para a divulgação de obras didáticas, a exemplo de modelos caligráficos (Figueiredo, 1722) e de livros impressos destinados ao ensino da leitura de manuscritos – os paleógrafos –, publicados em português nos séculos XIX e XX (Batista, 2005). Nosso trabalho discorrerá a respeito de uma obra que, não tendo caráter didático, de ensino da letra escrita à mão, foi concebida para ser impressa sob a forma manuscrita, em off set. Trata-se da Contribuição à História Natural e Geral de Pirassununga, de Manuel Pereira de Godoy, publicada em dois volumes, na década de 1970. Nesse manuscrito-impresso, abundantemente ilustrado, verificam-se práticas híbridas em sua mise en livre que, ao mesmo tempo em que se apropriam da materialidade da letra manuscrita, dela se distinguem pela consonância com os procedimentos editoriais da época de sua publicação. Palavras-chave: Manuscrito-impresso; práticas de escrita; mise en livre Fabio Luiz Carneiro Mourilhe Silva (UFF-PPGCOM. Doutorando) Carla Neves (UFRJ-Psicologia. Doutoranda) Reflexos de Seduction of the Innocent nos quadrinhos Resumo: Neste trabalho, foi utilizado um método histórico para, a partir de uma pequena genealogia de práticas da psicologia em relação ao indivíduo, comparar e compreender o posicionamento do Doutor Frederic Wertham em relação às histórias em quadrinhos. Da área da psicologia, foram considerados o viés histórico apontado por Ferreira, as análises de Foucault, a filosofia de William James e o posicionamento de Frederic Wertham registrado em seu livro Seduction of the Innocent de 1954. Em termos de pensamento teórico quanto às histórias em quadrinhos foram considerados a perspectiva sócio-política de Bradford Wright, a densa pesquisa Gonçalo Júnior quanto à censura e a visão dos quadrinhos underground de Dez Skinn. A hipótese não repressiva de Foucault foi verificada sob um viés comparativo em uma área diferente daquela utilizada originalmente, a censura nas histórias em quadrinhos e a liberação da cultura jovem. Palavras-chave: Frederic Wertham; censura; histórias em quadrinhos; Psicologia; Marvel Comics; quadrinhos underground. George Kornis (UERJ) Em queda livre? Uma década do livro no Brasil Resumo: Em pouco mais de uma década o valor das vendas de livros no Brasil foi reduzido à metade, enquanto o PIB cresceu mais de 20%. Este artigo se propõe a explicar as razões para esta queda que não tem precedente em nenhum outro setor da economia, examinado o comportamento dos consumidores, das empresas e do governo. Ao final são apresentadas propostas de políticas públicas para enfrentar os problemas que deram origem a esta crise. Palavras-chave: Brasil, economia; economia do entretenimento; economia da cultura; economia do livro Felipe Matos Antigos tipos, novos leitores: circulação de cultura letrada e emergência da comunidade de leitores na ilha de Santa Catarina (Florianópolis, século XIX) Resumo: O texto percorre as ruas da antiga Florianópolis à procura de tipografias, publicações e, também, das eventuais leituras e leitores da cidade, em busca do momento em que os livros passam a fazer parte do cotidiano da ilha. Comenta o surgimento das primeiras livrarias, miscelâneas na verdade, que vendiam de tudo, inclusive alguns livros. Busca, ainda, tratar das novas sociabilidades que gradualmente surgem na cidade, esforçando-se para demonstrar a existência de “vida cultural” em um cenário habitualmente apresentado como atrasado, provinciano, isolado, a despeito da penetração da cultura impressa que lentamente revolucionou os hábitos da cidade; e dos livros que circulavam pela ilha, evidências da emergência de uma comunidade de leitores na antiga freguesia de Nossa Senhora do Desterro. Palavras-chave: Nossa Senhora do Desterro, redutos literários, comunidade de leitores, cultura letrada, gabinetes tipográficos, Brasil: história do livro Fernanda Souza e Silva (UFRJ/Letras) O livro francês publicado no Brasil de 1940 a 1945 Resumo: Estudo do contexto sociopolítico no Brasil e na França durante os chamados anos negros ("Les années noires"). Política cultural no regime Vargas: ambiguidade e conciliação. Edições francesas publicadas no Brasil: levantamento dos autores mais lidos e investigação sobre o funcionamento de algumas editoras francesas: Americ-Edit, Chantecler e Atlântica. Um exemplo a ser comentado: Charles Ofaire ( Karl Hofer), editor de Georges Bernanos, no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial. A pesquisa visa sobretudo suscitar novas contribuições sobre a memória de um passado recente e enfatizar as possíveis marcas deixadas no presente. Palavras chaves: Segunda Guerra Mundial, Resistência francesa, Regime Vargas, Política editorial brasileira Fernando Rodrigues de Oliveira (Unesp/campus de Marília/FFC. Mestrando) A produção e circulação de manuais de ensino de literatura infantil no Brasil (1923-1989) Resumo: Com o objetivo de contribuir para a compreensão de um importante momento da história do ensino de língua e literatura no Brasil, apresentam-se resultados de pesquisa de mestrado centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio da utilização de procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de referências bibliográficas de manuais de ensino de literatura infantil ou de manuais de ensino com capítulo sobre literatura infantil, destinados à utilização em cursos de formação de professores primários no Brasil e produzidos por brasileiros entre 1923 e 1989, respectivamente datas mais antiga e mais recente de publicação dos manuais localizados. A relação dessas referências constitui um instrumento de pesquisa, cuja análise propicia concluir, dentre outros aspectos: que o gradativo aumento da publicação e circulação de manuais de ensino de literatura infantil, ao longo do século XX, no Brasil, foi impulsionado pela importância que esses manuais passaram a ter na formação de professores primários; e que a publicação desses manuais de ensino concentrou-se em algumas editoras da região sudeste do Brasil, especialmente no estado de São Paulo, acompanhando a expansão e consolidação de mercado editorial de livros didáticos no Brasil. Palavras-chave: Leitura; literatura infantil; formação de professores; manuais de ensino; pesquisa histórica em educação. Fernando Rodrigues de Oliveira, ver também: Maria do Rosário Longo Mortatti et al. Flamarion Maués (USP/FFLCH. Doutorando) Os livros de denúncia da tortura após o golpe de 1964 Resumo: Alguns livros tiveram importante papel na denúncia da repressão política e das violações aos direitos humanos no Brasil após o golpe de 1964, desde o livro “Torturas e torturados” (1966), de Márcio Moreira Alves, até o “Brasil: Nunca mais” (1985), coordenado por D. Paulo Evaristo Arns. Alguns desses livros circularam apenas no exterior, outros tiveram circulação clandestina, distribuídos de mão em mão, e houve até os que se tornaram best-seller. Esta comunicação visa apresentar algumas dessas obras editadas no Brasil, destacando as mais importantes e de maior repercussão, com ênfase para os livros produzidos entre 1970 e 1980. O objetivo é mostrar como eles foram produzidos, quem os escreveu e editou, como circularam no Brasil e que repercussão tiveram. Desse modo acreditamos poder indicar que papel político estes livros cumpriram no país durante aquele período como instrumentos de denúncia da ditadura. Algumas idéias de Robert Darnton norteiam este trabalho, em particular aquelas que mostram que é preciso “compreender o livro como uma força da história” e, principalmente, a conclusão de que “os livros não se limitam a relatar a história: eles a fazem”. Palavras-chave: editor; livro; editoras de oposição; livros de oposição; ditadura civil-militar. Flávia Garcia Rosa (Ver: Luís Guilherme Ponte Tavares e Flávia Garcia Rosa) Francisca Izabel Pereira Maciel (Ceale-UFMG) As mais belas histórias de Lili em Minas Gerais Resumo: Este texto tem como objetivo apresentar uma análise dos livros destinados ao ensino inicial da leitura e da escrita em Minas Gerais nas primeiras décadas do século XX, época que pode ser vista como marco na história educacional brasileira, uma vez que foi pautada por profundas reformas na educação. (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Pernambuco, Bahia). A reforma de Minas, proposta por Francisco Campos em 1927-28, desencadeou um movimento metodológico com imediata repercussão no mercado editorial dos livros didáticos usados até o momento. Interessa-nos analisar a hegemonia pedagógica no campo editorial de circulação de determinados livros de leitura em MG. Nossa proposta é, pois, apresentar um novo contexto editorial, com a circulação de novas cartilhas e o predomínio de autoria de professoras mineiras, diferenciando-se das décadas anteriores em que os professores (homens), em geral, de outros estados, eram os autores dos manuais escolares. O título do capítulo já faz uma referência a dois pré-livros muito utilizados nas escolas mineiras, que são: As Mais Belas Histórias, de autoria da professora Lucia Monteiro Casasanta, e O Livro de Lili, da professora Anita Fonseca. Palavras-chave: Brasil: história da educação, história dos livros escolares. alfabetização, cartilhas escolares, Minas Gerais Francisca Izabel Pereira Maciel (UFMG-FE-CEALE) SEDOC/Ceale: preservação e memória de livros de leitura Palavras-chave: documentação, memória, alfabetização, livros didáticos, materiais escolares, Ceale SEDOC/Ceale : préservation et mémoire de livres de lecture Francisca Izabel Pereira Maciel, ver: Kátia Gardênia Henrique da Rocha Campelo Francisco Teixeira Portugal, ver: Carla Neves Frédéric Barbier (CNRS): L’Europe de Gutenberg : quelques conséquences de l’invention du livre imprimé/ A Europa de Gutenberg: algumas consequências da invenção do livro impresso Palavras-chave: história do livro, invenção do livro impresso, primeira revolução do livro, livro e novas mídias, inovação e mudanças culturais, campo literário Frédéric Barbier (CNRS): Intégration, mondialisation, globalisation : l’imprimé au XVIIIe siècle Integração, mundialização, globalização: o impresso no século XVIII. Palavras-chave: comércio livreiro: regulamentação e desregulamentação; contrafação e pirataria; mundialização e globalização, França: circulação dos impressos, França: século das Luzes Frédéric Barbier (CNRS): 1958-2008 : l’invention de la nouvelle histoire du livre 1958-2008 : a invenção da nova história do livro. Palavras-chave: História do livro, História da história do livro, terceira revolução do livro Gabriel Costa Labanca (UERJ. História. Mestrando) Publicações Pan-Americanas e Editora Gertum Carneiro: dos livros técnicos às edições de bolso Resumo: Em meio à expansão do mercado editorial brasileiro na década de 1930, os irmãos gaúchos Jorge e Antônio Gertum Carneiro fundam no Rio de Janeiro a empresa que se tornaria a mais duradoura e popular editora de livros de bolso do país com suas Edições de Ouro. No entanto, ainda sob o nome de Publicações Pan-Americanas, essa firma investiu na importação de livros técnicos universitários dos Estados Unidos em seu início e, posteriormente, já com a participação de Fritz Mannheimer em sua diretoria, na tradução de obras do mesmo gênero com a marca Editora Gertum Carneiro. Esse artigo visa explorar os primórdios desse empreendimento, buscando compreender as motivações de seus sócios na criação daquela editora e as razões de seu fracasso inicial que a levou de um mercado de elite para a edição de brochuras baratas. Palavras-chave: Publicações Pan-Americanas; Editora Gertum Carneiro; história editorial do Brasil contemporâneo; livros técnicos Gabriela Pellegrino Soares (USP) Os irmãos Weiszflog em busca dos mercados escolares: identidades das Edições Melhoramentos dos primórdios aos anos 1970 Resumo: A Weiszflog Irmãos Et Cia, futura Edições Melhoramento, foi fundada em 1890 em uma propriedade próxima à cidade de São Paulo. Destinada inicialmente à fabricação de papel, também passou a desenvolver atividades gráficas e editoriais, como, entre outros, a produção de mapas e de cadernos escolares. Em 1912, livros, em especial didáticos, editados por Francisco Alves foram impressos nos prelos dos irmãos Weiszflog. O negócio suscitou a aproximação dos editores com professores da Escola Normal Caetano de Campos, base do sistema educacional público que vinha sendo estabelecido no estado de São Paulo. Alguns deles, como Arnaldo de Oliveira Barreto e, pouco depois, Manoel Bergström Lourenço Filho, foram então convidados a imprimir sua orientação a diferentes coleções que a Melhoramentos viria a publicar ao longo das décadas seguintes, dedicadas à ficção para crianças, obras escolares e textos sobre educação. Este artigo buscará lançar luz sobre as identidades que a empresa construiu, no curso de boa parte do século XX, ao incorporar educadores aos bastidores da edição e voltar-se para os mercados escolares. Palavras-chave: Brasil: história editorial, Edições Melhoramentos, coleções editoriais, livros escolares, São Paulo, história do livro didático Gabriela Pellegrino Soares - USP Pareceres editoriais como fonte: minúcias das estratégias da Companhia Editora Melhoramentos de S. Paulo Palavras-chave: Melhoramentos, pareceres editoriais, mediação. Les avis du comité de lecture comme source : minuties des stratégies de la Companhia Editora Melhoramentos de São Paulo Galeno Amorim (Observatório do Livro e da Leitura) Retratos da Leitura no Brasil: Neoleitores e Práticas Sociais da Leitura Resumo: Estudos recentes sobre o comportamento leitor dos brasileiros mostram que a baixa leitura entre os neoleitores jovens e adultos em função da inexistência de políticas mais amplas e abrangentes para enfrentá-la tem duas conseqüências diretas. Em primeiro lugar, não permite um melhor um melhor aproveitamento dos esforços que vêm sendo feitos nos últimos anos para combater o analfabetismo absoluto no país, uma vez que parcela significativa de neoleitores em potencial rapidamente se distancia da prática social da leitura. E, com isso, faz empurrar para baixo os índices nacionais de leitura, cuja média em 2008 era de 4,7 livros por habitante/ano. Algumas ações que vêm sendo experimentadas em regiões do Brasil procuram gerar novas alternativas de políticas públicas para enfrentar a questão, como é o caso dos clubes de leitura. Palavras-chave: leitura, práticas sociais de leitura, clubes de leitura, neoleitores, analfabetismo, Brasil, índices de leitura George Kornis (Ver: Fabio Sá Earp e George Kornis) Germana Maria Araújo Sales (UFPA – Universidade Federal do Pará) Folhas periódicas: trajetórias e mercado de romances Resumo: Os romances fizeram parte do repertório de leituras no século XIX brasileiro. Todavia, essa prática ainda não pôde ser comprovada pela existência de leitores empíricos, mas é possível recuperar as linhas dessa história por meio dos registros de anúncios de livros disponíveis nos jornais da época, catálogos de livreiros, gabinetes e bibliotecas, além dos inventários, correspondências e todas as fontes possíveis de restituir a presença de uma cultura letrada, especialmente na província do Pará. Em razão disso, este trabalho pretende considerar a circulação de romances na Belém oitocentista, notadamente os de escritores como Alexandre Dumas e Eugenie Sue, mais recorrentes nos anúncios publicitários e catálogos de gabinetes e bibliotecas. Para a obtenção dos dados deste estudo, foi realizada uma pesquisa na seção de microfilmes na Biblioteca Arthur Vianna, em Belém, PA e seguiu-se o referencial teórico proposto por Roger Chartier, Robert Darnton e Márcia Abreu. Palavras-chave: Mundo do livro; romances; folhas periódicas; catálogos Edna Lúcia Cunha Lima (PUC-Rio) Uma coleção de livros diferentes, a Coleção dos Cem Bibliófilos do Brasil Resumo: Este trabalho versa sobre uma coleção de livros sem um projeto gráfico com padrão de repetição entre eles. A coleção em questão é a da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, editada por Raymundo Ottoni de Castro Maya, entre as décadas de 1940 e 1960. A contribuição do estudo desta Coleção ao campo do design é a reflexão sobre quais considerações acerca de identidade visual são necessárias para se projetar, no caso, uma coleção de livros, com o benefício de que a indagação pode ser aplicada de forma enriquecedora ao estudo de demais áreas do design gráfico. Palavras-chave: Coleção de livros, design editorial, design gráfico Giselle Baptista Teixeira (UERJ-Educação. Mestra) Estudos sobre os livros escolares no Brasil Resumo: No presente trabalho procurei fazer uma revisão dos estudos acerca dos livros escolares já realizados no Brasil, elegendo para um mapeamento prelimiar, artigos que foram publicados nos Anais dos Congressos de História da Educação Brasileira (CBHE), na Revista Brasileira de Educação (RBE), na Revista Brasileira de História da Educação (RBHE), e na Revista de História da Educação (RHE). O objetivo foi o de organizar uma amostra significativa da quantidade de autores que se interessam por este objeto, apresentando, mesmo que parcialmente, elementos que ajudem a pensar o atual estágio de pesquisas sobre os livros escolares no Brasil. Palavras-chave: Livros escolares; História da Educação Brasileira; balanço bibliográfico Objetos da arte da palavra: livros brasileiros na coleção Eurico Facó Resumo: O Instituto Histórico e Geográfico do Ceará guarda em seu acervo a preciosa coleção da biblioteca privada do poeta cearense Eurico Facó. Composta por 1277 livros, esta biblioteca tem como principal critério de distinção a qualidade de seus volumes. O essencial desta coleção é aquilo que a adjetiva: são livros raros. É uma coleção do livro objeto de arte. Não é exclusivamente para ser lida. É para ser apreciada, admirada, reservada ao encantamento de quem a vê. Embora a coleção seja formada essencialmente por livros publicados na Europa, há 159 livros editados e impressos no Brasil, entre 1815 e 1939 – o mais antigo, é o livro de Jose Eloi Otoni, Paráfrase dos provérbios de Salomão em Verso Portuguez, publicado na Bahia, na Typographia de Manoel Antonio da Silva Serva. Percorrendo a coleção é possível encontrar títulos como a Quinta parte do thesouro descoberto no rio Maximo Amazonas, editado pela Impressão Régia, no Rio de Janeiro, em 1820, e vários volumes impressos nos mais variados lugares do Brasil do século XIX e início do século XX, como Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas e Sergipe. Um olhar sobre esta coleção permite também identificar um leque de editores/impressores que atuavam nestas regiões. Assim, o texto pretende investigar os “200 anos de livros brasileiros” que esta coleção nos dá a ver, traçando uma cartografia da produção editorial brasileira, a partir da identificação dos editores/impressores que atuaram nas mais distintas regiões do país entre as primeiras décadas do século XIX e os anos 30 do século XX. Palavras-chave: Brasil: história do livro; formação de coleção, bibliofilia, Ceará, Eurico Facó, história editorial Gizelma Guimarães Pereira Sales, ver: Maria do Rosário Longo Mortatti et al. Gláucia Maria Costa Trinchão (UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana) Os livros didáticos de Desenho de Benjamin A. de Carvalho Resumo: Este artigo apresenta um breve recorte sobre a História da Manipulação dos Saberes: do científico ao escolar. Estabelece relações entre os saberes em Desenho, discutindo-os no campo da História da Didática do Desenho, a partir dos livros didáticos do professor e arquiteto Benjamin A. de Carvalho, produzidos a partir da década de 1950, Programa de Desenho para o Curso Ginasial e Colegial e a versão intitulada Desenho Geométrico de 1982. Retoma a concepção da disciplina escolar como uma forma de manipulação dos saberes de caráter transpositivo, sem a pretensão de defender ou comprovar a teoria de Yves Chevallard, sob três pressupostos: a inevitabilidade da necessidade de manipulação do saber a ser ensinado; o saber ensinado é de responsabilidade do professor e está materializado nos programas e nos materiais didáticos; a transposição suscita a recriação, insinua o trabalho com o novo ou a renovação e o novo recria e insere no novo contexto o conteúdo a ser ensinado. Palavras-chave: História das Disciplinas; Didática do Desenho; Livros Didáticos; Transposição Didática. Ana Sofia Mariz (Unicarioca) Editora Civilização Brasileira: novos parâmetros na produção editorial brasileira Resumo: Neste trabalho pretendemos apresentar o conjunto de fatores que fizeram da editora Civilização Brasileira uma referência singular na história do livro brasileiro. O momento áureo desta casa editorial ocorreu durante a segunda metade da década de 1950 e a década de 1960, quando o editor Ênio Silveira colocou-se como regente principal da CB. Plantado sobre sólidas bases financeiras Ênio pôs em marcha um projeto editorial próprio que visou bem mais que a manutenção da saúde financeira da empresa e os dividendos monetários para seus acionistas. Cercando-se dos melhores profissionais o editor apostou em autores brasileiros e estrangeiros menos conhecidos no país. Publicou livros e periódicos, como a reconhecida Revista Civilização Brasileira, e promoveu diversas campanhas de leitura. Usando métodos não convencionais de divulgação trouxe ao leitor um excelente catálogo de literatura brasileira e estrangeira, com traduções de alta qualidade, livros bem cuidados de expressivo design gráfico. Desta maneira, Ênio constrói uma editora que ficou conhecida pelo seu discurso ousado que promovia a pluralidade, inovação, disseminação cultural, liberdade intelectual e a quebra de cânones tradicionais. Infelizmente após anos de diversos tipos de sanções operacionais durante o Regime Militar e uma série de prisões sofridas pelo seu dirigente a Civilização Brasileira não conseguiu manter o mesmo vigor financeiro no período posterior. Em 1982, 90% das ações da empresa foram vendidas para o banco Pinto de Magalhães de capital português. Nos anos 1990 o grupo ao qual pertencia a Civilização Brasileira foi comprado pela editora Record. Ênio Silveira, entretanto, continuou a trabalhar como editor da CB até o fim de sua vida. Palavras-chave: Design; Editoração; Livro brasileiro; História editorial; Ênio Silveira. Guilherme Simões Gomes Júnior (PUC-SP) Circulação internacional de livros de arte: modelos de formação e operações do gosto Resumo: Trata-se de estudo sobre a biblioteca da Academia Imperial das Belas Artes em meados do século XIX. A coleção e o recinto são examinados e tomados como indícios da inteligência e das aspirações da instituição. Além disso, seu acervo revela a rede internacional em que a academia estava articulada, com seus padrões de formação e suas operações de gosto. Palavras-chave: Biblioteca de arte, AIBA, formação artística, Academias Gustavo Sorá (CONICET – Universidad Nacional de Córdoba – Argentina) Histórias da edição na América Latina em perspectiva comparativa Resumo: Embora a história da edição avance a ritmos muito desiguais nos distintos países da América Latina, começa a surgir a necessidade heurística de contrastar as diversas experiências nacionais e lingüísticas, com a finalidade de gerar novos insumos críticos para relativizar e avaliar os avanços e limitações deste domínio do saber no subcontinente latino-americano. Com esta finalidade, a minha exposição vai propor algumas perspectivas gerais a partir de pesquisas efetuadas no Brasil, México e Argentina. Isto implica, ao mesmo tempo, certa postura frente ao que é tradicionalmente considerado o comparatismo. A exposição não só vai considerar os contrastes entre casos nacionais, mas também as dimensões transnacionais que obrigam a pensar articuladamente a evolução dos diversos campos editoriais na América Latina em particular e Ibero-América em geral: mesmo nos casos mais aparentemente autônomos como o brasileiro, impõe-se conhecer a significação da gênese internacional do desenvolvimento dos espaços editoriais nacionais, não apenas nos tempos fundacionais. A evolução da própria categoria América Latina foi responsável pela presença de agentes culturais argentinos e mexicanos no Brasil, espanhóis em todos os países, gerando, em algumas fases, projetos supranacionais como a editora Fondo de Cultura Econômica, a Biblioteca Ayacucho, as bibliotecas de autores brasileiros e argentinos traduzidos no país vizinho. Palavras-chave: História da edição, comparatismo, Ibero-América, circulação internacional de idéias, redes e processos transnacionais Gustavo Sorá (CONICET ; Universidad Nacional de Cördoba/Argentina) Etnografía de archivos para una historia de la edición en América Latina Etnografia de arquivos para uma história editorial na América Latina Palavras-chave: arquivos editoriais; história editorial, Editora José Olympio; História editorial latino-americana; Ethnographie d’archives pour une histoire éditoriale en Amérique latine Heloisa de O. S. Villela (FE-UFF. Docente) Renata Rodrigues Chagas (FE-UFF. Graduanda. IC/Faperj) Mônica Oliveira Dias (FE-UFF. Graduanda. IC/UFF) Rotas Atlânticas: um poeta português, um professor baiano, destinos cruzados no Rio de Janeiro do século XIX Resumo: O trabalho pretende resgatar a experiência do Método de leitura repentina de António Feliciano de Castilho com a preocupação de evidenciar a recepção que teve no Brasil do século XIX através do resgate de algumas práticas. Foram utilizadas como fontes as obras pedagógicas de Castilho, relatórios de presidentes de província da Bahia, jornais “A Instrucção Publica”, “A Verdadeira Instrucção Publica” e “Diário Oficial” .O conhecimento sobre as trocas culturais entre Brasil e Portugal é ainda insuficiente. Acompanhar as discussões sobre a recepção do método pode representar uma contribuição ao debate no campo da história cultural. Afastamo-nos de uma perspectiva ultrapassada que evidenciava as “influências” dos modelos estrangeiros “transplantados” sem critica e assumimos como referencial recentes teorizações que consideram a circularidade dos modelos pedagógicos e sua vitalidade na cultura dos países envolvidos (Nóvoa, Catani, Carvalho, Fernandes). Finalmente, buscamos tecer considerações sobre o desaparecimento do método, a importância de rediscuti-lo face à atualidade da reforma ortográfica firmada entre Portugal e Brasil. Palavras-chave: Livros; história do livro didático; métodos pedagógicos; leitura. Heloísa Helena Pimenta Rocha, ver: Maria das Graças Sandi Magalhães Henrique Silvestre Soares (UFAC - Universidade Federal do Acre) Felisberto de Carvalho navega pelos rios amazônicos: o livro didático nos seringais acreanos Resumo: Uma longa e sacrificante viagem empreenderam cearenses, principalmente, e cidadãos de outras partes do nordeste brasileiro, nas mais adversas condições, até as longínquas terras acreanas, para integrar aquela região ao território brasileiro. Na bagagem, além do sonho de enriquecimento fácil, levavam a ilusão de um breve retorno e a saudade da terra amada. E em meio a tudo isso, esses homens levaram também costumes e práticas, logo implantadas na nova terra. Dentre as práticas, um elemento logo foi introduzido no novo meio; a leitura de determinados livros. Esta comunicação pretende, pois, descrever e analisar alguns suportes de textos, em especial os livros de leitura de Felisberto de Carvalho, buscando evidenciar, através de relatos de seringueiros e ex-seringueiros, além da trajetória dos livros até os seringais, as práticas de leitura instauradas, articulando-as à História do Acre e à constituição de sujeitos leitores. Essa vinculação entre o homem nordestino e o início dos processos de formação leitora, no interior dos seringais, vai instaurar novas práticas culturais, a partir do contato com o novo espaço geográfico e sociocultural. Palavras-chave: Felisberto de Carvalho; livro didático; práticas de leitura; História do Livro; Amazônia; Acre. Isabel Cristina Alves da Silva Frade (Ceale-UFMG) Livros brasileiros de alfabetização: entre ordenamentos gráficos e a escolarização da escrita. Final do século XIX e início do século XX Resumo: O texto pretende explorar alguns ordenamentos envolvidos na escolarização, em geral, e principalmente na escolarização da leitura e da escrita, que podem ser vislumbrados nas páginas de livros de alfabetização. Como foco principal pretende-se pesquisar, nas páginas dos livros, alguns dispositivos gráficos utilizados pelos autores e editores que podem indiciar para os dispositivos pedagógicos e cognitivos envolvidos na transmissão escolar da cultura escrita. Serão abordados alguns livros brasileiros representativos dos métodos sintéticos e analíticos de ensino elementar da leitura e da escrita produzidos no final do século XIX e no início do século XX. Para verificar a especificidades de alguns modelos, as tomadas de empréstimo de alguns recursos e as questões envolvidas no objeto que se ensina, os livros brasileiros serão comparados com alguns livros franceses e com um livro português que circulou no Brasil no final do século XIX. A análise se organiza em torno da autoria pedagógica dos recursos gráficos, das relações entre estes recursos e os problemas que os métodos de leitura e de ensino tentam resolver e de alguns protocolos visuais que sugerem determinadas maneiras de pensar e de utilizar as páginas. Palavras-chave: cultura escrita, alfabetização, livros escolares, dispositivos gráficos. Israel Pedrosa (Artista plástico. UFF) Editorial Vitória, relato de uma experiência vivida Resumo: Em 1951, com a vitória das forças progressistas sobre o nazi-fascismo, na Segunda Guerra Mundial, a Editorial Vitória procurava consolidar e ampliar sua influência em nosso meio social e cultural. O objetivo principal da editora era o de participar de forma efetiva na ampliação do nível cultural do país, com a produção e distribuição de livros teóricos e políticos sobre o materialismo histórico e o socialismo científico. Sua ação montava-se sobre duas vertentes: um mecanismo clandestino de produção e a permanente busca sobre possíveis formas legais de distribuição de seus livros. Com fortes vínculos partidários, ligando-se aos pequenos e médios livreiros e ao Sindicato de Editores e Livreiros, montou eficaz rede de distribuição de Norte a Sul do país, inovando o mercado de livros com experiências inéditas, como a criação de noites de autógrafos para lançamentos de livros e a contribuição para se criar a grande Feira de Livros da Cinelândia, no Rio de Janeiro. Palavras-chave: Editorial Vitória, livros e circulação de ideias, política editorial, história editorial, editoras de livros e política no Brasil Ivana Mendes Cardoso Barreto (PUC-Rio) Perspectivas para a recuperação, o crescimento e a manutenção do mercado editorial no Brasil a partir do investimento no processo de formação do leitor Resumo: No momento em que as discussões estão voltadas para a crise e as perspectivas da cultura do impresso, considerando-se as novas tecnologias da informação e o crescimento expressivo do número de publicações na Web, o presente texto relata experiência singular desenvolvida no interior da Bahia, que reforça as opiniões de pesquisadores e críticos que acreditam no crescimento do mercado editorial, a partir da consideração do vínculo afetivo inconteste entre leitor e livro e do investimento no processo de formação do leitor. Este trabalho tomou por empréstimo contribuições de autores que voltam suas análises para estas questões, como Roland Barthes, Paulo Freire, Marisa Lajolo, Alberto Mangel, Sylvia Moretzsohn. Metodologicamente, além da análise do projeto realizado no interior baiano, foi desenvolvida pesquisa com alunos do curso de Jornalismo de duas universidades particulares do Rio de Janeiro no sentido de verificar o hábito de leitura dos mesmos. Com os resultados da mesma, constatou-se que a recuperação, o crescimento e a consolidação do mercado editorial dependem não apenas de investimentos na cadeia de comercialização, mas de incentivos à prática da leitura. Palavras-chave: Perspectivas; mercado; impresso; leitor. Iza Quelhas (UERJ - Faculdade de Formação de Professores) Leituras e leitoras: títulos, gêneros e práticas Resumo: Neste trabalho focalizaremos questões relacionadas à leitura e às práticas de leitura realizadas por leitoras, mulheres trabalhadoras residentes em um município do Rio de Janeiro. A fundamentação teórica constituiu-se de questões aprimoradas pela História Cultural (Chartier), metodologia (entrevistas com roteiro semiestruturado) e procedimentos de pesquisa na área de Letras, com ênfase nos estudos de Teoria Literária (Iser), numa orientação aplicada. Um de nossos principais objetivos é o de construir uma descrição compreensiva de uma parte significativa de leitoras e a sua inclusão na cultura letrada, investigando o modo como a leitura afeta e é afetada pelas escolhas de mulheres inseridas no mercado de trabalho, com escolaridade formal concluída ou não. As experiências pessoais, as histórias de vida do indivíduo, assim como suas crenças, entre estas a religião é a mais forte, afetando decisivamente as práticas de leitura, como concluímos em nossos estudos. Apesar da variedade de títulos, formatos, acesso aos gêneros disponíveis, assim como algumas melhorias no acesso ao livro e ao material escrito, principalmente o literário, não contribuem efetivamente para a inserção cultural e a conquista da cidadania. Palavras-chave: Práticas de leitura; cultura letrada; oralidade. Izenete Garcia Nobre (UFPA/Fundação de Amparo à Pesquisa do Pará) Frederico Carlos Rhossard: História de um Tipógrafo Resumo: No Pará, na segunda metade do século XIX, entre a fixação da imprensa diária, os livros que chegavam a vapor e a constituição dos Gabinetes de Leitura e das Bibliotecas Públicas, assomam nomes como o do Sr. Frederico Carlos Rhossard – tipógrafo e, posteriormente, redator de um dos mais importantes jornais. Assim, Rhossard ilustra um dos panoramas mais importantes no quadro do mercado de impressos na cidade, que se modificava com a fixação de um maior número de livreiros e a conseqüente elevação na circulação de obras. Esse movimento se iniciou com o surgimento da imprensa diária e a disputa pela notícia, pressupondo, sobremodo, o suposto desenvolvimento cultural da cidade. Mas como reconhecer o registro dessas ocorrências e, principalmente, os fatos que remetam à existência de livros naquela época? Perscrutando a História da tipografia na Província, deparamo-nos com descrição detalhada dos bens que constituíram o patrimônio de Frederico Carlos Rhossard e é sobre esse documento e as informações ali arroladas que apresentamos este trabalho, cujo objetivo é reconhecer um pouco da História da Leitura do Pará. As referências que embasam essa proposta estão nos estudos de Roger Chartier, Robert Darnton e Michel de Certeau. Palavras-chave: Memórias do livro; tipógrafo; imprensa diária; século XIX. |