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Pré-seminário e II Lihed: Textos e resumos das exposições (conferências, palestras, comunicações) (Ordenados por prenome de autor)
Adrianna Cristina Lopes Setemy (UFRJ. História. Doutoranda) Alessandra El Far (Unifesp) Ao gosto do povo: as edições baratíssimas de finais do século XIX Resumo: A produção do livro popular no Brasil esteve, desde o início, ligada aos estreitos laços culturais e comerciais com Portugal. A inauguração da Impressão Régia, em 1808, atraiu a chegada de livreiros estrangeiros e, com eles, estabeleceu-se em nosso país uma bem-vinda tecnologia de publicação do objeto impresso. Além disso, ao longo de todo o século XIX, o diálogo permanente com os livreiros de Lisboa e da cidade do Porto, especializados em edições “para o povo”, tornou-se um dos grandes responsáveis pela formação, em especial no Rio de Janeiro, de um mercado de livros amplo e heterogêneo. Palavras-chave: Literatura popular, história do livro e da leitura, história do Brasil, história de Portugal Alessandra Greyce Gaia Pamplona (UFPA - Universidade Federal do Pará. Mestranda) Amazônia: Circulação e concretização das idéias de José Veríssimo Resumo: Enraizados estão os louros da história crítico-literária do escritor José Veríssimo no Rio de Janeiro, sobretudo como mentor da Academia Brasileira de Letras (1897) e como diretor da 3ª fase da “Revista Brasileira” (1895). Em contraposição a essa história de consagração crítica, pouco ainda se trata de sua formação na Província do Pará como cronista e ensaísta de questões amazônicas e fundador de instituições de divulgação cultural, cuja “Revista Amazônica” é um símbolo. Esse periódico publicado entre os anos de 1883 e 1884 é o marco de um projeto para a Amazônia que Veríssimo vem construindo desde 1877 quando inicia na imprensa paraense colaborando para o jornal “O Liberal do Pará”. Todavia, como reconhecer que Veríssimo foi modificando sua maneira de encarar essa Região? Perscrutando a história do texto “As Raças Cruzadas do Pará”, constata-se a sua reedição em vários outros periódicos, o que demarca a evolução da linguagem do escritor frente às questões amazônicas. Para tais conclusões utilizou-se, notadamente, dos estudos de Michel de Certeau, João Alexandre Barbosa e Lilia Moritz Schwarcz. Palavras-chave: espaços de sociabilidades; história editorial; “As Raças Cruzadas do Pará”; José Veríssimo. Alexandra Lima da Silva (UFF. Mestre em História Social) Mercado editorial de livros didáticos de História do Brasil na cidade do Rio de Janeiro (1870-1920) Resumo: Este trabalho objetiva apreender a relação entre o florescimento do mercado editorial na cidade do Rio de Janeiro e o significativo investimento na publicação de livros didáticos, particularmente dos manuais didáticos de História do Brasil. Busca pensar de que maneira o aumento na oferta de instrução formal representou uma ampliação dos públicos leitores na cidade do Rio de Janeiro, pensando as distintas experiências em torno da educação, edição e difusão dos livros didáticos no Rio de Janeiro entre 1870-1920. Palavras-chave: mercado editorial; livreiros; livros didáticos; História do Brasil Alexandra Santos Pinheiro (UFGD-MS - Universidade Federal da Grande Dourados) Práticas de leitura no interior Brasileiro: a questão dos livros de leitura Resumo: Este trabalho é resultado parcial da pesquisa em torno da História da Leitura do Município de Dourados-MS, protocolada junto à Universidade Federal da Grande Dourados. Como a cidade é relativamente nova, sua emancipação aconteceu em 1935, foi possível inserir na metodologia entrevistas com moradores mais antigos. Dentre os objetivos gerais dessas entrevistas, estava a tentativa de identificar, a partir das lembranças dos entrevistados, as práticas de leitura individuais (o que liam, como liam e como adquiriam as obras) e coletivas (primeiras escolas, Bibliotecas, Academias de Letras e igrejas). No decorrer do trabalho, foi possível perceber o entusiasmo dos senhores e das senhoras pela oportunidade de rememorar um aspecto tão pouco explorado de suas vidas. Os entrevistados mostraram-nos os livros guardados desde a infância. São obras em alemão, japonês, textos religiosos, romances e livros escolares. Dentre a amostragem, destaca-se o número de livros de leitura e o afeto que se dedica a eles. O presente artigo, portanto, analisa dois dos livros de leituras encontrados entre os entrevistados: Corações de Crianças, de Rita de Macedo, e os dois últimos números da Série Braga. Interessa-nos observar não só o conteúdo dessas obras, mas também discutir o papel desempenhado por esse tipo de leitura em regiões afastadas dos grandes centros, como a de Dourados. Palavras-chave: Livro de leitura, literatura, leitores, educação Aline Frederico (Centro Universitário Senac) Parâmetros para o projeto gráfico de dicionários infantis ilustrados Resumo: A partir de conceitos apresentados por diversos autores foram analisados os aspectos gráficos de seis dicionários infantis ilustrados selecionados pelo Ministério da Educação para serem distribuídos às escolas públicas brasileiras. Para a leitura de imagens foram utilizados conceitos propostos por Lúcia Santaella (2001) e Donis A. Dondis (1997), entre outros. Já para a análise tipográfica, a fundamentação teórica baseou-se nos estudos de Sue Walker (2005) e Willberg & Forssman (2007). Para a elaboração do roteiro de análise, utilizamos como base a metodologia proposta por Sue Walker em Towards a method for describing the visual characteristics of children’s readers and information books (2003), complementando-a com os conceitos propostos pelos demais autores. A partir da análise individual de cada obra foi elaborada uma síntese comparativa, que procura trazer parâmetros para o projeto gráfico deste tipo de publicação. Palavras-chave: design editorial, livros infantis, dicionários, alfabetização, tipografia Ana Carolina Galante Delmas (UERJ) Dedicatórias impressas: páginas em homenagens no Brasil de D. João VI Resumo: Partindo dos estudos de Roger Chartier acerca do oferecimento das dedicatórias impressas na Europa do Antigo Regime, o presente trabalho busca analisar tal prática no Brasil joanino. Representativas das práticas de homenagem e mecenato, as dedicatórias eram símbolos das relações políticas apoiadas na hierarquia vigente, e das trocas por poder e benesses. Em uma época onde viver da própria pena constituía um desafio, foram utilizadas como oferecimento público de lealdade e submissão, na busca por patrocínio e proteção. Os livros e impressos que circularam na nova corte foram meio para conquistar as boas graças do soberano: as primeiras publicações da Impressão Régia já contavam com dedicatórias. Muitas das obras publicadas no governo joanino foram dedicadas a figuras importantes, sendo um número expressivo ao soberano D. João. Diversos letrados utilizaram-se desses elogios, como se observa pela correlação das obras com suas trajetórias públicas. O trabalho de levantamento, recuperação e análise das dedicatórias permite constatar que no Brasil do início do oitocentos estavam presentes Luzes, impressos, idéias e noções de sociabilidades que não puderam ser contidas. Práticas e relações que atravessaram o oceano com a Família Real, e que encontraram um caminho próprio em sua manifestação tropical. Palavras-chave: Dedicatórias; sociabilidades; 1808; mecenato; Família Real; história do livro Ana Carolina Siqueira Veloso (UERJ/Faculdade de Educação/Graduanda/IC.CNPq) Orientadora: Profa. Dra. Márcia Cabral Espaço Jovem Pesquisador Jovens Leitores: Personagens históricos de uma pesquisa Resumo: O presente trabalho visa divulgar a pesquisa A Leitura dos Jovens: Concepções e Práticas. Trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza etnográfica. Com o intuito de conhecer a leitura realizada pelos jovens na escola e no convívio social, os pesquisadores estabeleceram diálogo com estudiosos da história da leitura, como Chartier (1996, 2003, 2004) e Darnton (1986, 1992, 1995), valendo-se da abordagem teórica que concebe a leitura como prática histórica, cultural e social. Após o exame de representações sobre leitura em fontes documentais, programas de leitura incentivados pelo governo, a par de imagens que focalizam os jovens e as formas de apropriação da leitura, os jovens foram observados no contexto da escola. Constataram-se, em particular, os modos de apropriação da leitura por eles inventados. Chamou a atenção o fato de que os jovens participantes que não se consideram leitores, em sua maioria (76%), leiam nas horas de lazer e exerçam a leitura baseados nos mesmos suportes utilizados pelos jovens que se consideram leitores. É possível levantar a hipótese de que esses jovens não se afirmem como leitores por conta de concepções de leitura disseminadas nas instituições escolares. Palavras-chave: Práticas de leitura, juventude, pesquisa Ana Clara Bortoleto Nery (Unesp/Marília) Livros da Escola Normal Primária de Piracicaba: constituição do saber pedagógico Resumo: Analisar os livros que fizeram parte do acervo da biblioteca da Escola Normal Primária de Piracicaba, interior de São Paulo, entre 1911 e 1920, é a preocupação central deste texto. Organizada a partir do fundo da biblioteca da antiga Escola Complementar de Piracicaba e da política de criação de bibliotecas escolares nas escolas normais do Estado, ela concorre para a constituição de um saber especializado na área de formação de professores. A análise material dos livros foi feita com base em Chartier – representação -, aportada por Carvalho – história cultural dos saberes pedagógicos e o estudo da biblioteca tem por ponto de partida Jacob. Os livros foram selecionados pelo carimbo da escola que demonstra o período a que se refere. Os dados foram organizados em fichas individuais que compõem um banco de dados da pesquisa. Do conjunto de livros analisados depreende-se que a maioria é de títulos estrangeiros; há predominância de temas genéricos em ensino e educação, com forte predomínio da Pedagogia Moderna, com ênfase no ensino intuitivo. Palavras-chave: Biblioteca escolar, livros de educação, representação Ana Cláudia Munari Domingos Pelisoli (PUCRS - UFMG. Doutoranda) O leitor multimídia de Harry Potter: do livro ao ciberespaço Resumo: Acompanhando o desenvolvimento de seu suporte, a leitura tem suas feições modificadas desde que deixou de ser preciso desenrolar o volumen até o rolamento das páginas virtuais na tela do computador. No ambiente do ciberespaço, o leitor não apenas toma contato com várias mídias, como tem a possibilidade de responder a elas – de criar textos. A série Harry Potter trouxe à baila um leitor ávido pela velha forma de ler – a leitura do livro: objeto desconectado e sem fios – mas também fez surgir um leitor inquieto, que não se contenta em guardar o livro na estante e na memória. O leitor multimídia de Harry Potter, conectado, extrapola as margens do livro e tecla sua história, preenchendo os vazios do texto. Sua resposta, misto de criação e voz crítica, pode ser o que faltava à Literatura Infantil e Juvenil para configurar-se como um sistema literário completo: a crítica de seu leitor. Este trabalho insere tal idéia baseando-se nos estudos da Estética da Recepção, da Teoria da Crítica e da Intermidialidade. Palavras-chave: Harry Potter, literatura infantil e juvenil, leitor, crítica, multimídia. Estética da Recepção. Ana Elisa Ribeiro (CEFET-MG) Relações virtuais, edições de papel e a renovação da literatura brasileira Resumo: A popularização dos computadores no final da década de 1990, teve efeitos notáveis sobre a edição de obras independentes, especialmente com relação a autores que surgiram no cenário brasileiro no início do século XXI. Essa geração, conhecida então como ’00, antecedida pela Geração ’90, apropriou-se do personal computer e de aplicativos que possibilitavam a auto-edição em moldes bastante próximos da edição profissional por grandes editoras. Autores que lançavam seus primeiros livros, de forma colaborativa, produziram livros em processos editoriais complementados, em suas fases finais, pelas redes sociais construídas na world wide web. Um dos casos relatados diz respeito à troca de correspondências entre um autor e seu editor, em estados diferentes do Brasil, com a finalidade de produzir um livro de papel. Embora o cenário seja digital, as práticas editoriais lembram, de alguma forma, a produção literária marginal dos anos 1970. A apropriação, pelos autores, de formas de edição tradicionais e digitais ajudou a movimentar a literatura nascente em diversas partes do país. Palavras-chave: auto-edição; tecnologias da edição; literatura contemporânea; geração '00. Ana Elisa Ribeiro (CEFET-MG/Centro Universitário UMA) Cristiane Linhares de Souza (Centro Universitário UNA) Yóris Linhares de Souza (Centro Universitário UNA) Concepção e desenvolvimento de livros impressos à luz da gestão de projetos: relato de experiência de ensino/aprendizagem em curso de especialização Resumo: Este artigo relata a experiência do trabalho com projetos nas disciplinas Gestão de Projetos Editoriais e Projetos Aplicados ao Livro em centro universitário mineiro. Os resultados do processo de aprendizagem da produção de livros impressos são apresentados, assim como a forma como a produção de livros foi abordada à luz da gestão de projetos. Uma turma de alunos de curso de especialização em Projetos Editoriais Impressos e Multimídia foi dividida em seis grupos de trabalho multidisciplinares. Um briefing que descrevia um produto editorial (livro paradidático com base na Carta de Caminha) foi oferecido a todos os alunos e cada equipe, em sigilo, desenvolveu seu material, com base em técnicas de gestão de projetos. Avalia-se que a forma como os trabalhos foram conduzidos foi proveitosa para alunos e professores. Palavras-chave: Livro; projeto editorial; gestão de projetos; Briefing. Ana Gruszynski (UFRGS) O design de uma morte anunciada: o livro entre papel e pixel Resumo: Se o futuro do livro será o fim do livro, o fim do livro talvez o fim dos leitores, o que restará ao designer de livros? A partir de diferentes textos que abordam o estatuto do livro na contemporaneidade, buscamos verificar como diferentes iniciativas relacionadas ao design se articulam com o debate estabelecido por pesquisadores do livro e da leitura como Chartier, Furtado e Nunberg, entre outros. A interlocução com o campo do design é conduzida por autores como Haslam, Lupton, Santaella e Hendel. A partir das questões sistematizadas e discutidas no referencial teórico, mapeiam-se diferentes iniciativas no âmbito do design no Brasil que caracterizam experiências exemplares estabelecidas nos últimos anos. Chega-se, a partir do design, a elementos significativos da transformação do livro desencadeada pela complexa rede de fatores tecnológicos, sociais, econômicos e culturais. Palavras-chave: Design; livro; leitura, Brasil. Ana Lucia Silva Enne (UFF. Docente) Bruno Thebaldi de Souza (UFF/Graduação. IC) O “Caso Capistrano” e o romance Casa de Pensão, de Aluísio Azevedo: algumas reflexões sobre ficção literária e ficção jornalística Resumo: Neste artigo, apresentamos algumas reflexões sobre a relação entre a ficção literária e a ficção jornalística, a partir de uma matriz comum: um acontecimento “real”. Para tal, utilizamos, com base em levantamento de material empírico na Biblioteca Nacional, uma comparação entre as descrições jornalísticas acerca do chamado “Caso Capistrano”, rumoroso crime que aconteceu em 1876 no Rio de Janeiro, e o romance Casa de Pensão (1884), de Aluísio Azevedo, assumidamente inspirado no mesmo acontecimento. A partir da comparação das duas fontes, pretendemos perceber os recursos narrativos utilizados pelos dois campos ficcionais, buscando aproximar dois fazeres discursivos que, conforme o senso comum cristalizado no decorrer do século XX, tenderiam a se distanciar por suas naturezas e propostas diferenciadas. Para complementar nossas reflexões indicamos alguns cruzamentos possíveis com outras interseções entre literatura e jornalismo. Palavras-chave: Ficção literária, ficção jornalística, Aluísio Azevedo, Caso Capistrano. Ana Maria Bernardes de Andrade (UFRJ. Doutoranda) Leitura poética de paratextos rosianos Resumo: O presente trabalho propõe a análise dos paratextos (capa, ilustrações, prefácios, índices etc.) dos livros de João Guimarães Rosa, publicados pela editora José Olympio, com ênfase em Tutaméia – Terceiras Estórias, onde a profusão de elementos paratextuais aponta para a preocupação do autor com o aspecto editorial de sua obra. Acreditamos que nos paratextos de Tutaméia o autor teria obliquamente delineado sua poética, que se caracteriza, dentre outros aspectos, pela superação de dualidades antagônicas, como vida e morte, erudito e popular etc. Nesse sentido, pretendemos abordar os paratextos rosianos como elementos literários, para além de suas funções explicativas ou publicitárias, relacionando-os ao conjunto da obra rosiana. Como referencial teórico, pautamo-nos nos estudos sobre paratextos de Genette, Compagnon, Chartier, dentre outros, relacionando-os aos estudos sobre leitura de autores como Manuel Antônio de Castro e Eduardo Portella, e à crítica rosiana, com ênfase nos estudos sobre Tutaméia, como os de Assis Brasil, Vera Novis e Irene Gilberto Simões, os quais ressaltam a importância dos paratextos deste livro, como um espaço onde o autor reflete sobre seu fazer poético. Palavras-chave: Paratextos; Guimarães Rosa; Tutaméia; leitura; Literatura Brasileira séc. XX. Ana Maria de Oliveira Galvão (UFMG) Ana Maria de Oliveira Galvão, ver também: Sandra Batista de Araujo Silva Ana Maria Ribas Cardoso (Colégio Pedro II. UERJ. Doutoranda) Cadastre-se para ter acesso ao texto completo Ana Paula de Alcantara Assis (FEUFF/Graduanda. CE Honório Lima). Espaço Jovem Pesquisador Os grupos de leitura e suas histórias Resumo: A Escola é um lugar social privilegiado para o incentivo e promoção da prática da leitura. Para isso, pode-se destacar, entre seus recursos, a biblioteca escolar, como indispensável ao apoio didático-pedagógico e cultural que pode ser, além de disseminadora do conhecimento, um instrumento para alcance da eficiência da lecto-escritura. Sendo assim, propôs-se a formação de “Os Grupos de Leitura e suas Histórias”, um projeto cujo objetivo é implementar uma prática em biblioteca capaz de conquistar leitores pelo prazer e não pela obrigação. Nele, os alunos são convidados a participar voluntariamente desses grupos, que são formados com até 10 alunos de cada turma e que se encontram uma vez por semana nesse espaço. O método de trabalho contempla práticas interativas de leitura e produção textual, discussões sobre os livros lidos, preparação de resumos e críticas, ensaios de contação de histórias e dramatizações. Num segundo momento, os grupos visitam outras escolas da região para contar histórias. Paralelamente, em todo o período letivo, exercitam a criação das próprias histórias. O ponto culminante acontece com a produção/exposição de um livro dos alunos, cujo título é o nome do projeto. Principais referências: Paulo Freire, Yara da Conceição B. Neves, Edmir Perrotti, Raquel Villard e Waldeck Carneiro da Silva. Palavras-chave: Biblioteca; leitura; escrita; contação de histórias. Ana Paula Campos de Almeida (UFF/Ciência da Arte. Mestranda) Letras Fluminenses: a quixotesca aventura literária de Luiz Magalhães Resumo: Em junho de 1950, Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, viu circular o primeiro número de Letras Fluminenses. Com 12 páginas, o “periódico de Arte e Literatura” – como expresso em seu editorial de estréia - reunia, no corpo de redação, conceituados intelectuais da cidade àquela época: Eduardo Luís Gomes Filho, Lyad de Almeida, Augusto dos Anjos, Luís Lamego, Luiz Palmier, Geir Campos e Horácio Pacheco, entre outros escritores, que, animados pelo professor e crítico literário Luiz Magalhães, fundador do LF, resolveram se aventurar na publicação de suas obras em papel jornal. O projeto literário niteroiense perdurou, com vários hiatos de publicação, até 1991, depois de pelo menos 116 edições e um ano antes da morte de Magalhães. Este artigo aborda a relação entre jornalismo e literatura, entre autor e leitor, tendo como cenário o Letras Fluminenses. Palavras-chave: Literatura, jornalismo literário, circulação de ideias. Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (UFS - Universidade Federal de Sergipe) A Formação das Meninas através das “Páginas Seletas” do Professor Francisco Silveira Bueno Resumo: O objetivo deste estudo é analisar o livro didático “Páginas Seletas” produzido pelo professor Francisco Silveira Bueno na década de 40 do século XX, para as meninas ginasianas, como parte da coleção editada pela Saraiva & Livraria Acadêmica, em São Paulo, intitulada “Obras Didáticas para o Ensino Ginasial”. Francisco Silveira Bueno (1894-1988) foi professor catedrático da Escola Normal Modelo de São Paulo, do Mackenzie College e também professor catedrático de Filologia Portuguesa na Universidade de São Paulo; autor de diversos livros, gramáticas e dicionários. Verificamos a circulação desta obra do professor Bueno em diferentes estados brasileiros, além do Estado de São Paulo, entre eles: Pernambuco, Bahia, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul. Esta investigação está embasada nos pressupostos da História das Disciplinas Escolares, da História da Educação e da História Cultural e contribui para elucidar elementos da produção didática no período do Estado Novo. Palavras-chave: livro didático, história do livro, história da educação, história das disciplinas escolares, representações Ana Sofia Mariz André Aparecido Garcia (Unicamp. Mestrando) As estratégias editoriais de Monteiro Lobato no processo de adaptação da obra Orlando Furioso para o público infantil Resumo: Minha pesquisa busca compreender as estratégias editoriais utilizadas pelo escritor e editor Monteiro Lobato no corpus textual da obra Orlando Furioso, traduzida por Xavier da Cunha, no ano de 1895, na cidade de Lisboa – Portugal. Os vestígios e as marcas deixados pelo próprio punho de Lobato no texto de Xavier da Cunha indicam-nos que Lobato colocou em prática o desejo de editar o Orlando Furioso para o público infantil, conforme havia anunciado na obra Dom Quixote para as Crianças. Diante dessas intervenções editoriais de Lobato, pergunto: Que tipo de intervenções Lobato faz? Por que essas e não outras? Que representação de leitor infantil orienta as intervenções que Lobato faz? Que representação de obra infantil Lobato parece ter? Que marcas editoriais um texto deve apresentar quando é modificado para o público infantil? Para compreender essas minhas indagações dialogo especialmente com Roger Chartier, Pierre Bourdieu, Michel Certau, Robert Darton e outros que compõem o meu aparato teórico. Palavras-chave: livro, recriação, editoração, Monteiro Lobato, leitura, criança André de Araújo (Bibliotecário, mestre em História) Itinerário bibliográfico de uma biblioteca beneditina: o caso da Livraria de São Bento e seu acervo de livros antigos (Sécs. XVI-XVIII) Resumo: O trabalho trata da constituição da Livraria de São Bento (antiga denominação para Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo) no contexto histórico e cultural do monaquismo beneditino. Para tanto, a matriz teórico-metodológica advém não só da bibliografia histórica – entendida como as mudanças de relações entre os livros e sociedades que os produziram e os utilizaram – como também da identificação e análise de alguns dos livros antigos, dos séculos XVI-XVIII, existentes hoje na Biblioteca. O estudo indica a existência de uma política de desenvolvimento do acervo bibliográfico pautada tanto nas necessidades e na regulamentação da vida monástica quanto nas condições materiais vigentes que, por sua vez, estavam associadas aos objetivos mais amplos do monaquismo beneditino lusitano e da Metrópole. Nesta perspectiva, o Mosteiro formou uma Livraria mantida por monges-bibliotecários e composta por títulos e temas diversificados, ainda que de modo pendular e entre momentos de maior ou menor crise. Lugar venerável, digno e religioso, a Livraria de São Bento se caracterizou pela dinâmica de controle e poder – aspectos fundamentados em suas raízes trans-medievais e no modelo recorrente de bibliotecas claustrais. Palavras-chave: Livraria de São Bento, bibliografia histórica, cultura monástica, Beneditinos; Biblioteca do Mosteiro de São Bento (História) – Sécs. XVI-XVIII – São Paulo André Luiz Bis Pirola (PUC-SP. Doutorando) Juçara Luzia Leite (UFES. Docente) Bibliotecas escolares e acervo de livros didáticos Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar o acervo digital do projeto HADES (História e Acervo Didático do Espírito Santo), inserido no âmbito do Laboratório de Ensino de História da Universidade Federal do Espírito Santo (LAHIS – UFES). Aborda a trajetória de construção do acervo e objetiva estabelecer debates e relações com experiências e pesquisas semelhantes. Trata-se de projeto de pesquisa junto às bibliotecas escolares do estado do Espírito Santo (Brasil) que possibilitou a construção de acervo digital composto atualmente de mais de 1000 imagens. Destaca, fundamentando-se em Bittencourt (2003), as etapas do trabalho e a importância do resgate da memória das bibliotecas escolares como espaço privilegiado na construção de saberes e práticas escolares. Palavras-chave: Biblioteca escolar, acervo de livros didáticos, história da educação, documentação, memória, Espírito Santo André Vauchez (Institut de France, Paris) La biographie historique en France aujourd’hui A biografia histórica na França hoje Andréa Daher (UFRJ) Representações letradas dos Tupinambá e da língua tupi em obras francesas dos séculos XVI e XVII Resumo: Centrado em representações seiscentistas do índio americano - o Noble Savage e o Sauvage Convertible - encontradas no “corpus católico francês sobre a América”, considerados “mitos preparatórios” da teoria setecentista da bondade natural do selvagem, o objetivo deste trabalho é apontar alguns de seus usos, suas diferenças e os modelos culturais que encerram - concorrentes em obras afins como no “corpus huguenote” coevo -, e as intenções evidentemente colonialistas dos projetos letrados em que foram produzidas. Propõe-se, assim, tratar as representações seiscentistas do selvagem americano através da análise de dispositivos textuais das obras que as veiculam em relação com algumas das práticas (políticas, religiosas) que são a sua condição de possibilidade no momento de sua produção, e que apontam para algumas das apropriações feitas, mais tarde, pelos filósofos do Século das Luzes, na França. Palavras-chave: história cultural; representações do índio; língua tupi Andréa Lemos Xavier Galucio (UFF/História. Doutoranda) As Editoras Civilização Brasileira e Brasiliense como objeto de estudo da História Resumo: Como as trajetórias das Editoras Civilização Brasileira e Brasiliense se confundiram à história da formação da atividade editorial brasileira ao longo do século XX, e seus editores, enquanto empresários do livro, assumiram, nesse processo, papéis diferenciados, verificaremos no quadro geral da consolidação do mercado de livros e da institucionalização das políticas culturais para o livro, qual o lugar ocupado por essas editoras e seus editores no campo editorial brasileiro. Palavras-chave: História editorial, campo editorial, política editorial, empresários da cultura Angélica Pall Oriani, ver: Maria do Rosário Longo Mortatti Aníbal Bragança (UFF/CNPq): António Isidoro da Fonseca e Frei Veloso: precursores da indústria editorial do Brasil Resumo: A efeméride remete à criação da Impressão Régia no Rio de Janeiro, marco inicial de uma trajetória permanente de produção de livros brasileiros. Entretanto, esse não foi um marco zero. A historiografia levanta algumas possibilidades, reais ou imaginárias, para o início da edição no Brasil. Comprovadamente, há a “segunda oficina” de António Isidoro da Fonseca, editor lisboeta que aportou no Rio de Janeiro em 1747, aqui instalou sua tipografia e publicou alguns impressos, havendo conjecturas sobre outras obras porventura por ele editadas e vendidas também em Portugal. E há o trabalho notável da Casa Literária do Arco do Cego, criada por D. Rodrigo de Sousa Coutinho e dirigida pelo Frei José Mariano da Conceição Veloso, que teve vida curta (1799-1801), mas de grande repercussão. Uma iniciativa considerada marcadamente “brasileira”, não só por ser dirigida por um editor “mineiro”, naturalista, e ter dentre os seus auxiliares vários estudantes brasileiros que então residiam em Lisboa, mas, principalmente, porque sua política editorial tinha por foco principal o desenvolvimento da então colônia, via Ilustração de seus habitantes, especialmente os agricultores. Assim propõe-se que ambos sejam reconhecidos como os precursores de nossa história editorial. Palavras-chave: história editorial brasileira, Arco do Cego, Frei José Mariano da Conceição Veloso, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, António Isidoro da Fonseca, história do livro brasileiro: precursores Aníbal Bragança (UFF-CNPq) Francisco Alves, uma editora brasileira na Europa Palavras-chave: história editorial brasileira; Livraria Francisco Alves; Júlio Monteiro Aillaud; Livraria Aillaud (Paris), Livraria Bertrand (Lisboa), Francisco Alves de Oliveira Francisco Alves, un éditeur brésilien en Europe Aníbal Bragança (UFF/CNPq) Em busca da formação de um Centro de Memória Editorial Brasileira: o acervo da Francisco Alves no Lihed/UFF Palavras-chave: Livraria Francisco Alves, livros escolares, fundo editorial, documentação editorial, história editorial, Brasil: 1850-1950 En vue de la formation d’un Centre de mémoire éditoriale brésilienne : le fonds de la librairie Francisco Alves au Lihed/UFF Na história das publicações brasileiras, a criança também teve vez... Resumo: A partir da delimitação do conceito de literatura dirigida para crianças e adolescentes, o texto faz um levantamento histórico do que se produziu no Brasil para este público, desde o século XIX, até a contemporaneidade. O caráter pedagógico dos primeiros livros é substituído, a partir de Monteiro Lobato, pela ênfase na aventura e na imaginação. A partir da década de 1970, a produção editorial brasileira cresce muito neste campo, e, conseqüentemente, as alternativas oferecidas. Ao longo do texto, recupera-se os nomes de alguns dos primeiros editores brasileiros, como Pedro Quaresma de Almeida e Francisco Alves de Oliveira, bem como escritores como Olavo Bilac, Tales de Andrade e Figueiredo Pimentel. Evidentemente, capítulo especial é dedicado a Monteiro Lobato, a que se seguem criadores como Viriato Corrêa, Vicente Guimarães e Jerônimo Monteiro, dentre outros, até a década mais crítica e de renovação, aberta pela Coleção do Pinto, do escritor e editor André Carvalho. O Brasil, hoje, já possui duas escritoras galardoadas com o internacional prêmio Hans Christian Andersen, Lygia Bojunga Nunes e Ana Maria Machado, o que bem diz da evolução da editoria brasileira dirigida para crianças. Palavras-chave: Movimento editorial, editoras do século XIX, escritores infanto-juvenis, Monteiro Lobato. Coleção do Pinto, Prêmio Hans Christian Andersen Antônio Sanseverino (UFRGS) Memórias Póstumas: o livro e o leitor Resumo: A partir do modo como Darnton e Chartier analisam a dimensão do livro e da leitura, interessa estudar as Memórias Póstumas de Brás Cubas. O romance de Machado de Assis se constrói na dimensão do livro, tematizando procedimentos de escrita, formato da edição, possíveis leitores, diferentes reações de leitura. A partir dessa base, Brás Cubas lê e se apropria das obras da tradição e constrói metáforas a partir da imagem do livro. Para interpretar esses indícios de como a elite brasileira construía sua relação com o livro, a leitura e a tradição literária, é retomada a fortuna crítica acumulada (de José Veríssimo a Abel Barros Batista, tendo como referência Roberto Schwarz). Leva-se em conta a oposição forte na crítica literária entre uma leitura universalista preocupada em inserir Machado no cânone ocidental (sátira menipéia, Sterne, Dante, Shakespeare, Goethe...) que se opõe à outra que pressupõe o diálogo com a tradição local e o vínculo com a matéria histórica brasileira. Interessa, então, dimensionar o sentido da obra a partir do lugar do livro no Segundo Império, em que a escravidão e o analfabetismo impunham duros limites para formação de uma opinião pública brasileira. Palavras-chave: Memórias Póstumas de Brás Cubas, livro, Machado de Assis Aparecida Paiva (UFMG-FaE-Ceale. Docente) Daniela Montuani (UFMG-FaE-Ceale. Mestranda) Marina Gontijo (UFMG-FaE-Ceale. Mestranda) Para “conquistar” o mercado escolar: os endereçamentos presumidos nos paratextos de catálogos de publicações para crianças Resumo: Este trabalho está inserido em um programa de pesquisa que tem como foco de interesse a investigação de catálogos de editoras com publicações destinadas à criança, em três pólos fundamentais: distribuição, recepção e uso no contexto escolar. A partir de reflexões sobre as relações discursivas que se estabelecem entre o campo editorial e o campo escolar, com ênfase em três “protocolos de leitura” (Chartier, 1996), títulos e subtítulos, slogans das editoras e os interlocutores explicitados, foram analisados catálogos de um conjunto de trinta e seis editoras que tiveram livros de literatura selecionados para compor os três acervos de Educação Infantil do PNBE/2008 – Programa Nacional de Biblioteca da Escola – SEB/MEC. O objetivo principal foi compreender alguns elementos básicos que compõem as capas dos catálogos por meio de seus enunciados e a identificação dos sentidos que apresentam em seus endereçamentos presumidos, ou seja, as estratégias utilizadas para atender às demandas desse “mercado”. Na análise, foi possível identificar a preocupação por parte das editoras em produzir um material promocional - os catálogos - de alta qualidade que facilitasse e direcionasse a escolha do público escolar. Palavras-chave: Literatura; mercado editorial; catálogos de literatura. Ariane P. Ewald, ver: Maria de Fátima Almeida Braga Artur Emilio Alarcon Vaz (FURG - Universidade Federal do Rio Grande) As primeiras tipografias na cidade gaúcha de Rio Grande Resumo: A pesquisa “Formação e consolidação do sistema literário em Rio Grande”, desenvolvida no Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande, desde 2006, tem buscado catalogar, recuperar e divulgar o início dessa literatura local, retomando autores e livros perdidos e esquecidos em bibliotecas e hemerotecas. Dessa forma, através não só de fontes primárias, como também de outras fontes disponíveis, tem-se formado melhor uma noção de quem e como se publicava literatura nos jornais e nas tipografias locais, aos moldes das pesquisas realizadas em outros estados por Márcia Abreu e Socorro Barbosa. Como ocorre, em geral, a história do livro está associada ao jornal e, em Rio Grande, isso também ocorreu, pois os primeiros livros saíram das tipografias feitas para a impressão de jornais locais. Partindo de dados aleatórios e espalhados por diversas fontes primárias, têm-se obtido bons resultados, já configurando uma boa lista das tipografias e obras produzidas nos período em questão, com pesquisas espalhadas em diversos autores e obras. Palavras-chave: periodismo, tipografia, Rio Grande do Sul, sistema literário, fontes primárias. A Série de leitura graduada “Sei lêr”, de Theodoro de Moraes (1877-1956), e a disseminação do método analítico para o ensino da leitura no Brasil Resumo: Com o objetivo de contribuir para a compreensão de um importante momento da história do ensino da leitura e escrita e suas relações com a história do livro didático no Brasil, apresentam-se resultados de pesquisa de mestrado em que se focaliza a proposta para o ensino da leitura pelo método analítico defendida pelo professor Theodoro de Moraes (1877-1956), conforme apresentada nos livros didáticos da Série de leitura graduada “Sei lêr”, publicados pela Companhia Editora Nacional (SP), com primeiras edições entre 1928 e 1930. Mediante abordagem histórica centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio de procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de fontes documentais, analisou-se a configuração textual desses livros que consistiu em enfocar os diferentes aspectos constitutivos de seu sentido. Concluiu-se que os livros dessa série de leitura graduada se relacionam diretamente com os de outras publicadas nas décadas iniciais do século XX, como decorrência da institucionalização do método analítico no estado de São Paulo, e foram publicados por quase três décadas, com altas tiragens, tendo sido utilizados em diferentes estados brasileiros, contribuindo para a disseminação do método analítico para o ensino da leitura no Brasil. Palavras-chave: Leitura, ensino da leitura, método analítico, livros de leitura, Theodoro de Moraes, Companhia Editora Nacional Bárbara Cortella Pereira, ver também: Maria do Rosário Longo Mortatti Os livros didáticos de História no ensino de História do Colégio Pedro II no Império (1837-1870) Resumo: A presente pesquisa focaliza a construção da disciplina de História do Colégio Pedro II, desde a sua fundação em 1837 até a proclamação da República (1889), que vem sendo desenvolvida no Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II – NUDOM; o que possibilita o acesso a registros referentes em 171 anos de memória dessa instituição. O objetivo é analisar a construção do ensino de História a partir dos livros didáticos de seus professores catedráticos, portanto, historiadores-autores, como Justiniano José da Rocha (1811-1864) e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882). O Colégio Pedro II representou o laboratório por excelência do ensino da História, em um espaço-tempo determinado, que desejava ser modelo para as gerações seguintes. Os professores eram também membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e, enquanto intelectuais, foram responsáveis por escrever e ensinar a História no Brasil, dentro de uma articulação singular entre a História acadêmica, que se pretendia científica, e a História escolar, na qual o livro didático ou como eram chamados na época, os compêndios, representou o recurso fundamental daquela articulação. Sendo assim, a pesquisa desenvolvida mostra como os livros didáticos foram importantes para a institucionalização da História enquanto disciplina, inclusive no que tange a uma tradição de ensino e de idéias que fincaram raízes na educação brasileira. Palavras-chave: Livro didático, ensino, autores Lima Barreto e a profissionalização do escritor Resumo: A situação do escritor brasileiro percebida a partir da trajetória inicial de Lima Barreto. A profissionalização do autor de literatura na virada do século XIX para o XX, sua inserção na imprensa e no funcionalismo público. O trabalho aborda a trajetória do escritor carioca até a publicação de seu primeiro livro, Recordações do escrivão Isaías Caminha, em 1909, em Portugal. Como fundamento teórico-metodológico, utilizamos os conceitos desenvolvidos por Robert Darnton para a História dos Livros e as pesquisas sobre a História Editorial no Brasil, de Aníbal Bragança. Palavras-chave: Lima Barreto; história editorial; literatura brasileira; 1900. Bruno Thebaldi de Souza, ver: Ana Lucia Silva Enne Camila Fernanda Guimarães Santiago (UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFMG. Doutoranda) Usos e impactos de impressos europeus na configuração do universo pictórico mineiro na segunda metade do século XVIII e no início do XIX. Resumo: O presente trabalho reflete sobre as leituras e os usos de impressos europeus realizados por pintores que atuaram em Minas Gerais durante a segunda metade do século XVIII e as primeiras três décadas do XIX. O levantamento realizado nos inventários de alfaias das irmandades e ordens terceiras, principais patrocinadores da produção artística no período, e nos inventários post-mortem dos artistas revela a presença de tomos que eram manipulados para o aprimoramento das criações picturais. Amparando-me nas considerações de Roger Chartier, sobretudo na obra Les usages de l’imprimé, considero que a utilização de livros na época não se restringia às tarefas cognitivas atualmente entendidas como leitura – decodificação intelectual e sistemática de signos alfabéticos – mas ampliava-se abarcando práticas variadas que focavam os produtos das prensas européias seja com vistas aos ensinamentos textuais que continham seja enfocando as imagens que os compunham. Dois tipos de livros são privilegiados: tratados de pintura e Missais Romanos. Os tratados eram mirados tendo em vista conhecimentos práticos referentes ao fazer artístico, muitas vezes relacionados com a preparação de matérias-primas. Os Missais veiculavam estampas alusivas a passagens da história sagrada que eram tomadas como modelos pelos pintores. Palavras-chave: Pintura; Minas Gerais; leitura; Tratado de Pintura; Missal Romano; artes gráficas. Camila Werner (Leiden University, Holanda. Mestra) O fluxo de traduções do Brasil para o exterior: seis estudos de caso Resumo: O trabalho apresenta uma análise do fluxo de traduções literárias do Brasil para o exterior desde o final do século XIX até o presente tendo como ponto de partida o modelo criado pelo sociólogo Johan Heilbron. A análise é feita por meio de estudos de casos de obras literárias escritas por seis autores brasileiros: Machado de Assis, Mário de Andrade, Jorge Amado, Clarice Lispector, Paulo Coelho e Patrícia Melo. Tentou-se identificar o maior número possível de primeiras edições de traduções publicadas no maior número de países. Deste modo foi possível estabelecer a trajetória das obras no exterior. Para isso usou-se fontes como a base de dados do Index Translationum da Unesco disponível online e catálogos de diferentes Bibliotecas Nacionais. Fontes primárias e secundárias também foram utilizadas para auxiliar na determinação dos fluxos, assim como em sua posterior análise. O trabalho demonstra como, apesar do papel hipercentral da língua inglesa no Sistema Internacional de Tradução, o espanhol é a primeira língua para a qual muitas das obras literárias brasileiras foram traduzidas desde o final do século XIX. Além disso, a pesquisa demonstra como tanto as condições econômicas e políticas do país fonte e sua posição no contexto internacional são relevantes para o fluxo de traduções, mas que em muitos casos sujeitos individuais são peças-chave para o fluxo em questão. Palavras-chave: tradução, literatura brasileira, sociologia, mercado editorial Carla Fernanda Fontana (FFLCH/USP. Mestranda) O trabalho de Poty Lazzarotto como ilustrador de livros Resumo: Este texto estuda o trabalho de Poty Lazzarotto como ilustrador de livros entre os decênios de 1940 e 1990. O primeiro passo foi o levantamento das ilustrações do artista presentes nos livros publicados pelas editoras com as quais colaborou, como, por exemplo, José Olympio, Ediouro e Civilização Brasileira, tendo sido localizados mais de 150 títulos. A partir do levantamento essa produção pôde ser analisada, levando-se em conta a trajetória do artista e o contexto editorial brasileiro. Entre os assuntos abordados pela pesquisa estão a relação do ilustrador com os textos literários e seus autores, as estratégias adotadas por ele frente aos textos a partir dos quais trabalhava e as técnicas que utilizava. Do material coletado depreende-se a forte presença da obra de Poty na produção editorial brasileira, em especial nos decênios de 1950 e 1960, tendo sido um dos mais requisitados ilustradores de importantes autores da literatura nacional. Palavras-chave: Poty Lazzarotto, Ilustração, Editoração, História Editorial Carla Neves, ver também: Fabio Luiz Carneiro Mourilhe Silva Carla Neves (UFRJ/Psicologia. Doutoranda) Francisco Teixeira Portugal (UFRJ. Docente) A Cultura Escrita: o papel das técnicas no processo de subjetivação Resumo: A partir de um cotidiano cada vez mais atravessado pelas chamadas novas tecnologias de comunicação e informação, a proposta do presente trabalho é pensar os efeitos subjetivos da contemporânea composição entre técnica e social. Para tal, toma-se os objetos técnicos como um dos muitos elementos que participam ativamente do processo de produção de diferentes modos de sociabilidade e subjetivação. A pesquisa assume um caráter teórico investigativo no qual se propõe a articulação entre o trabalho historiográfico de Roger Chartier com os estudos de Bruno Latour e outros autores representantes da Teoria Ator-Rede como Michel Callon e John Law. Principalmente no que se refere ao conceito de mediação entendido como tradução ou criação. Com base nesse conceito faz-se uma análise do desenvolvimento da cultura escrita entre os séculos XVI e XVIII e o surgimento da prática da leitura silenciosa, para poder chegar a relação entre a técnica escrita e a construção de uma esfera de intimidade na modernidade. Percebe-se que a criação desta esfera fermenta a circunscrição de um modo de subjetividade entendido como dotado de uma interioridade psicológica. É a partir da perspectiva histórica que propomos então uma reflexão sobre a relação entre as novas tecnologias e a exposição da intimidade. Palavras-chave: cultura escrita, novas tecnologias, mediação, subjetividade, intimidade Carlos Silvestre Mônaco, livreiro Livrarias de Niterói, um panorama histórico Resumo: Um depoimento pessoal sobre a memória das livrarias na cidade de Niterói, desde o livreiro e professor Miguel Maria Jardim até a Livraria Ideal. Vida literária da antiga capital fluminense. Grupo de Amigos do Livro. Grupo Mônaco de Cultura. O comércio de livros usados. A preservação e a circulação de obras raras. O Centro de Memória Fluminense. Palavras-chave: Niterói: livrarias, comércio do livro, livros usados, obras raras e preservação cultural, memória fluminense Célia Cristina de Figueiredo Cassiano (Doutora em Educação/PUCSP) Editora Moderna: da gestão familiar brasileira à gestão do grande grupo multimidiático espanhol – o Prisa Resumo: Apresento, neste trabalho, a trajetória da Editora Moderna, fundada em 1968 por professores brasileiros e mantida, desde a década de 1970, sob a gestão da família Feltre, tendo sido adquirida, em 2001, pelo maior grupo multimidiático espanhol, o Prisa. Tal trajetória comporta a própria alteração do mercado dos didáticos no Brasil, que passou da concentração das editoras familiares para o oligopólio dos grandes grupos empresarias, como também resgata a própria história da Educação no Brasil, no sentido de recuperar a democratização do ensino (e conseqüente ampliação do mercado dos didáticos) e os investimentos públicos para o livro escolar, desde a ditadura até a década de 1990, que culmina com grandes investimentos governamentais para o livro didático no governo de Fernando Henrique Cardoso, que fazem do Brasil um dos mais respeitáveis mercados do livro escolar no mundo no início do século XXI. Palavras-chave: Editora Moderna, mercado editorial, livro didático, políticas públicas Christianni Cardoso Morais Cilza Bignoto (Facamp) Monteiro Lobato: editor revolucionário? Resumo: No período de 1918 a 1925, Monteiro Lobato esteve à frente de editoras paulistas consideradas revolucionárias na história do livro brasileiro: a Revista do Brasil, a Monteiro Lobato & Cia. e a Cia. Graphico-Editora Monteiro Lobato. O editor é visto como revolucionário, entre outros motivos, pelos novos métodos comerciais que pôs em prática para fabricar, distribuir e anunciar livros. Quando Lobato iniciou sua carreira como editor, porém, encontrou uma tradição já consolidada de práticas editoriais e autorais, que procurou sistematizar de maneira a torná-las mais eficientes. O envio de exemplares para outros estados, por exemplo, era realizado desde o oitocentos – mas de maneira precária. A confecção de livros materialmente atraentes, com capas coloridas, também já existia, embora fosse menos freqüente. A publicidade feita em jornais e revistas era prática igualmente realizada há décadas. Assim, a revolução editorial lobatiana parece se dever menos à criação de novos métodos comerciais do que à transformação de antigas práticas em métodos. Atividades editoriais exercidas até a época de Lobato de maneira pouco eficaz teriam sido reformuladas por ele, de forma a se tornarem procedimentos planejados e sistemáticos. Palavras-chave: Monteiro Lobato, edição, distribuição de livros, práticas editoriais, mercado livreiro. Circe Maria Fernandes Bittencourt (FE/USP; PUC-SP) Acervo de Livro Didático: História e memória Palavras-chave: Biblioteca do Livro Didático; Livres; acervo de livros escolares; metodologia; história do livro didático; educação brasileira Le fonds de livres didactiques : histoire et mémoire
Clara Carolina Souza Santos (UESB. Mestranda. Capes) Marcello Moreira (UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Docente) Memória do livro: artifícios retóricos nos textos preambulares de História da América Portuguesa de Rocha Pita Resumo: Esta proposta de trabalho se centra numa leitura sobre o História da América Portuguesa, desde o anno de mil e quinhentos do seu descobrimento, até o de mil e setecentos e vinte e quatro, de Sebastião da Rocha Pita, impresso em 1730. Partimos da premissa de que a obra em questão é composta a partir da idéia de gênero histórico retoricamente regrado, no qual o historiador ou letrado narra as ações virtuosas de pessoas de caráter elevado e eventos providenciais apoiado pelo aconselhamento ético da Igreja Católica, como nos lembra Hansen (2002) e Sinqueviske (2000). Nos centramos nos textos preambulares (títulos, aprovações, prólogo, carta ao leitor, licença, dedicatória), a partir da leitura de importantes preceptivas antigas e contemporâneas à época da impressão do livro - a saber, Quintiliano, o anônimo Ad Herennium, Cícero, Aristóteles – a fim de compreender como os textos encomiásticos, os textos que censuram e os textos que aprovam promovem a boa disposição e atenção do leitor. O estudo dos textos preambulares do História da América Portuguesa serve para evidenciar a estrutura editorial, bem como para demonstrar especificidades dos usos da memória que figuram tanto na narrativa da obra quanto nos aspectos constitutivos do fazer letrado. Palavras-chave: Memória, livro, América Portuguesa Claudia Alves (UFF) Frederico José de Santa-Anna Nery e um Brasil escrito para franceses Resumo: No ano de 1889, era publicado em Paris o livro Folk-lore Brésilien, de autoria do brasileiro Frederico José de Santa-Anna Nery, com prefácio escrito pelo príncipe Roland Bonaparte, apresentando, na capa dessa edição, abaixo do título, a indicação de seu conteúdo: poesia popular; contos e lendas; fábulas e mitos; poesia, música, danças e crenças dos índios. Sua publicação no Brasil aguardou que se passasse mais de um século, ocorrendo em 1992, por uma iniciativa conjunta da Fundação Joaquim Nabuco e da Editora Massunaga, de Recife. Tomado como indício das relações e das estratégias de inserção de seu autor no campo intelectual francês, o livro permite várias leituras, o que não se poderia esgotar no presente trabalho. Optamos, então, com base no conceito de campo intelectual, de Pierre Bourdieu, por percebê-lo a partir do seu lugar de produção (Michel de Certeau), concebendo o mesmo como resultado de uma teia de relações e representações que ultrapassavam os grupos com que se relacionava em solo francês, mas se construía na confluência entre interesses, práticas e representações da rede política e intelectual que se articulava entre o Brasil e a França em fins do século XIX. Palavras-chave: Folclore; Santa-Anna Nery; campo intelectual; Brasil-França; século XIX. Claudia Amélia Mota Moreira (UFAM - Universidade Federal do Amazonas. Mestranda) Letras e Revolução. A cultura letrada na Amazônia através dos tipógrafos Resumo: A implementação da cultura letrada no interior do movimento operário foi amplamente incentivada pela categoria dos tipógrafos. Intelectuais ideólogos nas palavras de Hobsbawm, esses homens e mulheres se constituem como trabalhadores letrados e dominadores de uma ferramenta, a escrita, que será posta a serviço da classe trabalhadora. Neste artigo buscaremos perceber o processo de construção identitária de uma categoria marcada pelo signo da ambigüidade. Revolução e arte tipográfica encontram seu chão nas vivências destes humildes filhos de Minerva. Palavras-chave: Movimento operário; cultura letrada; identidade; tipógrafos Cláudia Andréa Prata Ferreira (UFRJ/Letras) Paula Andréa Prata Ferreira (UFRJ/NCE) Do Púlpito à Web: Uma Eclésia no Mundo Virtual Resumo: Religiões, imagens religiosas e a rede de conhecimentos e significações no ensino e na web: o uso que a religião faz da mídia como forma de conhecimento, sociabilidade e nova construção de significado da vivência religiosa. Os processos de mudanças no campo religioso, o surgimento de novas propostas religiosas, a perda da autoridade de diversas mediações institucionais tradicionais e o deslocamento da própria experiência subjetiva da religião ocupam hoje boa parte dos esforços na construção de uma rede de conhecimentos e significações da vivência religiosa no mundo virtual. A WEB 2.0 veio a corroborar esse processo, onde podemos utilizar diversos serviços disponibilizados na rede: Youtube, blogs, “portal colaborativo”, Orkut, Facebook, MySpace, iBreviary, podcast e o GodTube (agora rebatizado de Tangle). Palavras-chave: Educação; Religiões e religiosidades; imagens religiosas; WEB 2.0; tecnologia; produção textual. Claudia Neves Lopes O mercado editorial entre Brasil e Portugal: um breve panorama Resumo: Antiga colônia de Portugal, o Brasil teve na língua portuguesa uma de suas principais heranças coloniais tornando-se o principal mercado editorial da oitava língua mais falada no mundo. Atualmente, com uma população de cerca 185 milhões de habitantes, o país representa aproximadamente 80% desse mercado e está entre os maiores produtores de livros do mundo. Entretanto, a conquista dessa autonomia no campo da produção editorial teve início somente a partir dos anos 20 do século passado. Até então, o setor esteve sob domínio de editores e livreiros estrangeiros, provenientes em sua maioria da França e da ex- metrópole portuguesa. Neste artigo pretendemos ressaltar sobretudo as relações editoriais entre Brasil e Portugal, analisando como evoluíram as relações culturais entre uma antiga colônia e sua ex-metrópole nesse domínio particular da produção cultural. Seu eixo principal consiste em avaliar o processo de ruptura dos laços de dependência entre os dois países no campo da produção editorial e suas possíveis conseqüências para o setor na ex-metrópole portuguesa. Palavras-chave: Brasil e Portugal: relações editoriais; livros: mercado lusófono; história editorial brasileira; relações luso-brasileiras Os direitos autorais e a profissionalização do escritor Resumo: Breve histórico dos direitos autorais no mundo e no Brasil. A posição do Pen Clube do Brasil diante das questões dos direitos autorais e dos interesses dos escritores. O poeta como inventor. Direitos autorais e liberdade de expressão. Os direitos dos tradutores e a contrafação. Dificuldades para a profissionalização e a situação do mercado editorial no Brasil. Palavras-chave: direitos autorais, profissionalização do escritor, liberdade de expressão Repensar o Decreto-Lei 869/69: livros didáticos de OSPB e a formação do cidadão Resumo: A afirmação de que os livros de Organização Social e Política do Brasil (OSPB) conduziram a Doutrina de Segurança Nacional às escolas durante a Ditadura Militar é um desses lugares-comuns na história da educação brasileira. Talvez a aceitação desta interpretação seja estimulada pelo forte argumento de que o Decreto-Lei 869/69, ao tornar obrigatória a presença do civismo em todos os níveis de ensino, criou também uma demanda de manuais escolares produzidos a partir dos postulados da doutrina oficial. Todavia, a leitura de livros de Organização Social e Política do Brasil (OSPB) publicados antes de 1969, sugerem a relativização destas análises. Neste trabalho, pretende-se apresentar a história dos manuais de OSPB considerando a lacuna existente entre aquilo que o Estado definiu como Educação Moral e Cívica em 1969 e as definições que efetivamente circularam na sociedade antes disso. Ao adotarmos tal procedimento partilhamos da observação feita por Michel Foucault que referiu-se à definição estatal de nação empreendida pela Encyclopédie como sendo os esforços do Estado em refutar ou até mesmo excluir outras definições de nação que circulavam na sociedade francesa no correr do século dezoito. Esta orientação metodológica é imprescindível, não só porque permite compreender os discursos cívicos veiculados pelos impressos de OSPB como pontos de passagens dos efeitos de poder pretendido pelo Estado, mas também porque ilumina os discursos cívicos produzidos em outros planos estatais e que se deslocaram na mesma malha social no período em que o corpo jurídico normatizador da escolarização do civismo ainda não havia se constituído em sua plenitude. Palavras-chave: Impressos escolares, civismo, história da educação. Cleber Teixeira Aventuras e venturas de um editor-tipógrafo contemporâneo. Um depoimento. Resumo: Um poeta na repartição: o INL. Do jornalismo à edição tipográfica: a trajetória da Noa-Noa. Edições artesanais para amantes do livro e da poesia. As traduções. Os concretistas. A oficina e a formação de jovens na arte da impressão. Palavras-chave: Edições Noa-Noa, Florianópolis, edições artesanais Cleila de Fátima Siqueira Stanislavski (UNESP/Marília. Doutoranda) Leila Maria Inoue (UNESP/Marília. Mestranda) A cartilha Ler Brincando (1932) de Thales de Andrade: um estudo sobre o Método Brasileiro de Alfabetização pela Imagem Resumo: Com o objetivo de compreender o Método Brasileiro de Alfabetização pela imagem - a imagem ensina, apresentamos um estudo sobre a cartilha Ler Brincando do professor Thales Castanho de Andrade, autor e criador do método. Para o estudo optamos por procedimentos metodológicos de pesquisa documental e bibliográfica situando-o no campo da história do livro no Brasil estruturando-se a partir das idéias de Roger Chartier numa abordagem identificada como “história cultural”. Nessa abordagem algumas reflexões são feitas sobre o método partindo das leituras de textos sobre a história do livro e tendo como suporte material a própria cartilha, a fim de compreender o que Chartier denomina “protocolos de leitura”. Para Chartier (2001, p. 10) os vestígios que são privilegiados numa pesquisa são protocolos de leitura, inscrevem no texto a imagem ideal feita por seu leitor. Esta cartilha foi publicada em 1932 pela Companhia Editora Nacional, integra a Coleção Leitura Escolar do autor Thales de Andrade e compõe a Biblioteca Pedagógica Brasileira, idealizada por Fernando de Azevedo. O autor foi professor e escritor e sua cartilha abordava aspectos de escola rural tendo fortes ligações com questões rurais e com o ruralismo. Palavras-chave: História do livro; história cultural; Thales de Andrade; Companhia Editora Nacional; leitura escolar; Biblioteca Pedagógica Brasileira. Cristiane Costa Se vende não é bom, se é bom não vende Resumo: Do ponto de vista da crítica literária, uma espécie de lógica Tostines pode ser aplicada à indústria editorial: "Se vende não é bom. Se é bom, não vende". Mas na prática a questão é bem mais complexa. Não é por ser "ruim" que um livro deixa ou não de vender. Também não é exatamente por ser "bom" que ele cairá no gosto do público. O tema desta discussão serão as engrenagens do mercado editorial, suas fórmulas e seus dilemas, suas estratégias para sobreviver a uma crise econômica que afeta diretamente o bolso do leitor e seu temor de que tenha suas bases totalmente remodeladas pelas novas tecnologias, como aconteceu com a indústria musical. Em resumo, explicar quais as bases de um modelo de negócios que elege o livro como produto. Palavras-chave: Indústria editorial: modelo de negócios, mercado editorial, livro e novas tecnologias, livro e consumo, perspectivas do negócio editorial Cristiane Linhares de Souza, ver Ana Elisa Ribeiro et al. Cybelle Moreira de Ipanema (UFRJ-IHGB) Na construção da história editorial do país: o versátil Silva Porto, mercador de livros, intelectual e editor Resumo: No Rio de Janeiro de d. João/d. João VI, presente Manuel Joaquim da Silva Porto, livreiro e literato, de múltiplas outras atividades, tornado editor em 1822, concorrendo para a Independência e fluindo, nos tempos de d. Pedro I, com seu elenco de livros, folhetos e periódicos de tendência liberal. Iniciou-se na cidade em 1812 (1810?), ator da circulação das idéias, ainda sob censura, porém sempre alargada - embora a forte, porcentagem de analfabetos -, entre a população, crescida no período joanino pelos estímulos das medidas administrativas do regente e rei. O levantamento de sua produção editorial, entre 1822 e 1825 – Portiana –, e dos autores que editou dá a medida da importância desse portuense na cultura carioca/fluminense oitocentista. Palavras-chave: Manuel Joaquim da Silva Porto, livrarias do Rio de Janeiro, circulação das idéias, censura intelectual, Impressão Régia, cultura brasileira Daniela Montuani, ver: Aparecida Paiva Daniele Cristina Mendes (UFMG-FaE. Mestranda) Marildes Marinho (UFMG-FaE-Ceale. Docente) Levantamento bibliográfico da produção acadêmica sobre leitura na tela e juventude Resumo: O objetivo desta comunicação é descrever e analisar a produção acadêmica na área educacional tratando especificamente dos referenciais teóricos-metodológicos utilizados em estudos que propõem, em algum aspecto, o estudo da cultura digital. Este levantamento foi realizado para uma pesquisa que tem como proposta central analisar as funções e os usos da leitura na tela para jovens pertencentes às classes populares na tentativa de compreender o papel da inclusão digital na vida destes sujeitos. A coleta de dados foi realizada através do banco de teses e dissertações defendidas entre os anos de 2000 a 2008, de universidades brasileiras, com foco na temática sobre leitura na tela e juventude. Foram resenhados 20 trabalhos, os quais foram organizados em quatro categorias: “representação social e mídias”, “sujeitos em comunidades virtuais”, “leitura e escrita na tela” e “inclusão digital de jovens”. A produção da temática é insipiente e reflete uma maior visibilidade das questões que envolvem as discussões sobre a leitura na tela e as práticas sóciocomunicativas através das novas tecnologias na sociedade brasileira. Este trabalho tentará iniciar esse desafio de realizar um levantamento bibliográfico neste campo pouco constituído. Palavras-chave: Leitura na tela; juventude; Internet, produção acadêmica Débora Araújo Drumond de Oliveira (UFMG. Graduanda. IC) Orientadora : Profa. Dra. Sabrina Sedlmayer Espaço Jovem Pesquisador “Faze-te sem limites no tempo: Novos Poetas de Portugal, de Cecília Meireles”. Resumo: A partir da antologia Poetas Novos de Portugal, de Cecília Meireles, publicada em 1944 sob a direção de Jaime Cortesão, discutiremos a importância do trabalho crítico e poético de Cecília Meireles. Embora a antologia em questão seja marcada pela incompletude inerente ao gênero antológico, foi através desta edição, que a autora, mais conhecida como poeta, apresentou não só aos brasileiros, mas também a muitos portugueses, novos poetas do modernismo lusíada, como, por exemplo, Fernando Pessoa, Mário Sá-Carneiro e Jorge de Sena, entre outros. O presente trabalho defenderá que a poeta assumiu o papel de mediadora no diálogo de mão-dupla entre as literaturas portuguesa e brasileira, tornando-se uma importante difusora dos movimentos literários vigentes em ambos os países. Meireles mostrou-se, ao contrário do que divulgou boa parcela da recepção crítica brasileira das primeiras décadas do século XX, uma pesquisadora arguta, conhecedora da relação entre o gênero antológico e o mercado editorial. Palavras-chave: Cecília Meireles, antologia, Portugal, modernismo Débora Cristina Bondance Rocha (IEL/Unicamp-Fapesp. Mestranda) Franceses, ingleses, brasileiros: a leitura de romances na Bibliotheca Nacional e Pública do Rio de Janeiro Resumo: Proveniente de uma longa trajetória até estabelecer-se na corte brasileira, a então denominada Bibliotheca Nacional e Pública abre suas portas a habitantes e visitantes do Rio de Janeiro em 1814 (Schwarcz, 2002). Com o passar dos anos, funcionários da instituição observam a necessidade de definir regras para a casa (Estatuto da Real Biblioteca. 1821). Ademais, na tentativa de evitar a deterioração causada pelo tempo e pelo manuseio de livros, e, consequentemente, perder parte do acervo, outra medida preventiva é adotada. Bibliotecários passam a registrar diariamente o título da(s) obra(s) e/ou do(s) autor(es) pedida/o(s) pelos leitores, os quais também têm seus nomes anotados no livro de registro (Códices de Consulta Pública. 1833-1856). Por meio desta fonte primária dos quatorze Códices foi possível recolher dados referentes à leitura de Belas letras neste ambiente institucional. Visando pesquisar especialmente acerca da circulação de romances, em uma época na qual o gênero estava se consolidando no Brasil, comparamos os dados do gênero romance com as demais informações recolhidas sobre Belas Letras; tendo em vista, sobretudo, investigar as preferências de leitura com relação ao romance e à identificação deste público leitor. A proposta deste artigo é verificar a nacionalidade dos romances solicitados por estes leitores. Palavras-chave: biblioteca, leitura, leitor, Rio de Janeiro, romance, século XIX Da tipografia às ruas: produção e circulação de almanaques no Ceará fim-de-século Resumo: Periódico de características singulares, os almanaques alcançaram largas tiragens e ampla aceitação do público brasileiro especialmente a partir da segunda metade do século XIX, figurando como importantes aliados para o acesso à leitura. O artigo se propõe a analisar as redes de produção e circulação dos almanaques a partir da feitura nas tipografias, pelas mãos dos “operários da palavra impressa”, no Ceará do final do século XIX e início do XX. Parte-se da impressão do Almanach do Ceará no ano de 1895, o impresso do gênero mais longevo no Estado (num total de 65 anos), que teve como fundador um veterano da imprensa da Capital, João Câmara. Frente às características dos almanaques, que tornam-se fonte-objeto de estudo, uma questão é pertinente: para além de uma elite intelectual, que outros leitores são possíveis? Por meio de anúncios, textos em meta-linguagem e correspondências de leitores publicadas em almanaques cearenses e luso-brasileiros, pretende-se examinar as contribuições desses impressos para a formação de um público leitor no período, que não exclui trabalhadores e mulheres. Palavras-chave: Impressos; almanaques; tipografia; leitor; Ceará fim-de-século. Denis Antônio de Mendonça Bernardes (UFPE) Impressos e liberdade. Notas para uma história da tipografia em Pernambuco. 1817-1850 Resumo: O surgimento da imprensa em Pernambuco está associado ao mais efetivo movimento de quebra da vigência do Antigo Regime no então império luso-brasileiro. Isto ocorreu quando a existência de prelos no Recife coincidiu com a eclosão da revolução de 1817. Esta instaurou a liberdade de pensamento e de expressão e, ao mesmo tempo, buscou formar uma opinião pública, através do uso dos escritos impressos como instrumentos de comunicação do governo com a sociedade. Assim, saíram impressos diversos documentos oriundos do governo provisório da república de 1817, entre os quais, o famoso Preciso. Quando a revolução do Porto (1820) trouxe o primeiro momento do liberalismo para o império luso-brasileiro os prelos usados pelos revolucionários de 1817 voltaram a funcionar, desta vez a serviço do governo de Luís do Rego Barreto, na tentativa de controlar o desmonte do absolutismo português em terras americanas. Mas, desde então os escritos impressos expressaram uma nova realidade política, econômica, cultural e ideológica. A Independência consagrou este reconhecimento no território da antiga colônia. Tipografias se multiplicaram passando a ser parte da formação da nova nação. Este é o objeto deste texto para o espaço da província de Pernambuco. Palavras-chave: Impressos, liberdade, tipografias, Pernambuco, opinião pública. Diana Cooper-Richet (Centre d’Histoire Culturelle des Sociétés Contemporaines / Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines) Résumé : Le rôle joué à Paris, au cours de la première moitié du XIX° siècle, par un certain nombre de libraires-éditeurs-imprimeurs français et de médiateurs – hommes de lettres et de sciences, traducteurs et artistes, portugais et brésiliens – dans la production et la mise en circulation d’imprimés lusophones de toutes sortes, n’a sans doute pas été suffisamment mis en valeur jusqu’ici. Cette conférence aura pour objectif de montrer comment, à partir d’une stratégie de niche éditoriale, des hommes du livre, relayés par des intellectuels lusophones, se sont lancés dans la production et la vente d’ouvrages et de journaux, en quantités relativement importantes, dans cette langue « périphérique », faisant peut-être de Paris, dans les premières décennies du XIX° siècle, la capitale éditoriale du monde lusophone. Paris, capital editorial do mundo lusófono na primeira metade do século XIX? Palavras-chave: Paris: século XIX, editores lusófonos na França, impressos franceses em português, intelectuais lusófonos Diana Cooper-Richet (Centre d’Histoire Culturelle des Sociétés Contemporaines/Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines) Les imprimés en langues étrangères, un domaine négligé de l’histoire du livre, de l’édition et de la presse Os impressos em línguas estrangeiras, um campo menosprezado da história do livro, da edição e da imprensa Palavras-chave : Impressos em língua estrangeira; história do livro; história editorial; história da imprensa; França: século XIX; intercâmbios culturais. |