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Pré-seminário e II Lihed: Textos e resumos das exposições (conferências, palestras, comunicações) (Ordenados por prenome de autor)
Raoni Huapaya (UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. Letras. Graduando) Espaço Jovem Pesquisador Fomento cultural e ausência de editores: como transformar um livro em souvenir Resumo: No Espírito Santo, a produção de livros é sustentada por meio de leis de incentivo à cultura. Trata-se de um conjunto de cinco leis municipais que responde por quase a totalidade da editoração e impressão da literatura produzida no estado. Entretanto, a ausência da figura do editor nestas publicações tem causado uma lacuna sem precedentes no processo de mediação e difusão da produção literária local. Neste trabalho, serão apresentados os principais equívocos técnicos – que vão desde a ausência de itens obrigatórios nestas publicações até a inexistência de um plano de distribuição do produto cultural – os números do fomento editorial do Espírito Santo e as consequências da falta de políticas públicas para a leitura e de pessoal qualificado para o livro. Para isso, o texto se vale de critérios quantitativos e de breve apreciação técnica de marcos legais do livro e da leitura para esta abordagem sobre aspectos da economia do livro e da produção literária no Espírito Santo. Palavras-chave: economia da cultura; economia do livro; políticas públicas do livro; panorama editorial do Espírito Santo Raquel Lazzari Leite Barbosa (UNESP. Docente) Sérgio Fabiano Annibal (UNESP. Doutorando. Capes) Leitura, escrita e livro: determinantes de práticas culturais e desenvoltura social Resumo: O presente trabalho busca discutir a importância da leitura, da escrita e do livro no desempenho do sujeito leitor em sociedade. Está dividido em três partes principais: 1-Um entendimento sobre leitura; 2- A especificidade do escrito; 3- A escola e o livro. Essa discussão procura situar o papel da leitura, do livro e do escrito no tempo e no espaço social e delinear como essas práticas culturais de leitura e de escrita, aliadas ao suporte livro, podem determinar a desenvoltura do sujeito, quando capaz de acessar essas tecnologias eficazmente, no meio em que vive e, também, posicionar-se diante das demandas sociais, econômicas e culturais. Como metodologia, temos Bakhtin (1986), Barbosa (1998, 2001, 2003), Bourdieu (1997), Chartier (1990), Foucambert (1994), Manguel (1997), dentre outros. Os resultados esperados nessa empreitada situam-se na derrubada de aspectos superficiais e de senso comum acerca da leitura, do livro e da escrita e contribuir para a ampliação dos debates sobre esses temas. Como conclusão, esperamos a contribuição para um debate que já vem sendo desenvolvido no âmbito educacional sobre leitura, livro e escrita, assinalando a necessidade de um olhar mais atento sobre a relação resultante da desenvoltura do sujeito na sociedade e das suas habilidades de leitura e de escrita. Palavras-chave: Educação; leitura; escrita; linguagem; formação docente Renata Rodrigues Chagas, ver: Heloisa de O. S. Villela Renata Rodrigues de Freitas (UERJ. História. Graduanda. IC/CNPq) Orientadoras: Profas. Dras. Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira e Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves Espaço Jovem Pesquisador A leitura como fator de distinção social: Uma análise das resenhas de livros no jornal O Paiz (Rio de Janeiro, 1889) Resumo: Nosso trabalho consiste na análise de resenhas e anúncios de livros publicados no jornal O Paiz, encontrados no setor de Periódicos e de Referências da Biblioteca Nacional. Analisamos os meses de janeiro a junho de 1889 e preenchemos aproximadamente 50 fichas catalográficas referentes às resenhas das obras em questão. Para a realização deste estudo também foram imprescindíveis as contribuições de Roger Chartier, Robert Darnton e Daniel Roche, já que procuramos também pensar o livro como objeto cultural e histórico no qual estão em jogo relações de poder. Sabemos que nesse período apenas uma pequena parte da população do Rio de Janeiro era alfabetizada o que nos leva a acreditar que a leitura era um fator de distinção econômico e social. Contudo, podemos inferir também que se tratava de um elemento de diferenciação cultural e, a partir da nossa análise, até mesmo profissional. Nosso estudo nos leva a questionar a idéia de que a leitura está vinculada a uma determinada classe social, quando na verdade o que vemos é a existência de publicações pautadas em outros critérios que não apenas o econômico. Palavras-chave: Livros e periódicos; espaços de consagração; Rio de Janeiro; século XIX. Renato Kirchner (USF - Universidade São Francisco) A Escola Gratuita e a Tipografia São José: da tipografia aos livros escolares Resumo: O objetivo deste trabalho é compreender por que e como se deu a atuação dos frades franciscanos alemães a partir do final do século XIX nos estados do Sudeste e Sul do Brasil. Para cumprir esta finalidade serão percorridos dois momentos: 1) O contexto histórico de surgimento e decadência e a fase em que os frades alemães vieram para restaurar a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil; 2) A fundação de escolas franciscanas e, ligadas a elas, a instalação ou a reativação de oficinas gráficas. A partir do enfoque dado a esta exposição, veremos em que circunstâncias os frades franciscanos alemães fundaram a Escola Gratuita e a Tipografia da Escola Gratuita São José, na cidade serrana de Petrópolis, vindo não só a instruir estudantes dentro dos ideais católicos da época, assim como a formar vários de seus alunos e ex-alunos na arte da tipografia e no acabamento dos livros ali produzidos. Nesse contexto – de escola e tipografia – os franciscanos editam e imprimem seus próprios livros escolares. Palavras-chave: Franciscanos no Brasil; Escola Gratuita e Tipografia São José; História da educação; Livros escolares. Renato Sena Marques (UFJF. História. Graduado) Espaço Jovem Pesquisador Da “ladra” de Defoe à “princesa” de Voltaire: Diferentes formas de se construir a imagem da mulher em livros setecentistas Resumo: Partindo de um pressuposto que coloca o movimento conhecido por “Iluminismo” como algo que variou em seus diferentes lugares de atuação, busco, neste trabalho, compreender como essas particularidades foram projetadas para a construção da imagem da mulher em alguns livros setecentistas. Serão utilizados, como fonte principal de pesquisa, romances escritos por filósofos “ilustrados”. Procurarei realizar uma análise dividida em duas fases, a saber: a primeira se constituirá de uma comparação entre romances de diferentes espaços. Assim, será possível observar as particularidades na imagem da mulher dentro de um romance francês, português e inglês, por exemplo. Na fase seguinte será realizada uma análise entre as estruturas narrativas dos romances. Em outras palavras: quais as influências para a construção da imagem da mulher e quais as intenções dos autores quando optam por uma narrativa em primeira ou terceira pessoa? Demonstrar a influência do espaço onde foram escritos os romances, enfatizar a importância da estruturação narrativa e relativizar a independência na construção da imagem da mulher pelos “romances iluministas”: eis os principais resultados esperados por este trabalho. Palavras-chave: livro; leitura; autores; mulheres; Iluminismo; circulação das idéias Paulo Coelho e seus predecessores: um capítulo da história da leitura no Brasil Resumo: O sucesso mercadológico, sem dúvida notável, de Paulo Coelho não deve isolá-lo, em termos da análise das práticas de leitura no Brasil, num ponto absolutamente excepcional. Em outras palavras, autores do passado mais ou menos recente – muitos hoje praticamente esquecidos – lograram também a construção de um público ampliado. Nesse texto, discute-se, em primeiro lugar, esse aspecto, que é um capítulo particular da história da leitura no Brasil. Na seqüência, aprofunda-se o caso de Paulo Coelho, evidenciando que o sucesso comercial desse autor está associado – em relativo contraste com outros momentos e autores – a transformações ocorridas no Brasil, tanto no mercado editorial (maior profissionalização), quanto no contexto social (índices mais elevados de alfabetização e acesso ao livro). Palavras-chave: História da leitura; mercado editorial, Paulo Coelho, escritores brasileiros Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana) Érica Azevedo Santos (UEFS. Graduanda/IC) A circulação de obras literárias brasileiras no início do Século XX: O exemplo do sucesso editorial de Afrânio Peixoto Resumo: Ao se falar sobre a circulação de obras literárias brasileiras, nas primeiras décadas do século XX, o nome de Afrânio Peixoto constitui-se como um dos mais representativos exemplos de sucesso editorial. Autor de obras como A Esfinge, Fruta do Mato e Bugrinha, que alcançaram louvores de público e de crítica, haja vista que tiveram inúmeras edições, além de traduções diversas, Peixoto foi um dos pioneiros no que tange à grande circulação de obras no país num curto intervalo de tempo. Vale ressaltar que, nessa época, o público leitor no Brasil era restrito. Pretende-se, portanto, no presente trabalho, discutir a representatividade de Afrânio Peixoto em relação à produção editorial brasileira. Palavras-chave: Literatura Brasileira; Afrânio Peixoto; produção editorial; público leitor Rodrigo Acioli Peixoto (UFPE. Mestrando) Semiologia e História: diálogos sobre o nascimento da imprensa (Pernambuco, 1821- 1824) Resumo: O objetivo deste trabalho é o de apontar possibilidades de uso de um instrumental analítico da semiologia a uma problemática historiográfica. Especificamente, o que se busca são algumas chaves conceituais (tais como os conceitos de língua e fala, metáforas e metonímias, signo, forma e substância, dentre outros) que auxiliem na compreensão do discurso da imprensa pernambucana do início do século XIX. A preocupação que nos move é a de melhor situar a produção de sentidos nos periódicos do início do século XIX, em Pernambuco. Propomos, para isso, um diálogo teórico entre saberes, e, como ponto de partida, as indicações advindas da teoria do signo presentes em "Elementos de Semiologia" e "O Grau Zero da Escrita" de Roland Barthes; bem como a teoria da enunciação em "Arqueologia do Saber" de Michel Foucault. A idéia básica é de submeter os primeiros periódicos a circular em solo pernambucano entre os anos de 1821 e 1824 ao crivo dessa literatura – ancorada, paralelamente, em uma recente historiografia sobre a imprensa (principalmente trabalhos como os de Marco Morel, Silvia Fonseca e Tânia de Luca). A documentação trabalhada constitui-se em um gênero particular da imprensa, muito comum em princípios do XIX: essencialmente amadora, infamante e doutrinária. Palavras-chave: semiologia; imprensa; século XIX. Rodrigo Camargo de Godoi (Unicamp/IEL. Mestrando. Capes) Publicação e comercialização de comédias no Brasil oitocentista: o caso de Luxo e Vaidade de Joaquim Manuel de Macedo (1860) Resumo: O objetivo deste trabalho é reconstituir, por intermédio da análise de anúncios de comercialização e textos de crítica teatral publicados entre setembro e dezembro de 1860 no periódico A Marmota, a trajetória da comédia Luxo e Vaidade, de Joaquim Manuel de Macedo, do palco do Teatro Ginásio Dramático às páginas do volume homônimo impresso pela tipografia de Francisco de Paula Brito. A partir de então, além de observarmos as estratégias do editor Paula Brito no que concerne à impressão, divulgação e comercialização de textos teatrais, poderemos analisar, baseando-nos principalmente nas preleções de Roger Chartier sobre a publicação e circulação de peças entre os séculos XVI e XVII, as tensões entre as diferentes performances do texto dramático – escrito, por sua vez, antes de tudo para os palcos – no Brasil oitocentista. Palavras-chave: Joaquim Manuel de Macedo; Francisco de Paula Brito; publicação e circulação; teatro Rodrigo da Costa Araújo (FAFIMA - UFF. Doutorando) O livro, a ilustração e o diálogo dos signos Resumo: O livro infanto-juvenil contemporâneo, como um palimpsesto visual e criativo, esconde nos seus múltiplos códigos intricadas relações intersemióticas. O projeto gráfico, a ilustração, o encantamento, o jogo verbo-visual fazem dessas narrativas um entrelaçamento na galáxia de significantes que desenham os contornos sensíveis de um espaço produtivo de significações da leitura contemporânea e do mundo imaginário. Ler e ver nesse tapete tecido/narrativo por mãos alheias, reforçam que, através do jogo incessante dos signos, devemos virar o tecido do avesso e desmanchá-lo, desenredando as tramas desse bordado. Com essas premissas, e norteando-se por uma concepção abrangente do texto literário e do signo, - pautadas na semiologia barthesiana - esta leitura do livro como objeto artístico propõe, através da obra João por um fio (2005), de Roger Mello estabelecer relações interartes, de intertextualidade, de combinação e fusão de códigos que compõem a tessitura verbo-visual. Palavras-chave: Roger Mello; João por um fio; leitura; texto e ilustração Rodrigo Ruan Merat Moreno (UERJ/Educação. Graduando. IC.CNPq) Orientadora: Profa. Dra. Márcia Cabral da Silva Espaço Jovem Pesquisador A leitura dos jovens: entre práticas e condições de acesso Resumo: A leitura relacionada aos jovens é ainda assunto polêmico e contraditório. Leem pouco? Não leem? A pesquisa “A leitura do jovem: Concepções e Práticas” (Silva, 2006), realizada na cidade do Rio de Janeiro, toma a leitura como prática história, social e cultural (Chartier, 1996). Em uma das fases da mesma, foram aplicados 200 questionários a estudantes que cursam a formação de professores em um colégio estadual na zona sul do Rio de Janeiro, com vistas a compreender a posição de futuros educadores acerca da leitura. A partir do pressuposto delineado, este estudo busca compreender a relação que existe entre a condição financeira e a condição de ser leitor, com o intuito de observar se a relação da renda mensal com o número de pessoas que vivem na mesma residência impossibilita, ou não, o acesso ao livro. Vale ressaltar noções indicadas pela pesquisadora El Far (2006, p.28). Ela esclarece que, quando o livro chegou ao Brasil, poucos eram aqueles que tinham acesso pleno a esse suporte e às práticas de leitura: “Naquela época, fosse no ambiente requintado da corte ou no humilde recanto dos camponeses e trabalhadores pobres, um livro pode ser ainda objeto raro, era lido e relido várias vezes”. Palavras-chave: Juventude, leitura e condição financeira; práticas sociais de leitura Roger Chartier (Collège de France) Les nouvelles perspectives de l’histoire du livre As novas perspectivas da história do livro Palavras-chave: escrita, história do livro, história da cultura escrita, história da cultura impressa, leitura, livro: novas perspectivas de pesquisa Rosane Maria Nunes Andrade (Fundação Biblioteca Nacional) Coleção Marília Velloso Pinto: fonte de pesquisa para construção histórica da Biblioteca Nacional Resumo: O trabalho visa analisar a coleção Marília Velloso Pinto, abrangência de 1895 a 1967, existente na Divisão de Manuscritos como fonte de pesquisa para construção da trajetória histórica da Biblioteca Nacional. Nessa coleção estão arrolados telegramas, anotações pessoais, cartas, artigos de jornais, recortes de revistas, homenagens e discursos de Manuel Cícero Peregrino da Silva, diretor da Biblioteca Nacional (BN), no período de 1900 a 1924. Na sua gestão foi construído o atual prédio da BN na Avenida Rio Branco, cidade do Rio de Janeiro. Palavras-chave: Biblioteca Nacional; Coleção Marília Velloso Pinto; História institucional. Rosilene Alves de Melo (UFCG-Universidade Federal de Campina Grande - UFRJ. Doutoranda) Almanaques populares no Brasil: tradição, ciência e cultura Resumo: Esta pesquisa analisa a presença dos almanaques astrológicos destinados aos agricultores. Os almanaques sertanejos são produzidos no Brasil por editores independentes desde o final do século XIX e do ponto de vista editorial guardam muitas semelhanças com os folhetos de cordel. Estes livros trazem um repertório de saberes e discursos particulares que articulam a astrologia, as ciências ocultas, a medicina popular, o saber religioso e a observação da natureza. Vendidos nas feiras e mercados populares, os almanaques sertanejos permitem problematizar as mediações entre a natureza e a cultura, produzindo cosmologias e elaborando redes de significações sobre o mundo. Neste sentido, a pesquisa se propõe realizar uma etnografia buscando compreender as práticas relacionadas à edição e recepção, analisando como os editores e leitores fazem usos diversos, particulares e criativos desses textos. A partir dessas questões, a pesquisa busca analisar o lugar destes livros na história da edição popular no Brasil. Palavras-chave: Edições populares, manuais de astrologia, cultura popular, almanaques sertanejos Rozélia Bezerra (UFRPE-Departamento de Medicina Veterinária – FEUSP. Doutoranda) Deus e o diabo na terra do sol. Circulação e uso dos livros de leitura de Felisberto de Carvalho e de Abilio Cesar Borges (Barão de Macahubas) no Sertão de Pernambuco. Resumo: Na transição do século XIX para o XX, as escolas do Sertão de Pernambuco eram consideradas de primeira instância, por se localizarem muito longe do Recife. Eram vistas de importância menor, tendo, inclusive, programas diferenciados. Pela dificuldade de acesso a esses locais, questiono: Os livros didáticos circularam na Terra do Sol? Quais os autores dessas obras? Para responder a essas perguntas, usei, como método de pesquisa, o Paradigma indiciário, proposto por Ginzburg (1999). Assim, ao invés de analisar a legislação do ensino, a busca dos vestígios da circulação e uso dos livros didáticos teve como fonte de pesquisa a literatura autobiográfica (Bittencourt, 2008). Foram analisados livros de memórias de intelectuais (Barthes, 1987) que estudaram ou que exerceram o magistério nas escolas públicas situadas no Sertão de Pernambuco, no final do século XIX e nas primeiras décadas do XX. Através de seus relatos foi possível identificar, entre outros autores, a circulação e uso dos Livros de Leitura de Felisberto de Carvalho e de Abilio Cesar Borges, o Barão de Macahubas. Esses autores foram representados, ora como um deus, ora como um diabo. Através das fontes literárias foi possível, também, analisar a atuação dos professores, as práticas escolares e as práticas de leituras nessas escolas. Palavras-chave: Livros didáticos; autores; leitura; práticas escolares. Rutzkaya Queiroz dos Reis (Unicamp/IEL. Doutoranda) Da colaboração em periódicos para a formação de um nome literário: os caminhos do poeta Machado de Assis Resumo: O estudo de Abel Barros Batista A Formação do Nome – duas interrogações sobre Machado de Assis (2003) desvincula a figura do autor Machado da figura civil de Joaquim Maria Machado de Assis. Tal via de análise abre espaço para discussão do que seria a assinatura, ora nome de autor, ora nome de batismo, e cidadão, nome de batismo, somente. Nessa visada, o estudo que aqui se propõe, diferente da perspectiva do estudioso, que se centrou na obra romanesca, detém seu olhar no primeiro Machado de Assis, o poeta, que publicou em 1855 seus versos no Periódico dos Pobres. Não obstante, estende-se até a última colaboração do poeta com os periódicos da época, para vislumbrar a formação de um nome literário, de um leitorado, e de posturas editoriais que narram uma parte da história da imprensa no Brasil. Palavras-chave: Literatura brasileira, poesia, história da leitura, história da imprensa, periódicos século XIX, Machado de Assis Sabrina Sedlmayer (UFMG) A antologia ou as políticas da memória Resumo: Na passagem do último milênio, um boom de edições comemorativas, envoltas em uma coesa malha mercadológica, prometeu oferecer o passado no presente. A fórmula editorial, desde os Oitocentos, é bastante conhecida: a antologia, espécie de mapa supostamente fundamental para se entender uma produção literária e cultural, uma amostra representativa e exemplar, sempre metonímica, de um corpus maior. A partir da análise da antologia Poetas novos de Portugal, de autoria de Cecília Meireles, este trabalho pretende discutir certa tensão inerente ao gesto de seleção: a impossibilidade de uma escolha totalizadora e objetiva da produção literária de um determinado contexto (seja ele um país, época, espaço, assunto, geração, grupo ou estilo), junto à necessidade, mesmo que precária e contingente, de se efetuar uma amostra representativa e exemplar, capaz de vencer distâncias culturais, espaciais e temporais. Palavras-Chave: antologia, Cecília Meireles, memória Sandra Batista de Araujo Silva (UFPE. Mestranda. CNPq) Maria Emília Lins e Silva (UFPE. Docente) Ana Maria de Oliveira Galvão (UFMG. Docente) Impressos religiosos pentecostais e cultura escrita: uma abordagem inicial sobre a revista “Lições Bíblicas” da Escola Dominical e o jornal “Mensageiro da Paz” (Brasil, 1935-1945) Resumo: O objetivo desta comunicação é discutir sobre alguns impressos da igreja representante da religiosidade pentecostal “clássica”, a Assembléia de Deus, publicados pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) do Rio de Janeiro/RJ, enquanto fontes de investigação potenciais para estudos sobre a relação entre pentecostalismo e história da leitura, da cultura escrita e do impresso no Brasil. Dentre os vários impressos localizados no acervo e na biblioteca da CPAD, abordaremos, particularmente, a revista “Lições Bíblicas” e o jornal “Mensageiro da Paz”, referentes aos anos de 1935 a 1945, procurando discutir, segundo os pressupostos da história cultural e da cultura escrita, as especificidades, as limitações e as potencialidades dessas fontes. O que se pode inferir até o presente momento, por meio de uma descrição bastante ampla da materialidade dos suportes e de seus textos, é que a revista e o jornal pretendiam “ações educativas” que visavam uma moral, uma ética, uma conduta e um modo de vida dos seus sujeitos leitores visados - adultos e crianças; no entanto, essas “ações” parecem apresentar certas especificidades relacionadas ao modo (estratégias) de produção dos textos - associado à oralidade - e dos suportes - destinados a uma cultura religiosa, a princípio, popular. Palavras-chave: Impressos religiosos pentecostais; história da cultura escrita; oralidade; revista “Lições Bíblicas”; jornal “Mensageiro da Paz”; Brasil: anos de 1935 a 1945. Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos (USP/FFLCH) Uma revista entre três mundos Resumo: Esse trabalho discute o tema das transferências culturais entre França e Brasil no século XIX, tendo como objeto a crítica literária produzida por Philarète Chasles ao longo de cerca de duas décadas. Anglófono e anglófico, esse homem de letras francês dedicou grande parte de sua colaboração à Revue de Deux Mondes ao exame da produção britânica com o propósito de torná-la conhecida entre os leitores franceses. Nessa tarefa, de modo involuntário, acabou também por desempenhar um importante papel de mediação cultural entre os três países, pois a circulação e o prestígio dessa revista cultural no Rio de Janeiro oitocentista possibilitaram ao crescente público leitor brasileiro acesso à informação e avaliação crítica de romances em língua inglesa que também haviam passado a circular na capital do Império. Palavras-chave: França e Brasil: relações culturais, Século XIX, Philarète Chasles, Revue de Deux Mondes, romances ingleses, Inglaterra, França e Brasil Sandra Medeiros (UFES-Centro de Artes) Célula Tipográfica, uma experiência que subverte Resumo: Este artigo pretende mostrar uma experiência inédita que vem se desenvolvendo, desde 2005, no Centro de Artes (CAR) da Universidade Federal do Espírito Santo, e que reúne estudantes e ex-estudantes do curso de Desenho Industrial da mesma universidade, tipógrafos visitantes, professores, profissionais especializados e autodidatas com o objetivo de colocar em prática os conhecimentos teóricos de design gráfico, especificamente projeto e edição de livros. A iniciativa subverte na medida em que muda a forma como se desenvolve o aprendizado no CAR, formando uma união indissociável entre cultura acadêmica e cultura laica. Para tanto foi instalada uma estante de tipos móveis numa sala de aula, são realizados encontros periódicos em que se exerce a prática do desenho de letras, de composição com tipos móveis, de encadernação. A impressão é viabilizada em máquinas tipográficas desativadas pertencentes a pequenas gráficas de Vitória. Periodicamente a Célula promove oficinas de caligrafia oriental oferecidas por professores ou alunos de universidades japonesas, além de palestras e seminários que são abertos ao meio acadêmico e à comunidade. Palavras-chave: tipografia, edição, ilustração, design Sandra Reimão (Metodista) Ditadura Militar e censura a livros – Brasil, 1964-1985 Resumo: A censura oficial do Estado em relação filmes, peças teatrais, discos, apresentações de grupos musicais, cartazes e espetáculos públicos em geral no Brasil, destacadamente a partir de 1967, durante a Ditadura Militar (1964-1985), era feita pelo Ministério da Justiça (MJ) através do Serviço de Censura e Diversões Públicas (SCDP), setor do Departamento de Censura e Diversões Públicas (DCDP). A partir de 1970, livros e revistas também passaram a ser examinados pelo DCDP. Os documentos remanescentes desse Departamento encontram-se atualmente no Arquivo Nacional em Brasília. Este estudo busca entender o conjunto as ações desse Departamento no que diz respeito a livros, especialmente os livros de autores brasileiros. Verifica-se que a censura a livros por parte do DCDP foi maior durante o Governo Geisel (março de 1974 a março de 1979), especialmente no final desse governo, quando a maioria dos jornais e revistas estava sendo liberada da presença da censura prévia nas redações. Conclui-se que a censura a livros, durante a Ditadura Militar, apresenta uma dinâmica diferente da censura à imprensa periódica. Busca-se entender essa especificidade. Palavras-chave: livros, censura, Ditadura Militar no Brasil. Sara Cavalcanti Pinto Bandeira (UFPB/Letras. Graduanda. IC-CNPq) Socorro de Fátima Pacífico Barbosa (UFPB/CNPq) Espaço Jovem Pesquisador A influência francesa nas escolas da Província da Paraíba no século XIX Resumo: O projeto Uma história da Leitura: os livros didáticos na Paraíba no Segundo Reinado incide sobre a história dos livros escolares e a sua utilização nas escolas paraibanas no século XIX. Este trabalho tem por objetivo mostrar a utilização de compêndios franceses nas escolas paraibanas no referido século, bem como a sua importância na educação das crianças. A obtenção destes dados se deu através de fontes primárias como os Relatórios dos Presidentes da Província da Paraíba, e as Leis e Regulamentos da Instrução da Paraíba no Período Imperial. Nosso suporte teórico sobre a História da Leitura é Ana Maria Galvão (2003), Socorro Barbosa (2007), Marisa Lajolo e Regina Zilberman (1996), referentes aos aspectos relacionados à produção, circulação e recepção do texto escrito em contextos escolares e não-escolares. Através deste trabalho concluímos que a influência dos compêndios franceses nas escolas paraibanas acontecia de forma tão constante como no restante do país, assim como a sua grande utilização na educação das crianças se dava através de livros de cunho moral (principalmente livros de leitura e religiosos) que serviam para o ensino dos bons costumes para as crianças. Palavras-chave: Compêndios escolares, História da Leitura, Século XIX. Sérgio Fabiano Annibal, ver: Raquel Lazzari Leite Barbosa Silvia Asam da Fonseca (PUC-SP/EHPS. Doutoranda) A Biblioteca do Espírito Moderno: uma Biblioteca de “civilização e cultura” para o “leitor médio” Resumo: A coleção “Biblioteca do Espírito Moderno” da Companhia Editora Nacional surgiu de um projeto editorial de Monteiro Lobato e teve como primeiro editor o educador Anísio Teixeira. Seu objetivo era, segundo palavras de Anisio Teixeira em 1936, a nutrição intelectual porque “Quando não há nutrição intelectual é indispensável logo depois dietas especiais – e temos Itália e Alemanha e Rússia... Ora, a nutrição de hoje é o pensamento elaborado à vista do avanço das ciências e da democracia... A coleção serviria pois de alimentos dessa espécie. Coleção de civilização contemporânea. Para dizer os corolários da ciência e da democracia.” Nesse trabalho pretendo analisar os primeiros títulos da série, salientando a concepção de cultura e a seleção temática que transparece na escolha dos títulos, na apresentação dos catálogos, na propaganda da coleção e nas cartas que a Companhia Editora Nacional trocava com agentes literários e editoras estrangeiras, além dos livros da coleção em seus dispositivos de leitura destinada ao “leitor médio”, ou seja, aquele que frequentou a escola secundária mas não o ensino superior. Para essa análise, utilizo o conceito de representação (Chartier), de dispositivo (Foucault) e de estratégia (Certeau). Palavras-chave: História editorial, Companhia Editora Nacional, Coleção Harry Porter: campos editorial e literário, crítica e relação com os leitores Resumo: O que aqui se apresenta é parte de uma reflexão mais geral sobre Harry Potter, a série de livros da escritora britânica Joanne Kathleen Rowling, publicada originalmente pela editora Bloomsbury Publishing Plc, a partir de 1997; traduzidos para inúmeros idiomas e divulgados e consumidos, mundialmente, pelas estratégias de mercado de bens simbólicos, os sete volumes vêm sendo editados no Brasil, pela Rocco, entre os anos de 2000 e 2007. Os objetivos da análise são: conceber o livro como parte inclusiva de um sistema mais geral de produção da cultura na contemporaneidade e encará-lo como objeto estratégico dentro dos campos editorial e literário, da história das editoras e do mercado de bens simbólicos; e compreender como a série Harry Potter aporta no Brasil, criando uma dinâmica particular que envolve a produção dos livros, a organização das editoras, a mobilização da crítica e dos educadores e a relação com os leitores. Palavras-chave: Harry Porter, campo literário, mercado de bens simbólicos, cultura contemporânea, campo editorial, história das editoras Simone Xavier de Lima (UFRJ. Educação. Mestranda) Cláudia Pimentel (UFRJ. Educação. Doutoranda) Patrícia Corsino (UFRJ. Docente) Projeto de Livro e Leitura no município de Nova Iguaçu: questões e tensões Resumo: Este trabalho, que tem como objetivo discutir a política de livro e leitura desenvolvida pela SME de Nova Iguaçu, analisa parte dos dados gerados na pesquisa Programa Nacional de Biblioteca na Escola-PNBE-2005: seleção, escolha, acesso e apropriação do acervo em escolas do Estado do Rio de Janeiro, coordenada pelas professoras Patrícia Corsino e Ludmila Thomé de Andrade, no Leduc-UFRJ. As entrevistas com os responsáveis pelos projetos de livro e leitura em Nova Iguaçu e as falas de professores, que atuam nos anos iniciais do EF e no projeto de incentivo à leitura, enunciadas nos dois grupos focais realizados trouxeram à tona questões e tensões no processo de implantação de espaços para o livro e a leitura no município, apontando questões para se pensar a formação do professor-promotor de leitura na escola. Tendo como pressuposto a relação entre livro e escola (Soares, Zilberman, Lajolo, Paulino et alli), entendemos que uma política de livro e leitura exige discussões sobre a concepção dos espaços de bibliotecas, composição dos acervos, bem como dos projetos de promoção da leitura entre leitores em formação, especialmente quando se tem como horizonte o texto literário como possibilidade de encontro entre leitor e leitura. Palavras-chave: políticas públicas; livro; leitura; literatura infantil; formação do leitor. Os intermediários da leitura na Paraíba do oitocentos: livreiros e tipógrafos Resumo: Na Paraíba, a presença dos jornais e periódicos foi tão marcante no século XIX quanto no resto do país. De uma forma geral, os periódicos foram os principais responsáveis pela circulação e divulgação da cultura escrita, pois além do suporte jornal, as tipografias fabricavam outros impressos, inclusive os livros. Neste sentido, como têm demonstrado vários estudos, por trás desses periódicos, havia quase sempre aqueles “intermediários esquecidos”, que eram os tipógrafos comprometidos com a divulgação e difusão do saber, homens de letras do seu tempo. Alguns deles encarnavam também a função de livreiros, vendendo, anunciando, produzindo e divulgando o saber na Província. Dando ênfase a José Rodrigues da Costa e Manoel Henrique de Sá, este trabalho tem como objetivo tornar visível o papel que estes homens, suas lojas e tipografias desempenharam na divulgação da cultura escrita da Paraíba. Palavras-chave: Paraíba: século XIX, Paraíba: história editorial, intermediários da leitura, tipógrafos, livreiros, cultura letrada Sonia Monnerat Barbosa (UFF-Instituto de Letras) Edições de Textos Infantis e Juvenis Resumo: Por meio de recorte que pode ser caracterizado como apresentação de casos de edições brasileiras de obras literárias para crianças e jovens, a comunicação tem por objetivo apontar questões presentes em linha de ensino e pesquisa desenvolvida na pós-graduação lato sensu em Literatura Infanto-Juvenil, na UFF. Em particular, são examinadas obras publicadas a partir de editais governamentais, integrantes do projeto “Literatura em minha casa” (PNBE/FNDE, 2001 – 2003, distribuição até 2004), confrontando-as com outras edições dos mesmos textos. O trabalho, apoiado em referências teóricas sobre a escrita da História da literatura (Schmidt, 1985) e História da literatura empírica (Ort, 1996), toma em consideração e ressalta aspectos da materialidade das edições consideradas, concentrando-se em cotejar edições, de um mesmo texto verbal, que se distinguem por apresentarem alterações em formatos tipográficos (manchas, divisões, fontes, espaçamentos) e ilustrações (ausência ou usos diferenciados). O trabalho propõe, como tópico final para reflexão, questões sobre possíveis produções diferenciadas de sentidos, no ato da leitura, conforme variem os suportes portadores de um mesmo texto verbal. Palavras-chave: Edições; literatura infantil e juvenil; história da literatura; leitura; “Literatura em minha casa”. Susana Cecília Igayara (USP-ECA. Docente. FEUSP. Doutoranda) As Coletâneas de Canções Brasileiras (1907-1967) na história do livro e da leitura Resumo: Este trabalho concentra-se nas coletâneas de canções publicadas no Brasil entre os anos de 1907 e 1967, analisadas como uma produção cultural e editorial com contornos particulares. As coletâneas de canções que são estudadas não formam um conjunto totalmente homogêneo, mas têm em comum o fato de repertoriarem canções e permitirem tanto uma discussão desta produção no âmbito de uma história do livro e das práticas de leitura como a verificação da presença deste tipo particular de livro numa história editorial brasileira. Este estudo também procura analisar a presença das coletâneas de canções como livro didático e como espaço de investigação no campo musical brasileiro do século XX. Através das advertências, prefácios, explicações e recomendações, são encontrados índices das práticas culturais musicais associadas a estes impressos, além de numerosas representações que exemplificam os leitores imaginados pelos autores e editores. Apresenta uma listagem em anexo e permite verificar as principais casas editoras de material musical e os autores que se dedicaram ao tema. Com objetivos e motivações diversas, boa parte das coletâneas de canções publicadas no Brasil nesse período dedica-se ao repertório infantil e à prática escolar. Palavras-chave: História do livro; práticas de leitura; música; coletâneas de canções; canção brasileira; história da educação. Tânia Maria Bessone da C. Ferreira (ver: Lúcia Maria Bastos P. Neves e Tânia Maria Bessone da C. Ferreira) Tania Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira (UERJ/CNPq/Pronex) Reverenciando as letras: livros e periódicos como espaços de consagração Palavras-chave: Livros e periódicos, espaços de consagração, sociabilidades intelectuais, história do livro e da leitura, Brasil século XIX Un hommage aux lettres : livres et périodiques comme espaces de consécration Tânia Mara Pedroso Müller (UFF-Faculdade de Educação) O livro Compêndio de Chorographia do Brasil de Mario Vasconcellos da Veiga Cabral de 1916: conteúdo e contexto Resumo: Este texto tem como intenção analisar o conteúdo do "Compêndio de Chorographia do Brasil", de Mario V. da Veiga Cabral, editado por Jacintho Ribeiro dos Santos, em 1916. O estudo é relevante, pois embora tenha sido sistematicamente criticado por sua visão positivista de história e seu enfoque fortemente descritivo, foi adotado pelos Colégios Pedro II, Militar e Instituto de Educação no Rio de Janeiro e, posteriormente, utilizado por diferentes escolas brasileiras, reeditado quase anualmente e ter servido de referência para formação dos alunos secundaristas até a década de 60. O livro didático brasileiro teve um grande incentivo no início do século, pois era visto como responsável pela formação dos sentimentos nacionalistas defendido pela República. A análise sistemática do livro permite pensá-lo como propagador de ideais que, juntamente com as imagens nele veiculadas, ajudaram a consolidar uma determinada visão de história do Brasil seu povo. Foi nosso propósito verificar, portanto quais os conteúdos priorizados, abordados e defendidos, relacionando-os ao contexto sócio-histórico de sua publicação. Trata-se de uma pesquisa histórica documental, que tomou por base principalmente os estudos de Circe Bittencourt (2008), Roger Chartier (1990) e Andre Chervel (1988). Palavras-chave: Livro didático; ensino de História; memória e história Teodoro Koracakis (Finep) Uma História em Processo: a Companhia das Letras de 1986 a 2006 Resumo: Este trabalho pretende fazer uma reconstituição da trajetória da editora Companhia das Letras percorrida nesses seus primeiros 20 anos de atividades editoriais, completados em 2006. Ao surgir, traz como novidade um projeto editorial que diz pretender conciliar profissionalismo com a relevância cultural e literária das obras a serem publicadas, ou seja, se autodefine pela união das dimensões empresarial e cultural: a Companhia e as Letras. Examinaremos de que modo este binômio se estabelece e como a Companhia das Letras marca o campo editorial brasileiro na virada do século XX para o XXI, tornando-se uma possível indicação de qualidade para os livros que edita e uma possibilidade de consagração literária e lucros financeiros para os seus autores. Palavras-chave: editoras brasileiras, vida literária, história editorial, Companhia das Letras Tereza Paula Alves Calzolari (UFRJ. Doutoranda) As marcas da oralidade na escritura de Corpo de baile Resumo: A obra mundialmente conhecida de Guimarães Rosa tem no transitar entre o popular e o erudito, o oral e a escrita, uma de suas características determinantes. Por meio dessa fusão, o autor transpõe e recria na ficção, na figura do sertanejo do interior dos Gerais, os medos e incertezas humanos, no que diz respeito à compreensão de si mesmo e do mundo. Nosso trabalho objetiva analisar a presença da oralidade em Corpo de baile (1956), a partir de “Campo Geral” e “Uma estória de amor”, a primeira porque “contém, em germe, os motivos e temas de todas as outras” (Rosa, 2003, 91), a segunda porque “trata das ‘estórias’, sua origem, seu poder” e do “papel, quase sacerdotal” (idem) de seus porta-vozes. Para tal, recorreremos aos contributos de Paul Zumthor e Câmara Cascudo, dentre outros. Palavras-chave: escritura; oralidade; Corpo de baile; Guimarães Rosa Thabatha Aline Trevisan, ver: Maria do Rosário Longo Mortatti et al. Thatiane Abreu (UERJ. História. Graduanda. IC/CNPq) Orientadora: Profa. Dra. Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira (UERJ-CNPq) Espaço Jovem Pesquisador Quebrando o silêncio em busca da liberdade: memória e luta das escritoras Carolina Nabuco e Narcisa Amália Resumo: O trabalho tem por objetivo a análise das práticas de leitura e obras da poetisa e jornalista Narcisa Amália e da escritora-memorialista Carolina Nabuco, em fins do Oitocentos e início do século XX. Através desse exame busca-se recuperar as práticas de leitura das mulheres da época, e também da escrita feminina, destacando a escrita autobiográfica com suas memórias e ausências, e ainda as lutas das mulheres por seus direitos e liberdades. E é através de cada uma dessas escritoras, com seus pontos de aproximação e afastamento, que se procura resgatar as mulheres do silêncio que por muito tempo estiveram submetidas, silêncio da fala, dos gestos, das expressões e da escrita. Além da história social e política, o trabalho também se baseia na história cultural - com Roger Chartier e Robert Darnton e suas histórias do livro e da leitura -, e de gênero - com a história das mulheres de Michelle Perrot -, pois a história cultural passou a valorizar grupos particulares, originando trabalhos de gênero. A história política e a história cultural possibilitam a análise das maneiras de socialização e do papel dos meios de comunicação em evidenciar os movimentos dos atores históricos na sociedade. Palavras-chave: Carolina Nabuco; Narcisa Amália; práticas de leitura; poesia; escrita autobiográfica Valentina da Silva Nunes (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC). Doutoranda. Maysa, entre a espetacularização e a sacralização. Do particular, íntimo e transitório para o público e erudito. A migração dos arquivos pessoais da artista popular para o universo do livro Resumo: A cantora e compositora Maysa (1936-1977) foi também uma autoarquivista contumaz. Embora mais conhecida por sua densa interpretação das canções comerciais de fossa que marcaram a MPB nos anos 1950 e 60 – a maioria falando de amor –, Maysa produziu na intimidade uma grande quantidade de escritos pessoais. São diários, cadernos, papéis avulsos e cartas, em suma, variados exercícios de escrita de si – manuscritos ou datilografados –, em que ela revela sua secreta ambição literária, compondo sobretudo poemas. Preservados pela família por mais de 30 anos, parte desses textos – e também imagens – compõe o livro Maysa, uma fotobiografia poética, lançado em 2008, por uma editora de São Paulo, às vésperas da minissérie homônima exibida pela televisão. A migração para um livro desses textos marcadamente transitórios, fragmentários, dispersos, próprios do universo privado, íntimos embora revelando indícios de espetacularização de si, mas todos de autoria de Maysa, personagem do cenário popular a compor poemas, é o objeto de análise deste ensaio. A partir de leituras de pensadores como Michel Foucault, Walter Benjamin, Jacques Derrida, Philippe Lejeune, Guy Debord e Didi-Huberman, entre outros, interessa pensar os mecanismos de produção dessa obra – que textos foram escolhidos? Que tratamento receberam? O que ficou de fora? – como indícios de esforços póstumos para a monumentalização da artista popular, para a sua sacralização e inclusão, por meio do livro, no mundo da erudição. Palavras-chave: Maysa, arquivos pessoais, espetacularização, público-privado, popular-erudito. Valéria Augusti (Universidade Federal do Pará - UFPA/FAPESPA) O livreiro e o Gabinete: considerações sobre uma parceria comercial Resumo: Aos 8 anos de idade, o português Antonio Maria Pereira tornava-se aprendiz do ofício de livreiro-encadernador na Casa dos Vinte e Quatro, em Lisboa. Em 18 de agosto de 1848, abria, na mesma cidade, um estabelecimento para venda e encadernação de livros. Esse era o início de um empreendimento editorial que, envolvendo sucessivas gerações da mesma família, seria responsável pela publicação de um sem número de autores, entre eles Camilo Castelo Branco e Fernando Pessoa. Do outro lado do Atlântico, fundava-se, em 1867, o “Gremio Litterario Portuguez”, na Província do Pará. Entidade de “caráter cultural”, pretendia instruir os associados nas línguas nacional e estrangeiras, bem como proporcionar-lhes distração por meio de uma biblioteca escolhida. Foi justamente essa biblioteca a responsável por fazer cruzarem os caminhos do livreiro português Antonio Maria Pereira com os do gabinete de leitura recém fundado. É dessa parceria, estabelecida em 1868, que tratará a presente comunicação, uma vez que dela resultou parcela significativa das obras que ainda hoje constituem o acervo do gabinete de leitura, atualmente conhecido como Grêmio Literário e Recreativo Português. Para discuti-la, serão utilizadas como fontes primárias as correspondências trocadas entre o livreiro e o gabinete, bem como as listas de envio de livros que as acompanharam. Palavras-chave: mercado editorial; livrarias; gabinetes de leitura; século XIX Vânia Leite Fróes - UFF Do cordel à Copilaçam - a longa história das edições do teatro de Gil Vicente (séculos XVI-XVIII) Resumo: A consolidação e as edições dos textos do teatro de Gil Vicente, considerado por muitos o criador do teatro português, merece atenção especial dos estudiosos e pode ser tomada como verdadeiro paradigma na história material dos livros na Península Ibérica. As primeiras versões são editadas em cordel. A quantidade delas e a diversidade dos lugares em que foram encontradas revelam a enorme circulação que tiveram. Exemplares destes folhetos existem em muitos arquivos europeus, com imagens que inscreveram nos impressos a riqueza dos personagens e das encenações vicentinas. A Copilaçam, conjunto de todas estas obras é editada pelo filho do dramaturgo, Luis Vicente, com privilégio régio e licença do Santo Oficio, quase três décadas após a sua morte. Mudanças profundas foram feitas em muitos dos textos. Apesar de ainda em vida, o autor ter organizado parte de seus escritos (e das dificuldades de fazê-lo dá conta em seus depoimentos), a edição completa atualizou o material para uma época de profunda repressão que a era vicentina não conhecia. Desde que a Inquisição instalou-se em Portugal, ainda no século XVI e depois no XVII e XVIII, este material consta dos índices deste Tribunal. Muitos estudos atuais revelam a implacável ação censória sobre eles bem como os subterfúgios usados pelos editores para exercerem seu ofício. Assim, a pesquisa das singularidades deste material tem grande importância para a história editorial portuguesa. Palavras-chave: Gil Vicente, edições do teatro vicentino, teatro português, história material dos livros, história editorial portuguesa, Inquisição e censura Walmira Costa (Universidade Nova de Lisboa. Mestranda) História da produção do livro de irmandades religiosas em Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX: breve estudo sobre os materiais, técnicas e artífices Resumo: Neste trabalho apresentamos resultados de pesquisas sobre a história da produção dos Termos de Compromisso de irmandades religiosas em Minas Gerais no século XVIII, especificamente no que se refere às técnicas e materiais utilizados pelos artífices. Para tal, foram consultadas diversas fontes impressas e manuscritas, além de livros de importantes pesquisadores como Maria Beatriz Nizza da Silva e Caio Boschi. A forma como estes códices foram produzidos é muito representativa para estudos relativos à História do Livro no período colonial em Minas Gerais. Nesse sentido, foi possível constatar desde o tímido conhecimento dos artífices sobre a imprensa, passando por um domínio mais técnico da arte da encadernação, e chegando a um uso mais refinado da arte da ilustração. Palavras-chave: irmandades mineiras, artífices, materiais e técnicas, iluminuras, Termos de Compromisso, arte colonial, história do livro. |