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Pré-seminário e II Lihed: Textos e resumos das exposições (conferências, palestras, comunicações) (Ordenados por prenome de autor)
Le livre fragmenté et le lecteur néophyte : l’exemple des romans de colportage O livro fragmentado e o leitor neófito : o exemplo dos romances de entregas Palavras-chave: Espanha: romances em fascículos, folhetins, neoleitores, discurso editorial, objeto impresso. Jean-François Botrel (Université Rennes2) Imprimés, lecteurs et culture écrite en Espagne au XIXe siècle Impressos, leitores e cultura escrita na Espanha no século XIX Palavras-chave: Espanha: História editorial, Espanha: história da leitura; História da edição e da leitura: tendências atuais nas pesquisas. Pour une histoire culturelle de l’imprimé dans l’Espagne du XIXe siècle : l’invention des sources Para uma história cultural do impresso na Espanha do século XIX : a invenção das fontes Palavras-chave: tipologia de fontes do historiador, história cultural do impresso, invenção das fontes, Espanha: século XX, cultura escrita L’histoire du livre et de l’édition, un observatoire privilégié de l’univers mental des hommes du XVIIIe au XXe siècle A história do livro e da edição, observatório privilegiado do universo mental dos homens dos séculos XVIII a XX Palavras-chave: história do livro, história editorial, práticas culturais letradas, livros: circuitos populares, França: práticas de leitura Jean-Yves Mollier (Centre d’histoire culturelle des sociétés contemporaines/Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines) Livre et lecture en France des années 1950 à 2008 Livro e leitura na França dos anos 1950 a 2008 Palavras-chave: França: História do livro e da leitura; Paradigmas epistemológicos; práticas de pesquisa; práticas leitoras; História da História do Livro; La relation auteur-éditeur dans les correspondances de la maison Calmann-Lévy au XIXe siècle A relação autor-editor na correspondência da editora Calmann-Lévy no século XIX Palavras-chave: editora Calman-Levy (França), França: século XIX, França: IMEC, história editorial, documentação editorial, editores e vida literária Academia Brasileira de Letras, patrocínio oficial e concursos literários durante a República Velha Resumo: Durante a República Velha foi constante a reclamação, por parte dos mais destacados literatos, de que a literatura brasileira sofria de um déficit de atenção, fruto, em boa medida, do analfabetismo popular e da falta de interesse público pelas artes e pela cultura. Surgindo neste contexto, a Academia Brasileira de Letras tentou ser a viga mestra da proteção e do patrocínio às letras. Ao mesmo tempo, a ABL enfrentava o paradoxo de se propor agente maior de concessão do mérito literário ao mesmo tempo em que procurava patrocínio oficial e submetia sua imagem externa a uma forte vinculação com o Estado. Cotejando o projeto acadêmico para a edição de obras, os trabalhos em prol da publicação de dicionários e revistas e os prêmios literários conferidos, é possível analisar parte do campo literário da República Velha a partir dos papéis do mecenato e da tentativa de construção de uma esfera social para a literatura brasileira. Palavras-chave: Academia Brasileira de Letras, mecenato, campo literário, prêmios literários, literatura brasileira, edições da Academia. Jocilene Pereira Lima (UFPB/Letras. Graduanda. IC/CNPq) Socorro de Fátima Pacífico Barbosa (UFPB/CNPq) Espaço Jovem Pesquisador Uma História da Leitura: A Virtude e a Moral em História de Simão de Nantua Resumo: Este estudo tem como objeto de análise o compêndio História de Simão de Nantua, de Laurent Pierre de Jussieu, que foi adotado na Paraíba em 1848 e 1850. A análise se pautará sobre o conteúdo da moral e da virtude, em Aristóteles, em autores do Iluminismo, como Rousseau, Voltaire e autores do próprio século XIX, como Pedro Blanchard e Leprince Beaumont. Estudando esses autores temos o objetivo de discutir os conceitos de moral e virtude, com a finalidade de correlacionar esses conteúdos com livro estudado. Utilizaremos o conceito de representação em Roger Chartier (1990), em sua articulação com os conteúdos escolares do Império brasileiro, para que assim possamos fazer reflexões entre esses conteúdos. Este trabalho se constitui como parte integrante da pesquisa Uma História da Leitura: os Livros Didáticos na Paraíba no Segundo Reinado, a qual tem como fonte os Relatórios de Presidentes da Província Paraibana. Palavras–chave: Século XIX; História da Leitura; História de Simão de Nantua; moral e virtude. Editoras universitárias: academia ou mercado? Reflexões sobre um falso problema Resumo: O texto procurará refletir sobre a história das editoras universitárias brasileiras, suas origens e seu lugar na estrutura e nos objetivos das universidades, sua visão do mercado e a visão que o mercado tem sobre elas. Buscará enfocar, principalmente, os últimos anos desta atividade editorial e o esforço conjunto, por intermédio da Associação Brasileira de Editoras Universitárias, para conquistar um nível excelente de profissionalização e de reconhecimento por parte do público leitor e da própria academia. Palavras-chaves: Editora universitária; universidade; texto acadêmico; academia. José Maurício Saldanha Álvarez (UFF) Operação de caça furtiva: Candide, obra construída a partir da leitura de livros escritos sobre o Brasil do século XVI e seus indígenas Resumo: Debateremos a visão que o festejado autor europeu das Luzes, Voltaire, teve da América na escritura de sua obra Candide ou l’optimisme. Empregando a noção da leitura como operação de caça furtiva de Certeau, sugerimos que as três fontes prováveis para a configuração da América e dos ameríndios provem de livros redigidos no século XVI sobre o Brasil, sendo o primeiro da autoria do protestante Jean de Lery, o segundo elaborado pelo católico Andre Thevet, cada um dando conta da alteridade de maneira diferente. A terceira fonte é da autoria de Anthony Knivet, aventureiro britânico que denunciou a violência do processo colonial e da reificação dos sujeitos ultramarinos, ressaltando o caráter maravilhoso e aterrador da natureza americana. Em segundo lugar, debateremos como essas obras serviram de base para a escritura do Candide, aonde Voltaire elaborou atos de imaginação ativa e reflexiva para a fruição do leitor dos círculos das Luzes. Finalmente, desde essa possível inseminação americana, veremos como desde as fronteiras entre o literário e o político, entre o político e o cultural, articuladas num processo reflexivo e dialético quando a obra adquire o estatuto de instrumento discursivo e intelectual de conhecimento da realidade e de auto-reconhecimento no contexto anunciador da dupla revolução. Palavras-chave: Maravilhoso; alteridade; viajante; Iluminismo; autoria, leitura Impressão Régia: seu significado e suas realizações Resumo: Momento de consolidação do Brasil como país independente. Importância do gesto do Príncipe Regente D. João, trazendo a Impressão Régia e extinguindo a posição de atraso brasileiro no contexto mundial. Preocupação com qualidade e amplitude dos assuntos abrangidos pela editora. Descrição e comentários de itens mais destacados. Palavras-chave: Independência cultural; significado político; produção editorial, história editorial brasileira, D. João VI. José Ricardo Oriá Fernandes (FEUSP. Doutorado) Do Coração ao Cazuza: os cânones da literatura escolar brasileira (1891-1938) Resumo: Numa concepção mais ampla do que seja o livro didático ou escolar (Alain Chopin, Augustín Escolano), a comunicação objetiva analisar os livros de leitura e/ou infantis que se tornaram verdadeiros cânones literários na escola brasileira nas três primeiras décadas republicanas. A partir dos relatos de memorialistas e autobiografias, bem como das sucessivas edições no contexto do mercado editorial, constata-se que algumas obras se tornaram best-sellers e contribuíram para uma determinada visão ufanista do país, consentânea com a identidade nacional que se pretendia forjar na infância brasileira. Entre os livros, podemos citar, em primeiro lugar, a tradução de um clássico da literatura infantil Coração de Edmundo de Amicis – obra que serviu de inspiração a autores nacionais produzirem livros de conteúdo similar. É o caso de Viriato Corrêa e seu célebre Cazuza. Inaugurando a fase nacionalista da literatura infantil brasileira (Marisa Lajolo), temos alguns livros clássicos (Ítalo Calvino), a saber: Por que me ufano do meu País de Affonso Celso; Contos Pátrios e A Pátria Brasileira, ambos da dupla Olavo Bilac-Coelho Neto; Através do Brasil, de Olavo Bilac e Manoel Bomfim. Daremos destaque ao livro Cazuza, em que o autor narra suas experiências de aluno no interior do Maranhão, fazendo críticas ao modelo tradicional de ensino e mostrando aspectos importantes da cultura escolar brasileira (Dominique Julia), em meados do século XIX (sabatinas, uso da palmatória, castigos morais, exercícios de caligrafia, entre outros). Palavras-chave: Livro didático; cânone literário escolar; cultura escolar; identidade nacional Juçara Luzia Leite, ver: André Luiz Bis Pirola Juliana Miranda Filgueiras (PUC-SP/EHPS. Doutoranda) A política do livro didático na Ditadura Militar: a avaliação da Colted. Resumo: A presente comunicação tem por objetivo analisar a política de seleção dos livros didáticos realizada pela Colted, durante a ditadura militar no Brasil. Por ser portador da definição e distribuição do conhecimento considerado legítimo, o livro didático é a forma visível para o público das intenções e conhecimentos ensinados pela escola. Os manuais são fundamentais no processo de escolarização e constituem ferramentas de unificação e uniformização cultural. Pesquisadores como Choppin, Bittencourt e Munakata, enfatizam a importância de seu estudo para a história da Educação. Ao estabelecer o processo de avaliação e autorização dos livros didáticos, o Estado pretendeu exercer o controle sobre a produção dos livros, resultando na intervenção e controle sobre o currículo e sobre as disciplinas escolares. Utilizando como fontes a legislação do período e os documentos internos da Colted a comunicação procura fazer uma análise do processo de avaliação dos livros didáticos. O estudo identificou que a política do livro didático do governo militar pretendeu incentivar e regular o mercado editorial brasileiro e atender o novo público escolar. As avaliações tinham o objetivo de padronizar os manuais escolares baseados nas renovações pedagógicas divulgadas na época, com a introdução de novas técnicas e métodos de ensino. Palavras-chave: Livro didático; políticas públicas; avaliação; Ditadura Militar; Colted. Kátia Gardênia Henrique da Rocha Campelo (UFMG/FaE/Ceale. Doutoranda) Francisca Izabel Pereira Maciel (UFMG/FaE/Ceale. Docente) O processo de circulação de manuais escolares e suas implicações na história do ensino primário mineiro (1930 a 1945) Resumo: Este texto apresenta algumas reflexões acerca do processo de circulação de manuais escolares destinados ao ensino primário em Minas Gerais no período de 1930 a 1945. O trabalho desenvolvido teve como objetivo inventariar os livros escolares que circularam em Minas Gerais no período de 1930 a 1945. Foram adotados como arcabouço teórico conceitual os estudos e as pesquisas sobre: cultura escolar (Julia, 2001; Viñao Frago, 1995; Faria Filho, 2004; Vidal 2005); forma ou gramática escolar (Cuban, 1999); e materialidade do impresso (Chartier, 1999; Frade, 2003). Em consonância com esse referencial teórico conceitual, vários documentos foram tomados como fontes e analisados. As fontes utilizadas na pesquisa foram agrupadas em três grandes categorias: textos legais e documentos oficiais, documentos de arquivos escolares e relatos orais. O cruzamento dos dados coletados forneceu indícios da afinação existente entre os manuais escolares que eram prescritos pelo governo e os adotados em escolas públicas mineiras. A pesquisa permitiu não apenas conhecer os títulos de manuais escolares que circularam em Minas Gerais, mas também compreender aspectos da história do ensino primário mineiro. Palavras-chave: cultura escolar, forma escolar, história do ensino primário, manual escolar. Katya Mitsuko Zuquim Braghini (PUC-SP/EHPS. Doutoranda) A Revista da Editora do Brasil S/A – EBSA (1946 – 1960): Uma Revista de “relacionamento” entre a editora e o público Resumo: Este trabalho tem o objetivo de apresentar a Revista da Editora do Brasil S/A (EBSA), um periódico criado pela Editora do Brasil a fim de demarcar a idéia de “relacionamento direto” entre a empresa e os profissionais do ensino médio. Verificou-se que, da parte dos editores, o sucesso do periódico foi resultado da descoberta de um veio de mercado “inovador” e “pioneiro”: a divulgação dos serviços prestados pelo “Departamento Escolar”, setor interno à Editora, responsável pelo atendimento aos professores para que os representasse perante os órgãos federais, encaminhasse os seus processos de certificação e atribuição de aulas etc. De acordo com os editores, essas práticas representariam os “reais interesses” dos professores, ou seja, era mais interessante ampará-los em suas necessidades cotidianas e informá-los do que formá-los com conteúdos pedagógicos. As fontes para este trabalho foram as seguintes: o conteúdo da Revista EBSA; os documentos sobre a Editora que foram encontrados na Junta Comercial de São Paulo e as atas de reuniões dos editores que, por sua vez, foram localizados no Diário Oficial do Estado. Palavras-chave: Revista EBSA, periódico educacional, editoras Kazumi Munakata (PUC-SP) Da Campanha do Livro Didático e Manuais de Ensino (CALDEME) à Comissão do Livro Técnico e Didático (COLTED): dois padrões editoriais de livro didático no Brasil (1953-1971) Resumo: A Campanha do Livro Didático e Manuais de Ensino (Caldeme) foi lançada em 1953, em conformidade com a política projetada por Anísio Teixeira para o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep) e Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE). O golpe militar de 1964 afastou Anísio Teixeira de seus cargos, mas a Caldeme permaneceu até 1976, quando se publicaram os últimos títulos. Enquanto administrava essa massa falida, a ditadura tratou de lançar a sua política editorial de livros didáticos, mediante o convênio entre o Ministério da Educação (MEC), o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e United States Agency for International Development (USAID), agência criada para gerenciar as atividades da Aliança para o Progresso, programa de ajuda econômica e social, formulado pelos Estados Unidos da América, em 1961. O trabalho que aqui se propõe examina essas duas políticas públicas referentes ao livro didático, identificando-lhes os contrastes e seus eventuais impactos. Para tal, foram pesquisados documentos do acervo do Inep, publicações de Colted e fontes secundários, segundo procedimentos de História Cultural. Palavras-chave: Livro didático; políticas públicas; Caldeme; Colted; MEC-USAID; mercado editorial. Larissa Frossard (FeMASS - Faculdade Professor Miguel Ângelo da Silva Santos) Convites à leitura: uma análise dos elementos intermediários que compõem as obras de Antonio Alvarez Parada Resumo: Este estudo pretende fazer uma análise dos elementos intermediários que compõem as obras de um educador que colaborou para a construção da memória de Macaé: Antonio Alvarez Parada. Conhecido como Professor Tonito, lecionou química, física, espanhol e matemática no Ginásio Macaense, no Colégio Estadual Luiz Reid e no SENAI, onde também foi diretor. Membro Fundador da Academia Macaense de Letras, teve um papel importante no que se refere às pesquisas históricas. Publicou as seguintes obras: Coisas e Gente da Velha Macaé (1958), ABC de Macaé (1963), Histórias da Velha Macaé (1980), Imagem da Macaé Antiga (1982) e Meu nome, crianças, é Macaé (1983). Foram quatro os livros póstumos, Histórias Curtas e Antigas de Macaé (1995), em dois volumes, Cartas da Província (2006) e Antonio Alvarez Parada: o fio de uma história (2007). Para tanto, busca-se examinar, com base nos estudos de Pierre Nora, Roger Chartier, Monique de Le Moing e Maria Teresa Santos Cunha, as capas e os textos que entremeiam suas obras e entender as relações entre quem ilustra, quem apresenta e a quem se dedica cada livro publicado. Este trabalho pretende contribuir para os estudos sobre o livro e a leitura na medida em que traz análises das cerimônias de apropriação das obras de um escritor. Palavras-chave: Livro; memória; história; Macaé Leila Maria Inoue, ver: Cleila de Fátima Siqueira Stanislavski Licia Maria Pedreira de Almeida (PUC-SP/ EHPS. Mestranda. CNPq) A introdução do livro infantil nas salas de aula das escolas paulistas (1969-1983) Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar o processo de introdução dos livros de literatura infantil nas salas de aula das escolas paulistas. As fontes utilizadas são os discursos sobre o livro infantil, do período de 1969 a 1983, apresentados nos projetos de incentivo à leitura organizados por órgãos do governo do Estado de São Paulo. Os documentos pesquisados apontam os critérios e as escolhas de títulos e autores utilizados pelos professores e alunos, que acabaram por agir sobre a forma de um ensino, modificando e inserindo outras práticas de leitura. A pesquisa se insere no campo da história da educação que trata da constituição da forma escolar. Fundamentada nos pressupostos teóricos e metodológicos da história cultural, pretende discutir a circulação das representações dos atores sociais envolvidos com o ensino da leitura, a seleção e a aquisição de livros para as escolas paulistas. Palavras-chave: Leitura; livro infantil; livro escolar; políticas públicas Lídia Silva de Freitas (UFF) A escritura e o fato: o documento como efeito discursivo e textual Resumo: Apresenta resultados parciais de análise arqueológica (Foucault) dos poderes da escrita, especialmente os ligados à constituição histórica do documento – em sua materialidade: da ordem da institucionalidade e gerador de efeitos sociais (Frohmann). Testando o conceito/hipótese de modo de acreditação e distribuição social de saberes, fundado na divisão entre sociedades de memória e sociedades de história (Nora), analisa os funcionamentos da escrita, como marco divisório e base das sociedades históricas – ou de arquivo – e fundamento do efeito-documento em processos de legitimação, autoridade e regimes de verdade. Busca as bases da persistência do documento nos processos dominantes de acreditação e distribuição social de saberes e poderes no Ocidente. Através da teoria e análise do discurso (Auroux, Haroche e Gallo), assim como na análise da historicidade da escritura científica (Frohmann), conclui que o fundamento do poder do documento (instância institucional), invisibiliza-se através da reificação do registro escrito que, por sua vez, é invisibilizado pela sobre-reificação do imaginário da informação: o efeito-informação/fato. Tais recobrimentos, envolvidos na hegemonização do funcionamento do Arquivo como dispositivo, implicam a constituição da representação imaginária da informação na própria constituição do sujeito-de-direito ocidental atual. Palavras-chave: Escritura; documento; informação; análise do discurso Lúcia Granja (UNESP/São José do Rio Preto) Transferências culturais no romance-folhetim, Brasil-França: um caso de Mistérios Resumo: No dia 1º de novembro de 1851, o “folhetim do Jornal do Commercio” é composto pela “crônica de variedades” (duas colunas e meia), seguida pelo romance-folhetim de Alexandre Dumas Fils, Deus Dispõe (demais colunas da primeira página e rodapé da segunda página). O romance já vinha sendo publicado naquele espaço desde o dia 19 de setembro. Assim, a convivência das duas tipologias textuais possíveis ao folhetim, mas ao mesmo tempo, pode ser lida como mais uma evidência de que o espaço bas de page, na imprensa francesa e na dos países americanos que a receberam e procuraram “acomodá-la”, é fagocitário e produz, continuamente, transformações de formas, por sua porosidade (Thérenty, 2001), mas também porque ele é continuamente adaptado pela organização tipográfica ou necessidade das redações. A recuperação desses textos em seu suporte de origem mostra índices (Chartier, 1985) desses processos de transformação, e pode explicar, em conseqüência, o aparecimento ou modificação de formas literárias durante o “século I da era midiática”. Palavras-chave: História cultural; história do impresso; história do livro e da edição; transferência cultural; literatura francesa (século XIX); literatura brasileira (século XIX) Privilégios ou Direitos? A questão autoral entre intelectuais e homens de Estado no Brasil do século XIX Resumo: Ainda que hoje adquira dimensões inéditas em função do surgimento de novas mídias, como as tecnologias de reprodução de documentos, o debate acerca da questão dos direitos autorais não deixa de remontar há muitas décadas atrás. Desde o século XVIII, duas perspectivas conflitantes a esse respeito estão presentes: aquela que não quer abrir mão de um acesso universal ao conhecimento e aquela que parte do pressuposto de que a propriedade literária é também uma forma de propriedade, mesmo que de gênero distinto das demais. A partir dessa perspectiva, o presente trabalho pretende discutir a introdução da questão dos direitos autorais no Brasil do século XIX. Objetiva-se verificar como essas noções foram estruturadas no interior da sociedade brasileira, demonstrando o difícil caminho de organização de um campo intelectual autônomo, ao longo do oitocentos. Além disso, pretende-se verificar como o Estado Imperial reagiu em função dos interesses das potências européias, principalmente Portugal. Contudo, ao longo desse período, muito mais do que as ações oficiais entre os Estados envolvidos, foram a atuação e a influência dos letrados e intelectuais brasileiros e portugueses que contribuíram de maneira decisiva para superar os impasses. Palavras-chave: Direitos autorais, relações culturais Brasil-Portugal, campo intelectual, acesso universal ao conhecimento, propriedade literária Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas/Universidade do Estado do Rio de Janeiro-UERJ) Dos Alpes ao Rio de Janeiro: J. Bompard e sua livraria (1824-1827) Palavras-chave: História editorial brasileira; Brasil: História do livro; Brasil: história das livrarias; Brasil-Portugal-França: relações comerciais e circuitos culturais; J. B. Bompard; Des Alpes à Rio de Janeiro : J. Bompard et sa librairie (1824-1827) Luciana Lombardo Costa Pereira (UFRJ-Museu Nacional. Doutoranda) A lista negra dos livros vermelhos: uma aproximação sobre a coleção de livros apreendidos pelo DOPS/RJ (1960-1980) Resumo: O objetivo desta apresentação é compreender a articulação entre vida literária, produção intelectual e repressão política a partir da etnografia de uma coleção de livros apreendidos pelo DOPS/RJ. Comum a processos históricos diversos como as práticas persecutórias da “polícia dos livros” na França pré-revolucionária estudada por Robert Darnton, a proibição, apreensão e destruição de livros é um fenômeno comum a experiências autoritárias diversas ao longo da história, como as grandes fogueiras de livros inquisitoriais ou nazi-fascistas. Em alguns casos, a apreensão das obras leva ao acúmulo de exemplares e à constituição de coleções e bibliotecas destinadas ao confinamento e ao esquecimento. A coleção estudada expressa a lógica repressiva que orienta as ações da polícia e revela tendências e preferências dos leitores e editores entre os anos 1960 e 1980. Os livros recolhidos das estantes para evitar que fossem lidos foram submetidos a outros leitores, passando pelas mãos de policiais e censores que deixaram registros documentais acerca dos livros apreendidos. Concluímos, através da observação antropológica sobre os arquivos policiais e sobre a coleção em particular, que há um desencontro entre o idioma dos livros apreendidos e o idioma policial. Palavras-chave: Repressão policial, apreensão de livros, literatura de esquerda, editoras de esquerda. Luciano da Silva Moreira (IFMG - UFMG. Doutorando) Tipografias e periodismo em São Paulo provincial (1826-1840) Resumo: Este trabalho trata das tipografias e periódicos paulistanos no período circunscrito entre 1826 e 1840. O enfoque deste estudo é a formação dos espaços públicos em sua relação com os veículos de comunicação, notadamente as folhas impressas que circulavam pela Província de São Paulo. Nesse sentido, será analisado o cotidiano das primeiras tipografias e sua relação com a nascente “opinião pública” no Primeiro Reinado e nas Regências. Enfatizamos que, inicialmente, São Paulo foi palco das chamadas “gazetas manuscritas”, as quais sinalizam para a permanência de práticas de Antigo Regime no debate político, cedendo lugar, posteriormente, para os jornais impressos ao final do reinado de D. Pedro I. Por intermédio da documentação oficial do Arquivo do Estado de São Paulo e do Arquivo Municipal Washington Luís encontramos os rastros de escritores, impressores e leitores que construíram a cena pública na Imperial Cidade de São Paulo. Palavras-chave: tipografia; imprensa; espaços públicos. Luciene Soares de Souza (FEUSP-FAPESP. Mestranda) A biblioteca nos Grupos Escolares de São Paulo (1890-1920) Resumo: Este trabalho busca identificar a circulação de livros dentro dos Grupos Escolares de São Paulo no período de 1890 a 1920, a partir da existência de um espaço de leitura e armazenamento de livros: a biblioteca escolar. Relacionando a história dos Grupos Escolares com o contexto educacional das primeiras décadas da República no Brasil, procura-se verificar as permanências e as descontinuidades na constituição desse espaço de leitura para entender como um local de guarda de livros passa a ser identificado como um espaço social com funções, tempos e administração específicos dentro da cultura escolar. A pesquisa, em andamento, está sendo feita a partir da análise de fontes documentais, impressas e manuscritas, encontradas no Arquivo do Estado de São Paulo. O referencial teórico que orienta esse trabalho é a abordagem historiográfica identificada como História Cultural, principalmente por meio dos trabalhos de Antonio Viñao Frago e Dominique Julia sobre cultura escolar e de Roger Chartier e Robert Darnton sobre a história da leitura. Palavras-chave: Bibliotecas escolares; grupos escolares; cultura escolar; história da leitura. Flávia Garcia Rosa (UFBA) Apontamentos para a história do livro na Bahia Resumo: A Bahia comemorará em 14 de maio de 2011 os 200 anos da instalação da imprensa em seu território. A iniciativa de implantação dessa indústria foi do português Manoel Antonio da Silva Serva, cuja destemida atuação empresarial constituiu uma exemplar matriz para o setor gráfico editorial baiano. Apesar das muitas lacunas na bibliografia sobre a atividade editorial nos século XIX e XX, o trabalho constituirá uma primeira tentativa de traçar o panorama histórico do setor, desde os primórdios até os dias atuais, cabendo ao longo do texto tanto o factual quanto a análise dos episódios da história editorial baiana. Palavras-chave: Bahia: história do livro, Silva Serva, indústria editorial brasileira Luiz Carlos Villalta (UFMG) Impressão ilegal e política editorial da Coroa em Portugal no ocaso do Antigo Regime (c. 1750-1806) Resumo: Esta comunicação focaliza, por um lado, a impressão ilegal de livros em Portugal, no ocaso do Antigo Regime, entre cerca de 1750 e 1806. Por outro, analisa a situação legal das publicações dirigidas pelo frei José Mariano da Conceição Veloso, entre 1796 e 1806, com destaque para as saídas da Casa Literária do Arco do Cego (1799-1801), mas também para aquelas realizadas pela Impressão Régia de Lisboa, ou por casas editoriais privadas. Tais publicações, em sua esmagadora maioria, foram feitas sem a chancela dos tribunais censórios portugueses, trazendo estampadas expressões como “Por Ordem Superior”, “Por Ordem de Sua Alteza Real”, ou “Impresso por Ordem de Sua Majestade”. Seriam tais publicações ilegais? Ou estariam na mesma categoria de atos administrativos e normas, baixados e assinados por ministros, encontrando-se isentas de censura prévia por parte dos tribunais? Ou ainda seriam elas publicações ordenadas pelos ministros ou pelo próprio soberano, escapando, por conseguinte, ao controle prévio daqueles tribunais? Qual era o dispositivo legal que as regulava? Essas questões serão discutidas nesta comunicação. Palavras-chave: Portugal: Antigo Regime, censura, Casa Literária do Arco do Cego, José Mariano da Conceição Veloso, Antigo Regime: política editorial, Impressão Régia de Lisboa Christianni Cardoso Morais (UFSJ) Circulação, posse e usos de livros a partir de incursões pelas bibliotecas mineiras do século XIX Resumo: Neste trabalho, primeiramente, buscaremos reconstituir acervos que compunham bibliotecas particulares nas Minas Gerais, na primeira metade dos oitocentos. Será feito um estudo sobre a disseminação e a posse de livros, a composição dos acervos particulares e as categorias sociais de seus proprietários. Procuraremos entender as práticas culturais que se estabeleciam entre os que possuíam livros e a cultura escrita, ou seja, os usos e significados que os proprietários de livros - leitores em potencial - atribuíam às obras que possuíam. Em um segundo momento, faremos um estudo dos acervos e dos projetos de inauguração das duas primeiras bibliotecas públicas mineiras (a Livraria Pública de São João del-Rei, inaugurada no ano de 1827, e a biblioteca pública de Vila Rica, de 1831). Procuraremos perceber como eram estabelecidas, nestas instituições, as variadas formas de sociabilidade com relação ao universo dos livros e, ainda, em que medida os títulos, autores e/ou temas existentes entre as bibliotecas particulares se repetem ou coincidem com livros das bibliotecas públicas em tela. Para tanto, serão utilizadas fontes documentais de caráter diverso, como testamentos, inventários post mortem, atas e correspondências de Câmaras Municipais e notícias da imprensa periódica. Palavras-chave: Brasil: história do livro; Minas Gerais, século XIX, bibliotecas públicas mineiras, sociabilidades intelectuais, São João del-Rei, Vila Rica (Ouro Preto) Luzmara Curcino (UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos) O leitor de revistas: práticas de leitura contemporâneas inscritas em textos da mídia impressa Resumo: O objetivo fundamental deste trabalho consiste na reflexão e na análise de representações de práticas de leitura contemporâneas. Tendo em vista que, na contemporaneidade, a mídia ocupa um dos lugares centrais de produção e circulação de discursividades, fomos conduzidos a apreender essas representações na mídia, justamente pelo fato de que em seu interior é produzida, formulada e veiculada uma ampla gama dos discursos que caracterizam a sociedade contemporânea em suas práticas e em suas representações. Fundamentados na teoria da Análise do Discurso e em princípios da História Cultural, em especial nas considerações da história do livro e da leitura empreendidas por Roger Chartier, procuramos identificar algumas representações de práticas de leitura contemporâneas inscritas em revistas impressas, como a revista Veja. As representações discursivas do leitor apreendidas, sobretudo, por meio das análises que incidiram sobre a formulação dos textos e sua circulação remeteram-nos inevitavelmente aos processos histórico-ideológicos de constituição dos discursos e das práticas que estes fundamentam: o olhar apressado que percorre a página dos textos de revista é tocado insidiosa e insistentemente pela aceleração dos ritmos de vida das democracias capitalistas. Palavras-chave: materialidade discursiva; práticas de leitura contemporâneas; mídia; revista impressa Lygia Segala (UFF) O Brasil Pittoresco de Victor Frond Resumo: Interessa apresentar o trabalho fotográfico e o projeto editorial do militante republicano francês Victor Frond (1821-1881) que esteve no Brasil em meados do século XIX. Fotógrafo reconhecido pelo Imperador e pelas elites da Corte, Frond documenta, para além de paisagens, o trabalho escravo nas fazendas de café e de açúcar na Província do Rio de Janeiro, princípio para uma apologia da política imigrantista, da mestiçagem e da nova colonização. Seu livro-álbum Brasil Pittoresco (1859-1861), proposto como “obra nacional”, como “uma verdadeira ilustração” do país traz nas relações entre texto e imagens a crença de uma missão civilizatória como expansão das Luzes nos trópicos. Palavras-chave: Victor Frond, Ilustração nos trópicos, fotografia, imigração Manuela D. Domingos Planos e alicerces para a renovação da História do Livro: o projeto de As gentes do livro Resumo: Num primeiro vetor, o projeto - que visou especialmente o século XVIII - desenvolveu-se através das fontes bibliográficas, revisitando-as com um novo olhar, inventariando e planificando a sua utilização crítica, segundo eixos temáticos que se cruzaram numa textura fina de perguntas que hoje colocamos à disciplina. O resultado desse inventário foi a produção de um instrumento de consulta “obrigatória” para os trabalhos subsequentes: a edição da Bibliografia para a História do Livro em Portugal (2003). Paralelamente, noutro vetor, abordaram-se múltiplas fontes arquivísticas, pontualmente conhecidas; “inventaram-se” novas fontes (quase) indiretas, avançando, maciçamente, para a exploração e análise de grandes séries de fundos só abordáveis dessa forma, para produzir resultados. Dessa exploração emergiram, de fato, dados inovadores e “ocultos” às explorações parcelares. Os resultados que pretendíamos obter, entrelaçam-se em torno dos homens concretos que se movimentaram nos diversos níveis do mundo do livro e vieram a corporizar-se na edição de As gentes do livro: ponto de chegada mas, sobretudo, patamar de novos caminhos a percorrer. Palavras-chave: Portugal: história do livro, história do livro: fontes arquivísticas, século XVIII, gente do livro, história do livro: projeto de pesquisa Males que vêm por bem: a extinção do Arco do Cego e o «resgate» das suas fontes Palavras-chave: Casa Literária do Arco do Cego; Frei José Mariano da Conceição Veloso; Rodrigo de Sousa Coutinho; fontes editoriais; história editorial luso-brasileira Certains malheurs sont profitables : l’extinction de l’Arco do Cego et la « récupération » de ses sources A nacionalização das letras da América portuguesa durante o Romantismo Resumo: Objetiva-se analisar a produção de uma história da Literatura Brasileira, no século XIX, que implicou o estabelecimento de critérios de legibilidade para as práticas letradas da América portuguesa que são anacrônicos nos termos em que foram propostos. Detém-se o estudo na crítica de algumas fontes documentais do Oitocentos, em que se empreende a nacionalização das Letras, por meio da proposição de um "Período Colonial" que seria em última instância prefiguração do Estado brasileiro, e, as Letras "Coloniais", prefiguração das Letras oitocentistas já nacionalizadas sob a égide do Trono Imperial. Analisam-se, dentre outros, as "Vidas dos Brasileiros Ilustres por Letras, Armas e Virtudes", de Januário da Cunha Barbosa, ponto de partida de nosso estudo, e o Florilégio da Poesia Brasileira, de Francisco Adolfo de Varnhagen, nosso ponto de chegada. Discute-se, outrossim, o papel da imprensa na divulgação do novo ideal de nacionalidade por meio da representação literária. Palavras-chave: Brasil: história da literatura, nacionalização das Letras, Januário da Cunha Barbosa, Francisco Adolfo de Varnhagen, romantismo brasileiro, práticas letradas Marcello Moreira, ver também: Clara Carolina Souza Santos Márcia Abreu (Unicamp/IEL) Márcia Abreu (Instituto de Estudos da Linguagem/Universidade Estadual de Campinas-Unicamp) História de dois Amantes entre Paris e o Rio de Janeiro Palavras-chave: Brasil: circulação do livro; folhetim francês; História do livro no Brasil: século XIX; França-Brasil: circularidade cultural; práticas sociais de leitura Histoire de deux amants entre Paris et Rio de Janeiro Marcia Arruda Franco (USP) Sobre as primeiras edições dos livros românticos de Garrett, nas suas Cartas Íntimas e na Revolução de Setembro Resumo: Nas Cartas Íntimas o processo editorial dos primeiros livros românticos de Garrett é visto no contexto de redefinição da função social do escritor, o que o levou a produzir os seus livros fora da tutela do mecenato, contando para isso com dois novos meios de produção do livro: o corporativo e o de livreiros estrangeiros. Depois, autor consagrado, a partir dos anos 1850, em Portugal, a Bertrand editou-lhe a obra completa em vários tomos. Examinamos aqui o anúncio de os II e III tomos do Romanceiro e o Folhetim crítico literário que sobre eles escreveu Gomes Amorim na Revolução de Setembro no início de dezembro de 1851, a fim de perseguir o modo como se urde a crítica romântica em sua redefinição dos parâmetros classicistas da criação e avaliação poéticas, pelo ensino de uma leitura nacionalista do literário, tributária das idéias do novo Estado liberal. Ao serem cruzados os dados das Cartas Íntimas e os do jornal A Revolução de Setembro, acerca da publicação em questão, quem surge é a figura do autor romântico como homem de letras e político militante, que redige a minuta do anúncio e sugere as linhas de organização do folhetim. No século XIX, o Romanceiro é concebido e recebido como um serviço cívico de amor à pátria, capaz de formular uma identidade portuguesa e de conferir ao poético a função patriótica de redefinir a nacionalidade segundo os novos valores liberais. Palavras-chave: História da edição, crítica romântica, função social do poético, jornal, Almeida Garrett Márcia Cabral da Silva (Uerj/ Faculdade de Educação) Livros para meninas e moças na produção editorial de José Olympio (1930-1950) Resumo: José Olympio projetou-se como um dos mais importantes editores de obras literárias e de livros não didáticos no Rio de Janeiro nas décadas de 1930 e 1940. Em 1934, ano de sua transferência de São Paulo para o Rio de Janeiro, lança a Coleção Menina e Moça, que só é retomada na década de 1940 (Hallewell, 1985). Ao que se deve esta lacuna na produção editorial de José Olympio? Qual a relevância dos livros literários voltados para as meninas e para as moças à época e no conjunto dessa produção? A metodologia selecionada, por um lado, interroga fontes primárias como os catálogos produzidos pela editora ao longo dos anos de 1930 e 1940. Por outro, examina a correspondência ativa e passiva de José Olympio com autores editados, com o intuito de traçar uma cartografia dos livros endereçados às então designadas meninas e moças, além de se procurar identificar concepções de leitura, de infância e de juventude recorrentes no material examinado. Os resultados parciais alcançados até o momento indicam que parece ter havido por parte do editor investimento reduzido em obras literárias destinadas às meninas e às moças no período examinado. Palavras-chave: Livros; meninas; moças; Livraria José Olympio Editora Marcia Guerra (PUC-Rio, IFERJ. PUCSP/EHPS: Doutoranda) Editora Pallas e afirmação de políticas de diversidade étnica e cultural – uma interface Resumo: Neste trabalho analisamos a trajetória editorial da Editora Pallas, que desde a década de 1970 apresenta um catálogo no qual predominam títulos relativos à cultura africana e afrobrasileira. Ao acompanharmos seu processo de expansão – títulos, autores, tiragens e rede de distribuição – percebemos que inicialmente considerada um empreendimento destinado a um nicho específico e secundário do público leitor, virá a tornar-se reconhecida como produtora de títulos de abrangência e valor universais, tornando-se, inclusive, vendedora internacional de direitos, sem que houvesse alterado o seu perfil editorial. Tendo por suporte teórico Kalifa, Munakata e Mollier, em nossas conclusões indicamos a articulação deste movimento editorial à conjuntura de ascensão dos movimentos negros e das políticas afirmativas incorporadas pelo Estado e organismos internacionais. Palavras-chave: História editorial; diversidade étnico-cultural; políticas afirmativas; mercado editorial A cidade dos livros didáticos: a expansão das edições escolares em São Paulo Resumo: Na década de 1970, São Paulo foi considerada a cidade dos livros didáticos brasileiros, devido à grande concentração de editoras que se especializaram nesse segmento. Tal vocação editorial, no entanto, teve início no final do século XIX, com a expansão da escola pública elementar no estado e com o conseqüente aumento da produção de livros escolares, tendências que se mostrariam cada vez mais vigorosas no século XX. Até a metade do século XIX, as esparsas edições escolares da província tinham pequena participação no comércio de livros da cidade, incrementado em 1860, com a abertura da Casa Garraux e, em 1876, com a inauguração da Grande Livraria Paulista, dos irmãos Teixeira. Foi apostando nas reformas republicanas para a educação popular que a Livraria Francisco Alves, editora tradicional do segmento de livros didáticos, fundada em 1854, no Rio de Janeiro, expandiu seus negócios em São Paulo, abrindo sua primeira agência em 1894. Nas primeiras décadas do século XX, destacam-se na capital paulista as edições escolares da Tipografia Siqueira, dos Irmãos Weiszflog (que depois formariam a Editora Melhoramentos), da Monteiro Lobato e Cia. (empresa antecessora da Companhia Editora Nacional), além dos livros da Coleção FTD, dos irmãos Maristas, destinados às escolas confessionais (que, em 1963, seria transformada na Editora FTD). O período marca, ainda, o aparecimento da Livraria Acadêmica, de Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva, que começou a editar livros jurídicos em 1917, e livros didáticos a partir de 1934, marcos da Editora Saraiva. Palavras-chave: Edições escolares; História editorial; São Paulo: história do livro, São Paulo: história da educação, história do livros escolares, Márcia Regina Takeuchi (PUC-SP/EHPS. Doutoranda) Edição de livros didáticos para educação de jovens e adultos Resumo: Este trabalho é parte integrante da dissertação de mestrado — Análise material de livros didáticos para educação de jovens e adultos —, defendida no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade em 2005. Tiragem, formato, número de páginas, programação visual, sumário, ilustrações e fotos, manual do professor, são tomados como dispositivos expressivos de estratégias editoriais e traduzem, além de suas intenções comerciais e educacionais, leituras do seu público consumidor (o estudante), suas competências e objetivos educacionais. Esses aspectos são avaliados em exemplares de livros didáticos de EJA e comparados aos presentes em livros didáticos destinados à escolarização regular. O estudo conclui que esse material é em geral simplificação das obras voltadas para a educação regular, não sendo formatado com base em pressupostos pedagógicos e justificativas teóricas e metodológicas específicas ao público a que se destina. Tomo como referencial teórico fundamental o conceito de materialidade de Roger Chartier e apóio-me na tese de doutorado de Kazumi Munakata para inserir na investigação conceitos atinentes aos procedimentos editoriais. O entendimento de currículo em processo é considerado no trabalho e é tributário de Gimeno Sacristán. Palavras-chave: Livro didático; livros didáticos para educação de jovens e adultos; EJA; edição de livros didáticos. Márcio Souza Gonçalves (UERJ) McLuhan, Eisenstein e Johns Resumo: O presente texto parte das posições de McLuhan e Elizabeth Eisenstein acerca dos efeitos culturais do impresso para abordar algumas das principais teses do historiador Adrian Johns em seu The Nature of the Book. O foco central da discussão é o modo como a prensa e seus produtos produzem efeitos culturais, portanto o modo como opera a causalidade na relação entre o meio de comunicação impresso e a cultura. Trata-se portanto de uma discussão cotejando três teorias de três autores diferentes. Palavras-chave: McLuhan; Elizabeth Eisenstein; Adrian Johns; determinismo tecnológico. Margareth Mattos, ver: Maria Beatriz Setubal de Rezende Silva Maria Beatriz Setubal de Rezende Silva (Copedoc/IPHAN) (coord.) Margareth Mattos (PROALE/FEUFF) Projeto Patrimônio e Leitura – Catálogo Comentado de Literatura Infanto-Juvenil. Resumo: O projeto Patrimônio e Leitura integra as iniciativas da Coordenação Geral de Pesquisa, Documentação e Referência (Copedoc/ IPHAN), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), através do programa de Alfabetização e Leitura (PROALE) da Faculdade de Educação e do curso de Especialização em Literatura Infanto-juvenil do Instituto de Letras para a criação de instrumentos de referência de cunho educativo e promocional sobre o Patrimônio Cultural. Os resultados desse projeto até o momento foram a edição de dois números do Catálogo Comentado de Literatura Infanto-Juvenil, cujo objetivo é apoiar os professores da Educação Básica em sala de aula para instigar o interesse dos alunos pelos temas do Patrimônio, por meio da leitura da Literatura no seu processo normal de aprendizado. Os catálogos selecionam obras que não foram escritas especificamente para falar de Patrimônio, mas que abordam temas como memória, identidade, diversidade cultural, patrimônios material e imaterial, e por meio das resenhas promovem associações entre os campos da Literatura e Patrimônio como forma de legitimar outros olhares sobre o patrimônio construídos fora da esfera técnica-institucional. Palavras-chave: Patrimônio cultural; Literatura infanto-juvenil; Livros e Leitura; Formação de leitores-cidadãos. Maria da Conceição Carvalho (UFMG/Escola de Ciência da Informação) Uma história editorial de Os livros nossos amigos de Eduardo Frieiro Resumo: Publicado em primeira edição em 1941 pela Editora Bluhm de Belo Horizonte, Os livros nossos amigos, de Eduardo Frieiro (1989-1982), vai além da referência proustiana – la lecture est une amitié - sugerida no título, e se converte também, ao longo das 139 páginas, em apaixonada declaração de amor ao livro como objeto material na sua “tectônica peculiar”. Este trabalho propõe uma leitura crítica das seis edições (1941, 1945, 1957, 1980, 1999 e 2007) do livro escrito pelo escritor, bibliógrafo e editor mineiro, procurando acompanhar as alterações de uma edição a outra motivadas, pelo menos nas quatro primeiras, pela grande preocupação de Frieiro em aperfeiçoar sem descanso o seu trabalho intelectual, somada à sua intolerância com o livro mal editado. O eixo condutor dessa leitura situa-se dentro das possibilidades da bibliografia histórica na medida em que essa se preocupa em rastrear o curso de um texto através das diferentes edições em que tenha sido dado a público, sabendo-se que um dado texto impresso já não será o mesmo caso mudem os dispositivos de sua escrita e de sua comunicação. Palavras-chave: Livro; leitura; editor Maria Emília Lins e Silva, ver: Sandra Batista de Araújo Silva et al. Maria de Fatima Almeida Braga (UFMA – UERJ. Doutoranda) Ariane P. Ewald (UERJ. Docente) A Encyclopédie como imaginário de uma Biblioteca Universal Resumo: Este trabalho tem por finalidade discutir a história da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert nos seus primórdios, tomando-a como a encarnação do “livro dos livros” e da Biblioteca Universal. O trabalho tem como ponto de partida o “Discurso preliminar e outros textos”, que é parte integrante e introdutória da Enciclopédia ou Dicionário raciocinado das ciências, das artes e dos ofícios por uma sociedade de letrados. O texto faz uma trajetória sobre a concepção da Enciclopédia de Diderot no século XVIII, tornando o projeto do Iluminismo uma realidade construtora de valores políticos e ideológicos muito claros. Projetada por livres pensadores, a enciclopédia pretendia modificar a sociedade no sentido da liberdade política e da tolerância religiosa, constituindo-se como um paradigma da ciência útil e também meio pedagógico da reconstrução da memória e da ordem do mundo. A concepção da Enciclopédia encarnava o espírito do livro dos livros, por tornar disponível, em um único lugar, a totalidade dos saberes. Palavras-chave: História do Livro. Encyclopédie. Iluminismo. Século XVIII. Maria das Graças Sandi Magalhães (Unicamp. Doutoranda) Heloísa Helena Pimenta Rocha (Unicamp. Docente) “Indispensáveis em todos os lares!” Educação, saúde e ciência nas edições populares da primeira metade do século XX Resumo: Várias editoras, durante as primeiras décadas do século XX no Brasil, empregaram o conceito de utilidade em diversas publicações destinadas às camadas populares. Identificar as representações em torno da concepção de conhecimento útil nesse período é um dos objetivos desse texto. Representações que se vinculavam ao ideário médico-higienista e à vulgarização de conhecimentos científicos, com o intuito de interferir não só no comportamento relacionado aos cuidados com o corpo, mas também no que se convencionou chamar higiene mental. Contando com um arco amplo de assuntos e organização pelos editores de séries, coleções e bibliotecas, os termos ciência, educação e cultura se revezavam em publicações de baixo custo e que definiam o público alvo com expressões como “para todos”, “leitura privada” ou “indispensáveis em todos os lares”. A análise desse material procura contribuir com os estudos que tratam da história da leitura, da produção e da circulação dos livros, enquanto uma das esferas da educação pública na primeira metade do século XX. Palavras-chave: Leitura popular; educação; higienismo Maria Helena Camara Bastos (PUCRS – CNPq. Docente) Tatiane de Freitas Ermel (PUCRS. Mestranda) “O que se deve ler”: As prescrições de leituras para a juventude, de Domingos Perdigão (1922/1923) RESUMO: O estudo analisa as prescrições de leitura estabelecidas por Domingos Perdigão, para a juventude brasileira, especialmente do Maranhão, na década de 1920, na obra O que deve se ler. Vade-Mecum bibliográfico (1922/23). Também busca esquadrinhar os sentidos dados pelo autor para as práticas de leitura, na formação de uma comunidade de leitores e na “edificação” de uma biblioteca ideal. A obra, além de um protocolo de leitura, é um documento da circulação de obras escritas por autores do Maranhão, dos demais estados brasileiros e internacionais. Traz uma série de informações sobre vultos e personagens da história brasileira e, especialmente, do Maranhão. É uma viagem por uma biblioteca pública, nas primeiras décadas do século XX. Portanto, é um “lugar de memória” para a escrita da história do livro e da leitura. Hoje, sua leitura permite analisar a circulação de obras e autores, nas primeiras décadas do século XX, e oportuniza analisar as lacunas desse protocolo de leitura, isto é, os vetos do autor, especialmente a leitura de fábulas, contos de fadas e histórias da carochinha. Palavras-chave: história da leitura; livros; autores; biblioteca; literatura de juventude. Maria Lúcia Dias Mendes (Unifesp - Campus Guarulhos) Caminhos de Alexandre Dumas no Brasil: notas sobre a recepção de sua obra Resumo: Apesar de Alexandre Dumas já desfrutar na França de um reconhecido sucesso como autor teatral desde 1829, a primeira obra publicada no Brasil foi Le capitaine Paul, em 1839, o primeiro romance escrito tendo em vista a publicação em pedaços. Chegava ao Brasil, ainda em francês, o gênero de deveria se tornar parte do repertório dos leitores por muitas gerações e um de seus principais autores. Nesta exposição, pretendo falar brevemente da carreira de folhetinista de Alexandre Dumas na França e apresentar algumas notas sobre a recepção de sua obra no Brasil do século XIX. Palavras-chave: Brasil-França; romantismo; Alexandre Dumas; romance folhetim; formação do romance brasileiro Maria Luiza Ugarte Pinheiro (UFAM) Hiléia das letras: periodismo e vida literária em Manaus Resumo: O artigo aborda o processo formativo do periodismo no Amazonas, analisando suas características e principais linhas de força, bem como inquirindo acerca de sua articulação no interior de um contexto social marcado por forte tradição de oralidade, onde nem a escrita e nem a língua portuguesa eram hegemônicas. Associado ao processo migratório fomentado pela economia de exportação da borracha, o surto urbanístico que marcou a virada do século XIX para o XX na Amazônia, projetando Belém e Manaus, instaurou e buscou consolidar um estilo de vida urbana, informado por referenciais estéticos da Belle Époque. Com a montagem das primeiras tipografias, difundiram-se os círculos letrados que tiveram grande dinamicidade, animando a vida boêmia em torno de cafés, confeitarias e botequins. Apresentando-se como um dos mais significativos "emblemas da modernidade", o periodismo tendeu a reforçar o ideal “civilizador” e a crença no progresso material e espiritual patrocinado pela cultura burguesa em expansão. Imbuído de tais valores, o periodismo amazonense tendeu a assumir sem dificuldades a projeção de imagens de modernidade e progresso, pondo-se a serviço da nova ordem burguesa Palavras-chave: Amazonas: cultura letrada e cultura oral, Brasil: história da imprensa, Brasil: tipografias, vida literária, Manaus, Belém (Pará) A Companhia Editora Nacional e a política de editar coleções (1925-1980): entre a formação do leitor e o mercado de livros. Resumo: A história da Companhia Editora Nacional, entre os anos 1920 e 1970, está marcada pela prática de editar coleções. A casa editora converteu as coleções em instrumento de organização de seu fundo editorial, com vistas a atender e ampliar os diferentes seguimentos do mercado para qual destinava os materiais que publicou. Essa prática permitiu à editora articular, permanentemente, os materiais editados e o mercado leitor, constituindo uma geografia da cultura em seus catálogos. Este artigo objetiva analisar a mediação editorial instaurada nas práticas da Nacional e acompanhá-las ao longo do período indicado, privilegiando as coleções organizadas por intelectuais, como Fernando de Azevedo, Florestan Fernandes e Anísio Teixeira. As coleções de livros são compreendidas como modalidade específica de impresso, que carrega em sua materialidade dupla estratégia de intervenção cultural: a intervenção editorial que, por meio da reorganização dos textos, objetiva a ampliação do mercado do livro; a intervenção no campo da cultura, fruto da seleção e adaptação do conjunto de textos e autores, assim como da prescrição de seus usos, que deve compor um programa de formação do leitor destinatário da coleção. Palavras-chave: Companhia Editora Nacional, mediação editorial, coleções e formação do leitor, Brasil: história editorial, São Paulo: história editorial Maria Rita de Almeida Toledo (Unifesp) Memória Editorial, arquivo empresarial e formação da cultura: a organização do Acervo Histórico da Companhia Editora Nacional Palavras-chave: Companhia Editora Nacional; memória editorial; mediação editorial; arquivos editoriais. Mémoire éditoriale, archives d’entreprise et formation de la culture : l’organisation du fonds historique de la compagnie Editora Nacional Maria do Rosário Longo Mortatti (Unesp/Marília. Docente) Bárbara Cortella Pereira (Unesp/Marília. Doutoranda) Monalisa Renata Gazoli (Unesp/Marília. Mestranda) Angélica Pall Oriani (Unesp/Marília. Mestranda) Cyntia Grizzo Messenberg (Unesp/Marília. Graduanda/IC) Cartilhas de professores paulistas do início do século XX e a conformação de práticas de alfabetização no Brasil Resumo: Visando a contribuir para a compreensão da história da alfabetização no Brasil e suas relações com a história do livro didático, enfocam-se as propostas para o ensino inicial da leitura baseadas em método analítico ou misto e concretizadas nas cartilhas elaboradas pelos seguintes professores formados pela Escola Normal de São Paulo: Theodoro de Moraes, Arnaldo Barreto, Francisco Viana, Mariano de Oliveira, Antonio Proença, M. B. Lourenço Filho e Renato Fleury. Mediante abordagem histórica, centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio da utilização de procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de fontes documentais e de leitura da bibliografia especializada, analisou-se a configuração textual de cada uma dessas cartilhas, a qual consistiu em enfocar os diferentes aspectos constitutivos de seus sentidos. Concluiu-se, dentre outros aspectos, que essas cartilhas, publicadas por diferentes editoras com primeiras edições nas décadas iniciais do século XX, tiveram numerosas edições e elevadas tiragens e foram utilizadas em vários estados brasileiros por muitas décadas, tendo contribuído decisivamente para a conformação de práticas de alfabetização que fundaram uma tradição ainda atuante em nosso país. Palavras-chave: Leitura; ensino da leitura; método de alfabetização; cartilhas de alfabetização; pesquisa histórica em educação. Maria do Rosário Longo Mortatti (Unesp/Marília. Docente) Thabatha Aline Trevisan (Unesp/Marília. Doutoranda. Fapesp) Fernando Rodrigues de Oliveira (Unesp/Marília. Mestrando) Gizelma Guimarães Pereira Sales (Unesp/Marília. Graduanda. IC) Manuais para a formação de professores primários (1940-1960) e a conformação de práticas de ensino de leitura e escrita no Brasil Resumo: Visando a contribuir para a compreensão da história do ensino da leitura e da escrita no Brasil e suas relações com a história do livro didático, enfocam-se as propostas para ensinar os professorandos a ensinar leitura e escrita no curso primário, concretizadas nos manuais de ensino destinados à utilização no curso normal e elaborados pelos professores Antonio d’Ávila, Theobaldo M. Santos, O. Leal Carneiro, A. Amaral Fontoura e J. Budin. Mediante abordagem histórica, centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio da utilização de procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de fontes documentais e de leitura de bibliografia especializada, analisou-se a configuração textual de cada um desses manuais, a qual consistiu em enfocar os diferentes aspectos constitutivos de seus sentidos. Concluiu-se, dentre outros, que esses manuais, publicados por diferentes editoras e com primeiras edições entre as décadas de 1940 e 1960, tiveram muitas edições e tiragens e foram utilizadas em vários estados brasileiros, até pelo menos a década de 1970, tendo contribuído decisivamente para a constituição de um conjunto de saberes considerados necessários na formação dos professores primários e para conformação de práticas de ensino de leitura e escrita, ainda atuantes em nosso país. Palavras-chave: Leitura; ensino da leitura e escrita; formação de professores; manuais de ensino; pesquisa histórica em educação. Maria do Socorro Fernandes de Carvalho (UFPI) Preâmbulos do livro seiscentista português Resumo: O livro escrito em língua portuguesa circulante nos anos seiscentos em Portugal e no Brasil tinha sua disposição organizada pela mesma instrução retórica tanto no que diz respeito ao núcleo da obra, a matéria livresca propriamente dita, quanto aos discursos que a antecedem. Todo o conjunto dos discursos preambulares – prólogos, cartas ao leitor, dedicatórias, licenças, privilégios, títulos, prefácios etc. – atua como exórdio do discurso que é todo o livro. Esta pesquisa leva em conta a historicidade dos conceitos, a leitura de fontes e tem por fundamento a leitura de textos preambulares de livros de poesia portuguesa publicados entre o final do séc. XVI e o início do século XVIII, sobre os quais o texto apresenta um levantamento global. Consideramos as investigações de autores como Alberto Porqueras Mayo, Gérard Genette, Roger Chartier, Anne Cayuela, entre outros. Dentre os retóricos antigos, Cícero, a Retórica a Herênio e Quintiliano; dentre os modernos, A. Lopez Pinciano, François Rabelais, Michel de Montaigne, Afonso Carvallo, Francisco Cascales, Manuel Pires de Almeida etc. Palavras-chave: Século XVII; poesia; retórica; exórdio; proêmio; disposição Marialva Carlos Barbosa (Instituto de Arte e Comunicação Social/Universidade Federal Fluminense-UFF) Leitura e o mundo dos escravos Palavras-chave: Brasil: práticas sociais de leitura no século XIX; Brasil: escravidão e leitura; letramento de escravos; imprensa abolicionista; La lecture et le monde des esclaves Maria Teresa Santos Cunha (UESC - UFSC) Do erotismo à pornografia: pílulas de comportamento nos livros de bolso de Corin Tellado e Carlos Zéfiro. Resumo: Vendidos em bancas de revistas os livros de bolso de Corin Tellado, nas décadas de 1950 e 60, eram destinados às jovens leitoras e apresentados em Coleções conhecidas como romance rosa. Os quadrinhos erótico/pornográficos de Carlos Zéfiro circulavam no mesmo espaço, tempo e formato constituindo o que se convencionou chamar o lado masculino do romance rosa. Tais leituras, embora em descompasso quanto ao estilo, parecem ter funcionado como uma forma de iniciação amorosa aos dois sexos. Este estudo busca examinar as formas textuais e imagéticas como eram propostos, nestes impressos, comportamentos amorosos para a construção de sujeitos (homens e mulheres) civilizados em trânsito entre o erotismo e a pornografia. Espera-se, igualmente, evidenciar quais representações eram veiculadas autorizadamente sobre comportamentos amorosos esperados aos dois sexos, a partir da confrontação com pressupostos científicos expressos em manuais de civilidade e de aconselhamento sexual, presentes na educação escolarizada do período. Palavras-chave: livros de bolso, leituras ordinárias, gênero, Corin Tellado, Carlos Zéfiro. Mariana Simões Lourenço (UFF. Especialização) Nilma Gonçalves Lacerda (UFF. Docente) O leitor e a discussão da cadeia editorial: representações em obras de ficção voltadas ao público infanto-juvenil Resumo: Em um momento marcado pela ampliação das políticas públicas de estímulo à leitura na infância, é essencial tentarmos compreender como os conceitos e valores relacionados ao livro e à produção editorial têm sido transmitidos ao leitor criança no espaço da literatura. Assim, a partir da leitura de três obras de ficção, Era uma vez outra vez, de Gláucia Lewicki, O Príncipe, a Princesa, o Dragão e o Mágico, de Dionísio Jacob, e Como nascem os livros?, de Angelina Nascimento, tentamos identificar e analisar os elementos associados à cadeia do livro e suas principais representações. Com o auxílio de autores como Chartier, Manguel, Jouve e Colomer, são contemplados aspectos como metalinguagem, características do objeto livro, termos e práticas comuns a este campo e seus profissionais. A análise das referências encontradas em cada obra indica a existência de representações diferenciadas sobre a atividade editorial, das que reproduzem o senso comum às que rompem com esta concepção tradicional, demonstrando a necessidade de se ampliar a pesquisa, aprofundando a discussão e analisando os possíveis desdobramentos dessas tendências na formação de leitores. Palavras-chave: Livro; cadeia editorial; literatura infanto-juvenil; formação de leitores As pequenas e médias editoras diante do processo de concentração: oportunidades e nichos Resumo: O texto aborda o cenário editorial brasileiro das pequenas e médias empresas editoriais em face ao fenômeno de concentração existente no panorama contemporâneo. Trata-se de uma temática com o escopo de apontar algumas das alternativas que essas editoras têm utilizado para sobreviver no mercado do livro. É menos um receituário de soluções e mais uma reflexão sobre a diversidade de um campo que, a partir das circunstâncias em que o investimento estrangeiro e a solidificação de grandes grupos editoriais no país, exige que os interesses similares das pequenas levem à busca de oportunidades que permitam sua melhor posição no sistema editorial. A reflexão contempla um olhar sobre a rede de relações do campo editorial ao lançar perspectivas que abordam a linha editorial, as feiras de livro e as instituições do setor, dentre outros fatores formadores desse sistema. A investigação aponta para a presença do fenômeno mundial de concentração editorial em que se encontra o mercado do livro contemporâneo e o desafio para as pequenas e médias editoras é como se comportar frente a ele. Palavras-chave: pequenas e médias editoras; concentração editorial; mercado editorial; editoras brasileiras. Marília Pessoa (Editora do Senac Nacional) Livros didáticos para a educação profissional – a experiência editorial do Senac Resumo: Apresentação do processo de construção de materiais didáticos voltados para a formação de profissionais das áreas de comércio e serviço, com diferentes níveis de escolaridade. Integração de equipes multiprofissionais para desenvolvimento de conteúdos gerais, voltados para formação individual, e das questões técnicas. Adequação de linguagem e estilo, importância dos recursos gráficos, produção fotográfica para demonstração passo a passo de procedimentos técnicos, gerenciamento de custos. Exemplos de publicações e com respectivo histórico de produção e resultados. Dados gerais da produção editorial do Senac. Palavras-chave: edições e formação profissional, edições do Senac, equipes multiprofissionais e desenvolvimento de conteúdos, processo de produção editorial, política editorial, custos e resultados A cidade e os livros: os circuitos de leitura em São Paulo (1808-1831) Resumo: Já é um truísmo afirmar que nas primeiras décadas do Oitocentos o burgo paulistano apresentava modos de vida muito modestos, infraestrutura urbana elementar e pouco ou quase nenhum contato com as novidades européias que amiúde aportavam na Corte. Tendo em vista estes elementos, seria possível compor uma paisagem intelectual da urbe, no período em questão, fazendo emergir em primeiro plano suas comunidades de leitores e os circuitos de leituras então existentes? Com base na documentação atinente aos acervos religiosos, que viriam a compor o primeiro repertório bibliográfico da Biblioteca Pública da cidade (1825) e de manuscritos da Academia de Direito, fundada em 1827, propõe-se uma história do livro em São Paulo a partir das instituições de leitura então em evidência. Palavras-chave: São Paulo, século XIX, bibliotecas, comunidades de leitores, São Paulo: história do livro. São Paulo: práticas de leitura. Marlene Neves Fernandes (UDESC. Mestranda-CNPq) Regras para o bom-tom: práticas de civilidade na Série de Leitura Graduada Pedrinho (1950 – 1970) Resumo: Trata-se de estudos relacionados à pesquisa Saberes Impressos. Imagens de Civilidade em textos escolares e não-escolares: composição e circulação (década de 50 a 70 do século XX), que problematizou a produção de um discurso que aproximaria educação e práticas de civilidade. A civilidade entendida na perspectiva de Elias como um abrandamento das pulsões. O estudo que se vincula a esse artigo, especificamente, seria a análise descritiva da Série de Leitura Graduada Pedrinho, de Lourenço Filho (1897-1970), publicada pela Editora Melhoramentos, largamente adotada nas escolas do país e composta por 5 livros de leitura e 1 cartilha. O artigo centra-se na metodologia da História Cultural da Leitura que concebe a realidade como uma construção social e a leitura como construtora de imaginários. Assim, verifica-se que os livros de leitura e cartilhas tiveram um papel importante na formação do cidadão republicano, pois através deles eram transmitidos e reforçados hábitos morais, cívicos, patrióticos, regras de civilidade, disciplina, higiene, trabalho, fazendo com que várias gerações partilhassem textos que construíam a idéia da pátria moderna e civilizadora, vinculada à proposta republicana. Palavras-chave: civilidades, história da leitura, manuais escolares Martina Spohr (UFF/Mestranda em História) Cultura e hegemonia: uma análise do mercado editorial brasileiro na primeira metade da década de 1960 Resumo: Esta comunicação pretende desenvolver, a partir do debate em torno do conceito de cultura e de sua ligação com o conceito de hegemonia, uma análise do mercado editorial brasileiro na primeira metade da década de 1960, utilizando conceitos de Antonio Gramsci, Raymond Williams e Jesus Martin-Barbero. Temos como objetivo contextualizar a difusão ideológica do grupo do capital multinacional e associado realizado através de empreendimentos culturais, mais especificamente da edição de livros, partindo da percepção de que as editoras se movimentavam por congruência ideológica com este grupo, embora elas mesmas não se enquadrassem naquela categoria. Alguns dos valores difundidos pelos projetos editoriais foram o anticomunismo e um modelo de democracia isento de características consideradas “negativas” – a agitação sindical, o nacionalismo extremado etc. As características do mercado editorial e sua influência nos projetos desenvolvidos por editoras do período junto à divulgação de valores do grupo do capital multinacional e associado contribuíram para a construção do projeto hegemônico de sociedade difundido por este setor que expressou a aspiração por uma nova ordem, do ponto de vista de atores econômicos, políticos e militares críticos do sistema político praticado no Brasil desde 1946. Palavras-chave: Mercado editorial; Golpe de 1964; difusão ideológica “Na nossa terra, em se plantando, elefante dá”: Editora Abril (1950-2006) Resumo: Tentaremos neste trabalho reconstruir aspectos da história editorial da Editora Abril procurando evidenciar as tensões entre as esferas da cultura e da política que marcam a história desta casa. De uma forma geral, com avanços e recuos, permanência e rupturas, há uma evolução da História da Edição contemporânea (séculos XIX e XX). As casas de edição (editoras) se transformam em empresas de edição e depois se transformam em empresas de comunicação de caráter nacional ou internacional. Esse texto pretende compreender e explicar parte da trajetória e algumas das estratégias, sobretudo distribuição e venda de livros fora dos canais tradicionais, da Editora Abril que é, no nosso entendimento, uma das principais editoras a criar, no Brasil, o modelo de empresa de edição e de grupo de comunicação. Palavras-chave: Brasil: história do livro, história editorial, Editora Abril, estratégias editoriais, grupo de comunicação L’avenir des bibliothèques O futuro das bibliotecas Palavras-chave: crise do livro e expansão das bibliotecas, bibliotecas nacionais, bibliotecas públicas, novas tecnologias e futuro das bibliotecas Michel Melot (Conservateur général des bibliothèques/Ministère de la Culture de France) : Comment va la mort du livre? Como vai a morte do livro? Palavras-chave: Livro e novas tecnologias; crise e permanência do livro; livro e epistemologia; livro e humanismo. Miguel Said Vieira (FEUSP. Mestrando. Fapesp) O commons intelectual e a mercantilização — análise introdutória de uma nova abordagem sobre o compartilhamento de bens culturais Resumo: Trata-se de uma análise introdutória do conceito de commons intelectual, com vistas a avaliar sua relação com a mercantilização. A análise tem cunho teórico-filosófico, e inclui: 1) uma apresentação do conceito de commons, e de dois de seus tipos (acesso aberto ou limitado); 2) uma análise específica do conceito de commons intelectual, em comparação com seu predecessor, o de commons material (forma de compartilhamento de recursos físicos que pode ser exemplificada pelo uso de terras comuns na Europa medieval); 3) e breves apontamentos sobre a possibilidade (ou não) dessa forma de compartilhamento enfrentar a mercantilização de bens culturais. As principais conclusões são que a necessidade de fronteiras e regras claras talvez possa ser relativizada em commons intelectuais; que é necessário atentar ao risco se negligenciar fatores exógenos nos estudos sobre commons; e que os commons intelectuais desfavorecem significativamente a mercantilização; no entanto, talvez não impossibilitem que ressurja sob outras formas ou em bens intelectuais relacionados ao bem compartilhado. As principais referências teóricas são Hess & Ostrom, Boyle, Benkler, Marx E Polanyi. Palavras-chave: commons; mercantilização; direito autoral; compartilhamento; propriedade; acesso ao conhecimento Milena Piraccini Duchiade (Mestre em Saúde Pública/ENSP. Livreira) Livraria Leonardo da Vinci : um enclave europeu no coração do Rio de Janeiro Resumo: Em setembro de 1952, Andrei Duchiade, advogado romeno recém-emigrado, e sua mulher Vanna Piraccini, ítalo-romena formada em Letras e Belas Artes, inauguraram uma pequena livraria, a Leonardo da Vinci. Especializada na importação de livros franceses, a da Vinci logo se tornou ponto de encontro de políticos e intelectuais da então Capital Federal. Animados com o sucesso da empreitada, mudaram-se em 1956 para o subsolo do edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco 185, no coração do Centro. Desde o início, a livraria distinguiu-se por seu caráter humanista, caracterizando-se por dispor de um vasto acervo de obras clássicas, e não apenas das últimas novidades. Santiago Dantas, Guerreiro Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Tristão de Athayde, Manuel Mauricio, Golbery do Couto e Silva, ministros e intelectuais, estudantes e professores, todos frequentavam suas salas. Com a morte, em 1965, de Andrei Duchiade, sua esposa deu continuidade ao projeto do fundador, tendo se tornado uma das livreiras mais marcantes da cidade. A comunicação pretende traçar, em forma de depoimento, um perfil da trajetória da Livraria Leonardo da Vinci até hoje. Palavras-chave: Livraria Leonardo da Vinci, Rio de Janeiro, memórias da livraria Monalisa Renata Gazoli (Unesp/Campus de Marília/FFC, Mestranda) 1º livro de leitura (1926), de Antonio Proença, e a disseminação do método analítico para o ensino da leitura no Brasil Resumo: Neste texto, apresentam-se resultados de pesquisa de mestrado desenvolvida com o objetivo de contribuir para a compreensão de um importante momento da história do ensino da leitura e escrita e suas relações com a história do livro didático no Brasil. Focaliza-se a proposta para o ensino da leitura pelo método analítico apresentada pelo professor paulista Antonio Firmino de Proença (1880-1946), em 1º livro de leitura (1926), publicado pela Editora Melhoramentos (SP) e integrante da “Série de leitura Proença”, utilizada em diferentes estados brasileiros. Mediante abordagem histórica centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio de procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação de fontes documentais e bibliografia especializada, analisou-se a configuração textual desse livro que consistiu em enfocar os diferentes aspectos constitutivos de seu sentido. Concluiu-se que esse livro, escrito em continuidade ao proposto pelo autor em Cartilha Proença (1926) e em Leitura do principiante (1926), foi publicado por mais de duas décadas e está diretamente relacionado com os de outras séries de livros de leitura publicadas nas décadas iniciais do século XX, como decorrência da institucionalização do método analítico no estado de São Paulo, tendo contribuído para a disseminação, no Brasil, desse método de ensino da leitura. Palavras-chave: Leitura; ensino da leitura; método analítico; livros de leitura; Antonio Firmino de Proença; Companhia Melhoramentos de São Paulo Monalisa Renata Gazoli, ver também: Maria do Rosário Longo Mortatti Mônica Oliveira Dias, ver: Heloisa de O. S. Villela Mônica Rizzo Soares Pinto (Fundação Biblioteca Nacional) Memória editorial brasileira: três momentos Palavras-chave: Biblioteca Nacional, História editorial, Arco do Cego, Instituto Nacional do Livro, Editora José Olympio, arquivos editoriais Mémoire éditoriale brésilienne : trois moments |