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Pré-seminário e II Lihed: Textos e resumos das exposições (conferências, palestras, comunicações) (Ordenados por prenome de autor)
Nelson Schapochnik (FEUSP) A batalha dos livros: Désiré-Dujardin e a circulação de contrafações belgas no Rio de Janeiro oitocentista. Resumo: Ao analisar a propaganda do comércio livreiro publicado nos periódicos cariocas e a composição dos acervos das bibliotecas e de gabinetes de leitura estabelecidos na cidade do Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX, evidencia-se a uma tácita disputa pelo mercado brasileiro travada por livreiros e editores portugueses e franceses. A leitura cerrada dos catálogos disponíveis indica, entre outras coisas, que a associação entre a expansão da cultura impressa em língua francesa e a hegemonia da edição originária da França vem a ser uma construção equivocada, posto que a maior parcela destes livros era proveniente da Bélgica. Esta comunicação explora as múltiplas intervenções do livreiro belga Désiré-Dujardin, no período de 1846-1851, no qual ele atuou no aluguel de obras enquanto proprietário do Gabinete francez, bem como, no comércio de livros à testa da Librairie Belge-Française. Palavras-chave: catálogos; comércio livreiro; contrafação; Bélgica; Rio de Janeiro; Désiré-Dujardin Nelson Schapochnik (FEUSP) Misteriomania: edição, circulação e apropriação do modelo narrativo de Les mystéres de Paris no Brasil Palavras-chave: Edição, circulação, tradução cultural, imitação. Mystériomanie : édition, circulation et appropriation du modèle narratif du livre Les mystères de Paris au Brésil. Nilma Gonçalves Lacerda, ver: Marianna Simões Lourenço Odaléia Alves da Costa (FE-USP. Doutoranda. FAPEMA) Indícios de circulação do “Livro Do Povo” de Antonio Marques Rodrigues Resumo: A pesquisa bibliográfica em bibliotecas e arquivos do Brasil e do exterior norteou este trabalho que teve como objetivo mapear a circulação do “Livro do Povo” de Antonio Marques Rodrigues, livro impresso pela Tipografia do Frias em São Luís (MA) com 1ª edição em 1861, 208 p. e uma tiragem de 4.000 exemplares. Apenas 4 anos após a 1ª tiragem já se contava com 16.000 exemplares. O “Livro do Povo” era ilustrado com um grande número de gravuras. (Frias, 1978). Segundo o Relatório de Instrução Pública de Pernambuco (1862, nº 45, p. 58) o “Livro do Povo” foi adotado como compêndio de leitura nas escolas primárias da província de Pernambuco. Elomar Tambara (2002) identifica a sua utilização no Rio Grande do Sul. Não encontramos nenhum exemplar do “Livro do Povo” em bibliotecas públicas brasileiras. No entanto, na British Library, na Inglaterra, existe um exemplar da 4ª edição deste livro. Desta forma, pretendemos continuar investigando os indícios de circulação do “Livro do Povo” no Brasil e no exterior. Palavras-chave: Livro; Circulação; Bibliotecas. Orlando José de Almeida Filho (FIVR - Faculdades Integradas do Vale do Ribeira) Pedagogia católica na estratégia editorial das coleções de Theobaldo Miranda Santos Resumo: Este trabalho que se debruçou sobre o projeto editorial das coleções de Theobaldo Miranda Santos, publicados no período de 1945-1971, pela Companhia Editora Nacional, é resultado de pesquisa de doutoramento no programa Educação: História Política Sociedade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP). A construção do trabalho investigativo encontra-se situada metodologicamente na análise material do impresso na perspectiva da História Cultural e prioriza o estudo desse objeto cultural constituído do gênero textual denominado “Manual” voltado para a formação de professores, organizado em coleções. O objetivo central desse estudo é o de compreender como as coleções de Santos inseriram-se em um projeto maior da matriz educacional católica. Nesse contexto, busco compreender a materialidade dos volumes publicados nas coleções, quais estratégias editoriais foram utilizadas para ampliar o público leitor, bem como entender como a produção, circulação e usos das coleções e/ou de volumes em sua individualidade legitimaram uma ortodoxia ou uma leitura autorizada, conforme nos aponta Chartier. Palavras-chave: Coleções, Educação, estratégia, História Cultural, modelos pedagógicos Oto Dias Becker Reifschneider (Universidade de Brasília. Doutorando) Alfredo de Carvalho bibliófilo Resumo: Importante homem de letras pernambucano, promovedor da história da imprensa e de seu estado, por sua morte prematura, Alfredo de Carvalho não obteve o reconhecimento que lhe é devido. Fez parte de um seleto grupo – com o Barão de Studart e Oliveira Lima - que unia a escrita da história com a formação de bibliotecas preciosas. Era, de fato, um bibliófilo inveterado, preocupado com aspectos estéticos, tácteis, além da preservação material das obras que reunia. Infelizmente, tanto sua biblioteca, quanto seus escritos inéditos – eram numerosos – dispersaram-se. A partir das cartas enviadas para Oliveira Lima, de sua produção bibliográfica, do catálogo de venda de sua coleção - o Bibliotheca brasiliense selecta – além de alguns exemplares que pertenceram à sua biblioteca, propõe-se apresentar uma das facetas menos exploradas de Alfredo de Carvalho: a do bibliófilo. Palavras-chave: Alfredo de Carvalho; bibliofilia; história do livro; artes gráficas, bibliotecas particulares Ozângela de Arruda Silva (IEL/UNICAMP. Mestranda. Fapesp) Da Europa ao Ceará: a circulação de romances e suas conexões comerciais no século XIX Resumo: Observando a relação entre editores, livreiros e jornais vê-se que, na segunda metade do século XIX, a circulação de romances em Fortaleza estava em sintonia com publicações provindas de alguns países europeus. Nesta comunicação, evidenciaremos a referida conexão entre o Brasil e a Europa, nas décadas de 1870 e 1880, por meio do levantamento de notícias e anúncios em jornais de Fortaleza, nos quais estão presentes as relações comerciais entre livreiros estrangeiros, residentes ou não no Brasil, e livreiros locais. Seguimos as discussões traçadas por teóricos da História do Livro e da Leitura e História Cultural, abordando o comércio livreiro e suas relações como uma forma de promover a inter-relação da leitura por meio da difusão e escoamento dos livros. A tríade editor-livreiro-jornal produzia, informava e escoava os mais recentes títulos ficcionais para Fortaleza em um mesmo momento em que os referidos livros eram publicados em partes do Brasil e da Europa. Palavras-chave: Comércio livreiro; século XIX; circulação de romances Patrícia Corsino, ver: Simone Xavier de Lima Patricia Tavares Raffaini (USP/FFLCH-Anhembi Morumbi) Pirlimpimpim pelo correio: Vestígios da prática da leitura na infância brasileira, décadas de 30 e 40 Resumo: Durante as décadas de 30 e 40, o escritor Monteiro Lobato reuniu e preservou cerca de trezentas cartas enviadas a ele por crianças e jovens leitores. O presente trabalho pretende abordar algumas das práticas sociais da leitura mencionadas por essa documentação. Entre essas práticas podemos perceber quais eram os modos de leitura das crianças, como pais e familiares introduziam os filhos no universo da leitura, assim também muitas das cartas comentam a leitura intensiva dos livros de Lobato. Outros aspectos também aparecem na documentação como o empréstimo de livros, que parece ter sido uma das formas de suprir uma circulação ainda ineficiente dos livros no país. A correspondência possibilita também vislumbrar a recepção da literatura infanto-juvenil, pois através dela os leitores comentam as obras do próprio Lobato e de outros escritores. Palavras-chave: História da leitura; leitura na infância; literatura infanto-juvenil; epistolografia. Paula Andréa Prata Ferreira, ver: Cláudia Andréa Prata Ferreira Paula Viviane Ramos (UniRitter-UFRGS) Nelson Boeira Faedrich e a revolução nos livros ilustrados da antiga Editora Globo Resumo: O trabalho apresenta e discute a obra em ilustração de Nelson Boeira Faedrich (1912-1994), um dos mais renomados artistas gráficos brasileiros do século XX, que construiu sua trajetória a partir da experiência junto à antiga Editora Globo, de Porto Alegre. Ao lado de João Fahrion (1898-1970) e de Edgar Koetz (1914-1969), o artista revolucionou as publicações da editora sulina, deixando sua marca em obras primas como Contos de Andersen (1958-1961), Lendas do Sul (1953) e Contos Gauchescos (1983). Tendo como base um amplo levantamento historiográfico e de fontes primárias até então não sistematizadas, o trabalho, oriundo da tese de doutorado da pesquisadora, apresenta e contextualiza as inovações presentes na obra de Faedrich. A partir do estudo de sua trajetória e referências visuais, e analisando as relações entre texto e imagem estabelecidas pelo artista, o artigo mostra como essa produção foi fundamental não somente para a conquista de novas linguagens gráficas, mas também no processo de oxigenação das percepções do público e na constituição de uma modernidade visual, sobretudo no Rio Grande do Sul. Palavras-chave: Nelson Boeira Faedrich; Editora Globo; ilustração; revolução gráfica e visual Paulino Lemes de Sousa Cardoso (Academia Brasileira de Letras) Arquivo Múcio Leão: criação, desenvolvimento e revitalização Palavras-chave: Arquivo, arquivo dos Acadêmicos; arquivo institucional; Centro de Memória; política de acervos Archives Múcio Leão : création, développement et revitalisation Paulo Eduardo Dias de Mello (FEUSP. Doutorando) Políticas do Livro e Leitura para a Educação de Jovens e Adultos: o quadro atual. Resumo: Neste trabalho apresentamos um levantamento dos programas, projetos e ações executadas pelo Ministério da Educação (MEC) para a Educação Básica de modo geral e, de modo particular, das ações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, SECAD, que envolvem políticas do livro e leitura para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nosso escopo é propor indagações sobre como estas políticas estão sendo encaminhadas, destacando duas características que consideramos centrais: a primeira sublinha o caráter descentralizado e diversificado das ações que envolvem políticas de leitura e do livro e que podem ser agrupadas nas seguintes categorias: 1) ações relativas à produção e fomento à produção de livros didáticos, conteúdos educacionais digitais, acervos de obras literárias e tecnologias educacionais; 2) promoção do acesso a materiais educativos; 3) formação continuada de professores; 4) avaliação; 5) promoção de espaços de leitura. A segunda característica é a ausência de referenciais teóricos comuns que definam o léxico e as acepções adotadas quando se trata de termos relacionados a leitura, livro didático, ou material didático e que possam ser utilizados como parâmetro para os agentes internos do Ministério, suas secretarias e autarquias. O levantamento possibilitou identificar divergências de uso sobre alguns termos adotados quando se trata desses temas. Palavras-chave: Políticas públicas; leitura; livro; educação de jovens e adultos Paulo Motta Oliveira (USP) A mão do finado: as extraordinárias aventuras de um sucesso mundial Resumo: Pour faire suite au roman Le comte de Monte-Christo par Alexandre Dumas e escrita por um certo F. le Prince, em 1853 era lançada na França, apesar de ser publicada por uma tipografia portuguesa, La main du defunt. No mesmo ano a obra também sairia em Lisboa, desta feita sem indicação de autor. A partir de então o livro atravessaria fronteiras e mares: atribuída ou não explicitamente a Alexandre Dumas, ele seria traduzido para o espanhol, o italiano, o alemão, o húngaro... Se, sem via de dúvida, trata-se de uma curiosa trajetória para uma obra que, no fim das contas, fora escrita por um obscuro português empregado dos correios, Alfredo Hogan, as suas viagens, em língua portuguesa, são também fascinantes. Em nosso trabalho, após uma breve reflexão sobre o percurso editorial do livro em países da Europa e da América Latina, centraremos nossa atenção em suas peripécias portuguesas e brasileiras, em que poderemos analisar mais de um século de extraordinárias aventuras, em que não faltam alguns mistérios ainda por resolver. Palavras-chave: Alexandre Dumas, Alfredo Hogan, F. le Prince, folhetim, história editorial, intertextualidade Pedro Afonso Vasquez Europa, França e Bahia: a difusão da literatura de Jorge Amado e sua influência na fotografia brasileira Resumo: Na década de 1940 ocorreu um acontecimento único na história das relações e influências mútuas entre literatura e imagem: um único livro foi responsável pela transferência para o Brasil de três grandes fotógrafos franceses — Pierre Verger, Jean Manzon e Marcel Gautherot. O livro em questão, Jubiabá, abriu as portas da Europa para a literatura de Jorge Amado e fez dele o escritor brasileiro mais conhecido no mundo durante toda a segunda metade do século XX. Jubiabá é uma obra exemplar da habilidade do escritor em conjugar temas de conteúdo político e social com as tradições baianas de origem africana. Dos três fotógrafos, Verger foi o mais influenciado por Amado, tornando-se destacado estudioso da migração africana para o Brasil. Gautherot, apesar de também se interessar por temas de interesse antropológico, ficou consagrado como o fotógrafo da arquitetura modernista, sobretudo por sua parceria com Oscar Niemeyer. Ao passo que Jean Manzon, ao se associar à revista Cruzeiro, foi responsável pelo que foi qualificado de “a revolução da fotorreportagem no Brasil”. Palavras-chave: literatura regional; intercâmbio cultural; antropologia; candomblé; fotografia; arquitetura modernista Pedro Eduardo Andrade Carvalho (UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto. História. Graduando) Espaço Jovem Pesquisador Escrever e publicar gramáticas no Império Luso-brasileiro 1770 – 1813 Resumo: No XXIV Simpósio Nacional de História a professora Dr. Márcia A. Abreu apresentou situação curiosa em sua fala. O gramático Antonio Jose dos Reis Lobato teve a publicação do “Resumo da Gramática da Lingua Portuguesa” impedida pela Real Mesa Censória por conter inúmeras falhas de ortografia. Uma coisa é certa, para o Deputado que o censurara existia uma norma padrão estabelecida e consolidada a ponto de justificar suas críticas às obras que lia. Passamos assim a acompanhar casos exemplares de compêndios sobre a língua portuguesa, dentro do Império Luso-brasileiro, no período em questão a fim de compreender como o argumento de valor que justificava a adoção de determinados comportamentos gramaticais eram reflexo das mudanças implementadas pelo estado português durante o período pombalino. Assim, fizeram parte da nossa pesquisa o dicionarista Antonio de Morais Silva e um autor desconhecido defensor de uma norma gramatical baseada diretamente na fala da população. Palavras-chave: Gramática; Período Pombalino; circulação de idéias. Pedro Galdino da Silva Neto (UERJ. História. Graduando. IC/Faperj-CNPq) Orientadora: Profa. Dra. Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves Espaço Jovem Pesquisador Entre a tribuna e o jornal, Evaristo da Veiga e o nobre ofício de livreiro Resumo: O trabalho aborda o indivíduo Evaristo da Veiga, que, apesar de sua trajetória na política e na imprensa, manteve-se como um dos mais importantes livreiros do Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. Ao defender avidamente a dignidade de ser livreiro, quando seus inimigos políticos viram nesse ofício algo a ser zombado, Evaristo revelava-se zeloso de sua profissão, assim como do próprio objeto que comercializava, enquanto elemento difusor do saber a fim de ilustrar a “boa sociedade”. Envolvido na divulgação das idéias liberais, como evidenciam os títulos das obras que anunciava nos jornais, Evaristo é examinado enquanto intermediário cultural, entre os anos de 1820 e 1830, ao criar redes de sociabilidades, que encontravam um novo espaço nas livrarias. Essa análise vai ao encontro dos estudos de história cultural, na linha da historiografia francesa, sobre o papel dos livreiros na configuração da cultura política na primeira metade do Oitocentos. Pretende-se verificar como por sua formação singular, sem se distanciar do trato dos livros, Evaristo da Veiga constituiu-se como um homem de letras paradigmático, que, segundo alguns, governou o Brasil do balcão de sua livraria. Palavras-chave: Evaristo da Veiga; livraria; livreiro; homem de letras. Pedro Paulo Alves dos Santos (UNESA) A recepção do ‘livro cristão’. Algumas questões do estatuto de leitura na Antiguidade tardia: uma estratégia no ‘deslocamento’ da função e do uso do livro Resumo: Por quais razões se pode afirmar que exista uma concepção do livro ‘cristão’? Talvez a partir das profundas mudanças ocorridas a partir da criação do livro? Ou proviria do desempenho de leitura de novos circuitos de leitores, na medida em que, a leitura ‘cristã’ implicava numa inédita forma de fruição? (Catalbiano, 1996). Ou ainda proviria do ambiente sócio-cultural, mas também do aspecto do próprio livro, que, em seu formato, após o quarto século cristão, segundo alguns autores, teria sofrido uma radical transformação? Quase se poderia dizer, teria passado por uma mudança na sua ‘natureza? (Petrucci, 2003). A escritura é sem dúvida o instrumento por excelência da comunicação e da difusão do pensamento. Pode-se ainda pensar que o aspecto figurativo, a visibilidade do sinal gráfico e das séries de sinais gráficos, que podem assumir, e assim o foi, em períodos e ambiente culturais diversos, ora um significado mágico-evocativo, ora um significado estético, ora uma síntese destes aspectos. Palavras-chave: Texto cristão, o conceito de imaginário, Cristianismo antigo, estudos clássicos Plínio Martins Filho (USP-ECA – Edusp) Minha formação entre os livros Resumo: Algumas reminiscências do percurso da Editora Perspectiva à Edusp. A formação do editor. Os saberes e as práticas específicos do editor universitário. Perspectivas atuais para o livro acadêmico no Brasil. Palavras-chave: Memória editorial, editoras universitárias, livro universitário, gente do livro |